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Clara Nunes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2021
12.08.1943 Brasil / Minas Gerais / Paraopeba
02.04.1983 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Clara Francisca Gonçalves Pinheiro (Paraopeba, Minas Gerais, 1942 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1983). Cantora e pesquisadora. Considerada uma das maiores intérpretes da música popular brasileira (MPB) do século XX, adquire projeção e fama a partir da década de 1970, ao se dedicar ao samba e a publicamente valorizar elementos negros da cultu...

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Clara Francisca Gonçalves Pinheiro (Paraopeba, Minas Gerais, 1942 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1983). Cantora e pesquisadora. Considerada uma das maiores intérpretes da música popular brasileira (MPB) do século XX, adquire projeção e fama a partir da década de 1970, ao se dedicar ao samba e a publicamente valorizar elementos negros da cultura tanto nas canções quanto na ética e estética.

Nasce no distrito de Cedro (atual Caetanópolis), então parte de Paraopeba, filha de um tocador de viola, e cresce em contato com a cultura e a religião populares. Perde os pais ainda criança e, aos 16 anos, muda-se para Belo Horizonte. Em 1960, já conhecida pela afinação e pela beleza do grave de sua voz, inicia a carreira ao vencer a etapa mineira do concurso A Voz de Ouro ABC. Transita pelo bolero romântico e o iê-iê-iê sem muito sucesso.

Muda-se para o Rio de Janeiro em 1965, e assina contrato com a gravadora Odeon, lançando no ano seguinte seu primeiro LP. Com o auxílio dos compositores Ataulfo Alves (1909-1969) e Carlos Imperial (1935-1992), convence a gravadora, que insiste em mantê-la na linha romântica, a gravar um samba, “Você Passa e Eu Acho Graça” (1968). Seu terceiro disco, de 1969, além de sambas, traz boleros e um encarte com visual da Jovem Guarda, associada à alienação diante de uma ditadura militar que aprofunda a censura, a repressão e a perseguição. O álbum, dada a sua fragmentariedade, não atinge grande público.

A guinada na carreira ocorre em 1970, quando elege como produtor o radialista Adelzon Alves (1939). Ele a ajuda não só a gravar gêneros de recorte popular, como samba, jongo e frevo, mas também a modificar a própria interpretação musical, que se torna menos impostada e sem vibratos. Alves contribui inserindo percussão nos arranjos, e ambos pesquisam cânticos de trabalho, tais como os de pescadores da Bahia.

Viaja à África em 1971, mesmo ano de seu quarto LP, o primeiro ao lado de Alves. As vendas do vinil – que traz a faixa “Sabiá”, dos compositores Luiz Gonzaga (1912-1989) e Zé Dantas (1921-1962) – aumentam significativamente em relação aos anteriores. Muitas das canções surgem de escolas de samba e retratam o dia a dia das camadas subalternas. Se no âmbito artístico a presença das matrizes africanas se faz notar de maneira consistente a partir desse disco, processo similar ocorre no pessoal, com Clara se declarando associada à umbanda. Desenvolve um estilo de se vestir que remete a uma África idealizada, exibindo guias religiosas, balangandãs e roupas brancas rendadas, além de se apresentar descalça. Ao construir para si uma identidade exaltadora da afro-brasilidade, ganha o apelido de “sambeira”, mistura então pejorativa de sambista e macumbeira.

O próximo LP, Clara Clarice Clara (1972), elogiado pela crítica, carrega versões de músicas dos cantores Nelson Cavaquinho (1911-1986), Cartola (1908-1980) e Caetano Veloso (1942), com pendor para o cancioneiro nordestino e nortista. Pela primeira vez, aparece na foto de capa sem alisar os cabelos. Os álbuns do período com maior êxito são Clara Nunes (1973) e Alvorecer (1974). Interpreta sambas, forrós e xotes de compositores como Chico Buarque (1942) e Paulo César Pinheiro (1949). Pinheiro passa a produzir os discos de Clara, cujo repertório adquire tons engajados. Canto das Três Raças (1976), mesmo título da faixa principal do LP, composta por Pinheiro e Mauro Duarte (1930-1989), enaltece a preponderância dos africanos e afrodescendentes na formação da sociedade. O trabalho, que inclui “Conto de Areia”, samba próximo do ponto de umbanda, tem enorme repercussão, vendendo 400 mil cópias, assim como o anterior, Claridade (1975). A faixa tema de Guerreira (1978) contém traços biográficos da artista.

Convidados por Chico Buarque em 1980, Clara e outros artistas visitam Angola, que enfrenta uma guerra civil, no Projeto Kalunga. A experiência faz a cantora adotar penteado afro, além de impactar seus últimos shows e discos: Clara (1981) e Nação (1982). Clara desfruta de popularidade internacional e contribui para a valorização de matrizes africanas em obras musicais de apelo comercial.

Carismática e portadora de uma voz inconfundível, Clara Nunes amplia o repertório da MPB, aliando sucesso de crítica a estrelato. Sua postura pública de privilegiar elementos populares e negros da cultura contribui para o reforço do imperativo da representatividade. Conduz a própria carreira de modo criativo, reinventando-se até o fim.

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Espetáculos 2

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