Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

João Donato

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.11.2017
17.08.1934 Brasil / Acre / Rio Branco
João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, Acre, 17 de agosto de 1934). Compositor, pianista, acordeonista, arranjador, cantor. Aprende a tocar acordeom na infância. Em 1945, muda-se para o Rio de Janeiro e toca em festas de colégio. Em uma delas, conhece o conjunto vocal Namorados da Lua e começa a amizade com Nanai, Chicão, Miltinho e o cantor ...

Texto

Abrir módulo

Biografia

João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, Acre, 17 de agosto de 1934). Compositor, pianista, acordeonista, arranjador, cantor. Aprende a tocar acordeom na infância. Em 1945, muda-se para o Rio de Janeiro e toca em festas de colégio. Em uma delas, conhece o conjunto vocal Namorados da Lua e começa a amizade com Nanai, Chicão, Miltinho e o cantor Lúcio Alves (1927-1993).

Em 1949, participa de jam-sessions na casa do cantor Dick Farney (1921-1987) e no Sinatra-Farney Fan Club. Inicia carreira profissional em 1949, no grupo Altamiro Carrilho e Seu Regional, e no conjunto do violinista Fafá Lemos (1921-2004). Toca em casas noturnas, como Plaza, Drink, Sacha's e Au Bon Gourmet, entre outras. Em 1951, começa a estudar piano.

Muda-se para São Paulo, em 1956, e toca piano no grupo Os Copacabanas e na Orquestra de Luís Cesar. Grava seu primeiro LP, Chá Dançante (1956), com produção do compositor Tom Jobim (1927-1994) para a gravadora Odeon. Em 1958, volta para o Rio de Janeiro e dedica-se ao piano.

Em 1959, viaja para o México com o guitarrista Nanai e a cantora Elizeth Cardoso (1920-1990). Em seguida, vai para os Estados Unidos, onde reside durante três anos. Excursiona com João Gilberto (1931) pela Europa.

Em 1962, retorna ao Brasil e grava o LP Muito à Vontade (1963), com o contrabaixista Tião Neto (1931-2001) e o baterista Milton Banana (1935-1999). Em 1963, lança o LP A Bossa Muito Moderna de João Donato e Seu Trio

Volta aos Estados Unidos, onde vive por mais dez anos. Nesse país, grava com o saxofonista norte-americano Bud Shank (1926-2009) e com a violonista brasileira Rosinha de Valença (1941-2004). Também trabalha com o contrabaixista norte-americano Ron Carter (1937) e com o brasileiro Eumir Deodato (1943). Atua com outros artistas como Astrud Gilberto (1940), Dorival Caymmi (1914-2008), e os norte-americanos Stan Kenton (1912-1979), Nelson Riddle (1921-1985), Herbie Mann (1930-2003) e Wes Montgomery (1923-1968).

Em 1972 volta ao Brasil e, no ano seguinte, grava o LP Quem é Quem. O disco apresenta músicas com letras cantadas pelo próprio compositor, até então intérprete de música instrumental.

Em 2008, lança o DVD Ao Vivo no Rio de Janeiro, registro do encontro musical com Bud Shank e participa do espetáculo Bossa Nova 50 Anos, na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Em 2010, ganha o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Jazz Latino com o CD Sambolero

Tem três álbuns lançados nos anos 1990 e soma 15 discos de 2000 a 2010. Entre eles, duos com Emílio Santiago (1946-2013) e Wanda Sá (1944), Joyce Moreno (1948) e Paula Morelenbaum (1962). Em 2011, grava Os Bossa Nova, ao lado de Carlos Lyra (1939), Marcos Valle (1943) e Roberto Menescal (1937).

Análise

João Donato é um dos precursores da bossa nova, por sua atuação como pianista e compositor desde o início dos anos 1950. É moderno para a época, e seu piano já apresenta um toque diferente de tudo o que existe no momento.

Desenvolve carreira nos Estados Unidos a partir de 1959, tocando com as orquestras latinas de jazz em Los Angeles, a cujos mambos, merengues e rumbas acrescenta o conhecimento do samba. A influência da música cubana é evidente em “Bluchanga”, dos tempos em que Donato toca com os músicos norte-americanos Cal Tjader (1925-1982) e Tito Puente (1923-2000), o cubano Mongo Santamaría (1922-2003) e Johnny Martinez.

Enquanto nos Estados Unidos, sua canção “Minha Saudade” (1955), parceria com João Gilberto, permeia o repertório das primeiras apresentação e festivais de bossa nova, estilo musical de fins da década de 1950.

Suas composições são instrumentais, ganhando letra a posteriori. "As minhas primeiras letras surgiram a partir desses temas instrumentais já gravados, que eu pensava que não iam ter letra nunca. Bananeira era Villa Grazia, o nome da pousadinha onde a gente ficou em Lucca, na Itália, acompanhando o João Gilberto numa temporada (...). Noventa e nove por cento das minhas músicas instrumentais trocaram de nome, por causa da letra" diz João Donato. Outro exemplo é a música “Índio Perdido”, que muda para “Lugar Comum” após receber a letra de Gilberto Gil (1942).

É o caso da maioria das parcerias de Donato, como “A paz”, “Bananeira” e “Lugar Comum”, com Gilberto Gil; “A Rã” e “Surpresa”, com Caetano Veloso (1942); “Amazonas”, “Até quem Sabe” e “Flor de Maracujá” com o irmão Lysias Enio; “Simples Carinho” e “Verbos do Amor”, com Abel Silva (1945); “Nasci para Bailar”, com Paulo André Barata; “Cadê Você”, com Chico Buarque (1944); “Gaiolas Abertas” e “Daquele Amor nem Me Fale”, com Martinho da Vila (1938); e “Doralinda”, com Cazuza (1958-1990).

Como pianista, seu toque é inconfundível, marcado por suingue e bom gosto harmônico, influenciado pelo pianista Johnny Alf (1929-2010). Quando improvisa é simples, tocando poucas notas, e sofisticado, escolhendo com cuidado as notas que vai tocar.

Conhece Dick Farney quando ambos trabalham no hotel Copacabana Palace. Ouvem discos de jazz, aproximando-se das harmonias norte-americanas. Em uma de suas primeiras gravações como intérprete toca no acordeom “Invitation”, do polonês Bronislaw Kaper (1902-1983), música complicada de executar. Aprende por meio de discos, principalmente com os dos norte-americanos Stan Kenton, pianista e arranjador; Ernie Felice, acordeonista, e o compositor Bronislaw Kaper. Outra referência importante é Duílio Cosenza, componente do conjunto de Altamiro Carrilho (1924-2012). Duílio ensina-lhe acordes feitos no cavaquinho.

As composições de Donato possuem característica marcante: a primeira frase rítmica repete-se no decorrer da música, como em “A Rã”, “Até quem Sabe”, “Lugar Comum”, “Amazonas” e “Cadê Você”. Às vezes mantém a mesma melodia, alterando somente a harmonia, como é o caso da segunda parte da música “A Rã”. Não trabalha em cima da composição, mas dos arranjos.

Outro momento da carreira de João Donato é inspirado pela obra dos compositores franceses Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937), sobre os quais realiza o projeto Suíte Sinfônica Popular sobre Obras de Debussy e Ravel, com participação de orquestra. Adapta ao piano trechos específicos de algumas obras dos compositores eruditos e insere instrumentos populares do jazz e da bossa nova: bateria, percussão, contrabaixo, saxofone e flauta.

Obras 3

Abrir módulo

Shows musicais 1

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
João Donato - Álbum Itaú Cultural - Série +70 (2013)
Itaú Cultural

Fontes de pesquisa 11

Abrir módulo
  • BASTOS, Cristiano. Entrevista – João Donato. Rolling Stone, São Paulo, ed. 21, jun. 2008. Disponível em: < http://rollingstone.uol.com.br/edicao/21/entrevista-joao-donato >. Acesso em: 10 jun. 2013.
  • CANAL Brasil. Quem é quem – João Donato. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=rAxt3IFWIok&feature=endscreen >. Acesso em: 10 jun. 2013.
  • CASTRO, Ruy. A onda que se ergueu no mar. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • CASTRO, Ruy. Chega de Saudade: a história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  • CASTRO, Ruy. João Donato. São Paulo: Publifolha, 2008. (Coleção Folha – 50 anos de Bossa Nova).
  • CHEDIAK, Almir. Songbook – João Donato. Rio de Janeiro: Lumiar, 1999.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998. p. 401.
  • FREIRE, Luiz Fernando (Ed.). Bossa Nova: história, som e imagem. Rio de Janeiro: Spala Editora Ltda., 1995.
  • GLOBO News. João Donato e Paula Morelenbaum, uma parceria de novas bossas. Programa Sarau, 15 jul. 2011. Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=imVjewT6qBE >. Acesso em: 10 jun. 2013.
  • MELLO, Zuza Homem de. Eis aqui os bossa nova. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2008.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: