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Música

Roberto Menescal

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
25.10.1937 Brasil / Espírito Santo / Vitória
Roberto Batalha Menescal (Vitória ES 1937). Instrumentista, arranjador, compositor, cantor e produtor musical. Aprende a tocar acordeão e  dedica-se ao violão como autodidata. Posteriormente, estuda teoria e harmonia com Guerra-Peixe e Moacir Santos. Em Copacabana, frequenta as reuniões musicais no apartamento de Nara Leão acompanhado de Ronaldo...

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Biografia

Roberto Batalha Menescal (Vitória ES 1937). Instrumentista, arranjador, compositor, cantor e produtor musical. Aprende a tocar acordeão e  dedica-se ao violão como autodidata. Posteriormente, estuda teoria e harmonia com Guerra-Peixe e Moacir Santos. Em Copacabana, frequenta as reuniões musicais no apartamento de Nara Leão acompanhado de Ronaldo Bôscoli. Juntamente com Carlos Lyra, abre uma academia de violão. Aos 20 anos, estreia profissionalmente ao lado de Sylvinha Telles. Em 1958, forma o Conjunto Roberto Menescal, que acompanha vários artistas e, posteriormente, é contratado pela TV Rio. Ao longo de sua carreira, Menescal produz vários discos da parceira e amiga Nara Leão.

Em 1958, participa do show no Grupo Universitário Hebraico, no Flamengo e, em 1960, do show A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, a música O Barquinho, parceria com Ronaldo Bôscoli, é gravada no LP homônimo de Maysa. Participa da turnê nacional e internacional de divulgação do disco. Em 1962, apresenta-se como cantor no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York.

Ao longo da década de 1960, lança os LPs Bossa Session (1964), com Sylvinha Telles e Lúcio Alves; Bossa Nova - Roberto Menescal e seu Conjunto (1966); Surf Board (1967); A Nova Bossa de Roberto Menescal (1968); e O Conjunto de Roberto Menescal (1969). Entre 1964 e 1968, atua como produtor e arranjador de discos. Em 1968, Menescal e Elis Regina se apresentam no Mercado Internacional do Disco e Editores Musicais (Midem), em Cannes, e excursionam pela Europa. André Midani o convida para trabalhar na PolyGram. Torna-se diretor artístico e produz discos de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, Nara Leão, Maria Bethânia e Jorge Benjor, entre outros. Suas interpretações são incluídas em trilhas de novelas e filmes e, com Chico Buarque, compõe a canção Bye, Bye, Brasil (1979) para o filme homônimo de Cacá Diégues.

Em 1985, ao lado de Nara Leão, retoma a carreira de instrumentista em apresentações no Brasil e no exterior. Lança o LP Um Cantinho, um Violão - Nara Leão e Roberto Menescal, que faz sucesso no Japão, onde os convidam para shows e a gravação do CD Garota de Ipanema. No ano seguinte, deixa a PolyGram e dedica-se exclusivamente à carreira de violonista, arranjador e compositor. Em 1991, presta depoimento para o programa Ensaio, da TV Cultura de São Paulo.

Na década de 1990, grava os discos Roberto Menescal (1991), Ditos & Feitos (1992), Eu e a Música (1995) e Estrada Tokyo-Rio (1998), sendo esses dois com Wanda Sá. Em 1997, funda a produtora e gravadora Albatroz, pela qual lança CDs de Danilo Caymmi, Oswaldo Montenegro e Emílio Santiago. Em 2001, participa do Fare Festival, na Itália. Lança Bossa entre Amigos com Wanda Sá e Marcos Valle. Com o conjunto Bossacucanova compõe a faixa título e grava o CD Brasilidade. Dois anos depois, Menescal e Cris Delanno lançam o CD Eu e Cris. Em 2005, divide o palco com Wanda Sá e Miéle no show Benção Bossa Nova e atua como narrador do documentário Coisa Mais Linda - Histórias e Casos da Bossa Nova, de Paulo Thiago. Em 2008, apresenta-se com Andy Summers. Três anos depois a dupla lança o DVD United Kingdom of Ipanema.

 

Comentário crítico

Roberto Menescal tem um toque de violão requintado e harmônico, mas é um cantor esporádico. Destaca-se como um dos principais mentores da bossa nova, mantendo relações com várias personagens desse movimento por toda sua trajetória artística. Sua Academia de Violão em Copacabana atua na difusão da forma de tocar característica do gênero e influencia Marcos Vale, Wanda Sá e Edu Lobo, entre outros.

A noite de Copacabana concentra as principais casas noturnas do Rio de Janeiro da década de 1950. Menescal frequenta a boate do Hotel Plaza, onde assiste Johnny Alf, Luizinho Eça, Ivon Cury e Cauby Peixoto, dos quais se torna fã. Outra importante referência musical é o cantor e compositor Tito Madi. João Gilberto e Tom Jobim são seus principais ícones na música brasileira. Entre suas influências internacionais, destaca-se o guitarrista Barry Kassel, que acompanha a cantora e atriz Julie London.

Junto com Bôscoli, compõe O Barquinho, interpretado por João Gilberto no disco homônimo (1961), gravado com regência de Tom Jobim. A dupla faz outras canções baseadas na temática praieira, como Nós e o Mar e A Morte de um Deus de Sal. Também cria várias composições solo ou em parceria que enaltecem a cidade do Rio de Janeiro. Algumas canções compostas com Ronaldo Bôscoli seguem esse perfil, como Rio (Rio que mora no mar/ Sorrio pro meu Rio que tem no seu mar/ Lindas flores que nascem morenas/ Em jardins de sal/ Rio, serras de veludo) e Rio 1800 (Rio de luzes tantas/ Morenas quantas/ És meu assim/ Que praias bonitas e mar/ E a bossa que faz temperado do céu/ Sorrindo de luz/ Bem! mulher bonita assim, carioca assim). A canção Copacabana de Sempre (1992) é a ultima parceria da dupla. É composta em ocasião do centenário do bairro. A letra é uma viagem por esse espaço e recorre às lembranças pessoais ("Copacabana, berço da bossa/ Coisas tão nossas/ Vamos por esses becos/ Esquinas, bares que eu sei demais/ Face ao Atlântico Sul, Copacabana").

Wanda Sá é outra amizade estabelecida na década de 1960 que permanece por muitos anos. Em abril de 1964, Menescal acompanha a gravação do LP Wanda Vagamente, no qual ela interpreta as canções Vagamente, de Menescal e Bôscoli, e Inútil Paisagem, de Eumir Deodato. Leila Pinheiro, lança o disco Benção  Bossa Nova (1989), produzido por Menescal, que traz clássicos do movimento. Esse trabalho revitaliza a carreira de Menescal e o coloca novamente em evidência. A parceria musical com Wanda Sá se mantém e, em 2010, a dupla lança o CD Declaração, em celebração ao primeiro disco que marcaria a estreia da cantora e de Menescal como produtor musical. Em 2005, a dupla grava o CD Swingueira, que inclui as canções Ninguém, composta por ambos e Um Abraço no Menescal e no Bôscoli, de Pery Ribeiro.

Através de Bôscoli, estreita sua relação com Elis Regina, com quem faz o show Elis, Como e Porquê, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Depois participa da produção do disco de Elis com o gaitista belga Toots Thielemans gravado na Suécia. 

A partir da década de 1990, a bossa nova passa por uma valorização no Brasil, impulsionada por livros que buscam tecer sua história, como aos escritos por Ruy Castro, além de obras memorialísticas e a inclusão de músicas nas trilhas sonoras de novelas da TV Globo, entre outros fatores. Desde então, são lançados CDs, coletâneas e realizados diversos shows de comemoração e rememoração, dos quais Roberto Menescal integra. Em 2008, grava o CD Os Bossa Nova, com João Donato, Carlos Lyra e Marcos Valle. Também participa da direção musical e como instrumentista no espetáculo Bossa Nova 50 anos, na Praia de Ipanema.  

Obras 1

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Espetáculos 1

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Fontes de pesquisa 8

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  • CASTRO, Ruy. Chega de Saudade: a história e as histórias da bossa nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  • DUARTE, Paulo Sérgio; NAVES, Santuza Cambraia (org.). Do samba-canção à Tropicália. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: Faperj, 2003.
  • FONTE, Bruna. O barquinho vai... Roberto Menescal e suas histórias. São Paulo: Irmãos Vitale, 2010.
  • MENESCAL, Roberto. In: BOTEZELLI, J. C. Pelão; PEREIRA, Arley (org.). A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes. Vol. 3. São Paulo: Sesc Serviço Social do Comércio, 2001.
  • NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-69). São Paulo: Annablume, 2001.
  • Programa do Espetáculo - Estrela Tropical - 2000. Não Catalogado
  • ROBERTO Menescal. In: Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira. Disponível em: http://www.dicionariompb.com.br/roberto-menescal. Acesso em: 8 out. 2011.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).

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