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Música

Eduardo Gudin

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.11.2014
14.10.1950 Brasil / São Paulo / São Paulo
Eduardo dos Santos Gudin (São Paulo SP 1950). Compositor, violonista, arranjador, cantor e produtor musical. Sua formação musical começa cedo e tem o violão como base. Com 16 anos, é convidado pela cantora Elis Regina a participar do programa na TV Record, O Fino da Bossa, apresentado por ela e o Zimbo Trio. Aos 18, tem sua canção Choro do Amor ...

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Biografia
Eduardo dos Santos Gudin (São Paulo SP 1950). Compositor, violonista, arranjador, cantor e produtor musical. Sua formação musical começa cedo e tem o violão como base. Com 16 anos, é convidado pela cantora Elis Regina a participar do programa na TV Record, O Fino da Bossa, apresentado por ela e o Zimbo Trio. Aos 18, tem sua canção Choro do Amor Vivido (em parceria com Walter de Carvalho), cujo arranjo é feito por Hermeto Pascoal, classificada para o Festival da Música Popular Brasileira da Record de 1968. No mesmo ano, sua música é gravada pelos grupos Os Três Morais e O Quarteto. Em 1969, sua composição Gostei de Ver (em parceria com Luiz Carlos da Silva Ramos) termina o festival em terceiro lugar. Ela é gravada por Márcia, que a havia defendido com Os Originais do Samba. Na esteira desse reconhecimento, em 1969 grava o primeiro compacto e inicia parceria com Paulo César Pinheiro. Juntos, eles compõem E Lá se Vão Meus Anéis, vencedora do Festival Universitário da Canção, gravada pelo grupo Os Originais do Samba.

Lança seu primeiro LP, Eduardo Gudin, em 1973, e no ano seguinte O Importante É que a Nossa Emoção Sobreviva, novamente com Pinheiro e Márcia. Em 1975, grava o LP Eduardo Gudin, com participação de Dona Ivone Lara em Vias de Fato (parceria com Hermínio Bello de Carvalho). Grava ao vivo no Rio de Janeiro o segundo volume de O Importante É que a Nossa Emoção Sobreviva, em 1976. Ajuda a criar e dirige o Festival Universitário da TV Cultura, em 1979, ocasião em que conhece Arrigo Barnabé e Vânia Bastos. Como compositor, produz a trilha sonora do filme Cidade Oculta, em 1986, e colabora na fundação da Orquestra Jazz Sinfônica, em 1989, na qual permanece como diretor até 1991.

Na década de 1980, grava os LPs Ensaio do Dia, com parceria de Aldir Blanc, Adoniran Barbosa, Fernando Brant, Paulo Vanzolini e Arrigo Barnabé; e Balãozinho, que traz participação de Eliete Negreiros, Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Sua canção Verde (parceria com José Carlos Costa Neto), defendida por Leila Pinheiro, termina em segundo lugar no Festival dos Festivais, da TV Globo, em 1985.

Nos anos 1990, realiza shows, cria trilhas sonoras para o cinema e TV e grava mais três discos - Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil (1995), Tudo o que Mais Nos Uniu (1996) e Pra Tirar o Chapéu (1998). Na década seguinte, atua como intérprete, compositor e produtor musical de novas cantoras, como Mônica Salmaso - que o cita como sendo uma grande influência, além de incentivador -, e compositores. Grava os álbuns Luzes da Mesma Luz (2001), com Fátima Guedes; Um Jeito de Fazer Samba (2006); e Pra Iluminar (2009), com Leila Pinheiro. Colabora na fundação da Universidade Livre de Música de São Paulo, em 2003, e passa a dar aulas de composição popular.

Comentário Crítico
Eduardo Gudin inicia a carreira musical precocemente nos anos 1960 e conquista experiência participando de vários festivais e programas musicais na televisão. Como boa parte dos músicos populares, começa sua formação de maneira informal e autodidata, mas com o tempo estuda e se especializa. No decorrer de sua longa carreira, estuda violão erudito e popular com Antônio Ramos; harmonia e improvisação com Theo de Barros; orquestração com os maestros Nelson Ayres e Léo Peracchi; e orquestração, arranjos e harmonia com Cláudio Leal Ferreira. Estuda continuamente. Essa rica formação e a vasta experiência no universo artístico permitem que desempenhe inúmeras atividades, como a de compositor, intérprete, arranjador e produtor musical. Desse modo, se qualifica como produtor de discos e espetáculos de vários intérpretes e compositores. E também faz os arranjos de discos de artistas como Márcia (consagrando a canção Ronda, de Vanzolini), Paulo Vanzolini, Gal Costa - que grava Bem Bom (parceria com Arrigo Barnabé e Carlos Rennó), música que dá título ao disco, lançado em 1985 -, Leila Pinheiro, Vânia Bastos e Beth Carvalho.

Apesar dessa múltipla condição e experiências variadas, ele é, sobretudo, um compositor. Embora muitas vezes a crítica musical procure enquadrá-lo numa tradição de um presumido "samba paulista", colocando-o ao lado de Vanzolini, Adoniran e Geraldo Filme, Gudin vai além. Cria canções com amplo arco temporal, desde sambas tradicionais, como Lá se Vão Meus Anéis (1973), Praça 14 Bis e Desprevenido (2006) até bossa nova, caso de Olha o que Ela Fez (1973), Rosa dos Tempos e Jongo Trio (ambas de 1995) e Balãozinho (1986). Gudin sempre se arrisca em experiências musicais, como em 1973, com os experimentos sonoros da orquestral Choro do Amor Vivido, e no solo de violão de Sozinho. Mas é talvez no disco Eduardo Gudin e Vânia Bastos, de 1989, que essas experiências se revelem de modo mais claro. Nele aparece o colorido melódico de suas composições, os arranjos maduros que não dispensam dissonâncias e timbres diversos.

E, finalmente, percebe-se algo que se torna característico em suas criações: a linha melódica construída em extensão mais alta do que a comum, sugerindo intérpretes como Leila Pinheiro, Fátima Guedes, Mônica Salmaso e, principalmente, Vânia Bastos. Essas experimentações se aprofundam nos anos 1980, quando Gudin se aproxima dos compositores e artistas da chamada vanguarda paulistana, em parcerias com Arrigo Barnabé - com quem faz, junto a outros parceiros, como Carlos Rennó, Lenda, do disco Tubarões Voadores (1984) -, Hermelino Nader, Vandi e Luiz Tatit. Na verdade, as parcerias variam muito em toda sua carreira. As mais permanentes são com Paulo César Pinheiro, Roberto Riberti e José Carlos Costa. Mas passa por autores consagrados, como Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Élton Medeiros, Fernando Brant, Paulinho da Viola, Guinga e Francis Hime.

Avalia-se que sua obra seja composta de mais de cem canções e grande parte delas está registrada nos 15 discos que grava em mais de 40 anos de trabalho. Em sua homenagem, em 2008, Dona Inah grava o CD Olha Quem Chega, todo composto de canções assinadas por Gudin e seus parceiros.

Obras 46

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Shows musicais 3

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Fontes de pesquisa 3

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  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • INSTITUTO ITAÚ CULTURAL. Núcleo de Música. Rumos Musicais Itaú Cultural - Eduardo Gudim / Mariajosé / Maria Martha / Luciana Alves: espetáculo musical. São Paulo/SP: Itaú Cultural, 1997. 1 peça, color., 23cm x 31cm. Memória Itaú Cultural
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).

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