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Beth Carvalho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2020
05.05.1946 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
30.04.2019 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Elizabeth Santos Leal de Carvalho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019). Cantora, compositora e instrumentista. É considerada a madrinha do samba por dar visibilidade a importantes compositores de gerações anteriores e fomentar novos talentos que se tornam nomes importantes do gênero ao longo dos anos 1980...

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Elizabeth Santos Leal de Carvalho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019). Cantora, compositora e instrumentista. É considerada a madrinha do samba por dar visibilidade a importantes compositores de gerações anteriores e fomentar novos talentos que se tornam nomes importantes do gênero ao longo dos anos 1980. Com mais de 30 discos gravados, é uma das principais intérpretes da história do samba e reconhecida por tornar definitivas as gravações das canções que escolhe.

É criada em uma família de músicos. Sua mãe toca piano clássico e seu avô, Ressu, toca bandolim e violão. Seu pai é amigo de artistas como Elizeth Cardoso (1920-1990), Silvio Caldas (1908-1998) e Aracy de Almeida (1914-1988), que Beth escuta desde os 8 anos de idade. Ganha um violão de sua mãe e, na década de 1960, influenciada pela batida de João Gilberto (1931-2019) e da bossa nova, canta e toca em encontros nas casas de artistas como Tom Jobim (1927-1994) e Marcos Valle (1943).

Em 1965, lança o primeiro compacto, com as músicas “Por Quem Morreu de Amor”, de Ronaldo Bôscoli (1928-1994) e Roberto Menescal (1937), e “Namorinho”, de Mário de Castro (1935) e Athayde, com arranjos de Eumir Deodato (1943). Integra o Conjunto 3D, que em 1967 lança o disco Muito na Onda e tem em sua formação artistas como o pianista Antônio Adolfo (1947) e o guitarrista Hélio Delmiro (1947).

No Festival Internacional da Canção (FIC), de 1968, conquista o terceiro lugar com “Andança”, dos compositores Danilo Caymmi (1948), Edmundo Solto (1942) e Paulinho Tapajós (1945-2013). A parte melódica apresenta influência do estilo de Milton Nascimento (1942) e ainda não traz as características do samba pelo qual Beth se consagra.

A interpretação da cantora, que divide os vocais com o trio vocal Golden Boys (associado à jovem guarda), tanto no FIC como na gravação registrada no primeiro disco da artista, Andança (1969), apresenta suas credenciais vocais: timbre entre o médio e o grave, impostação forte e sem trejeitos que desviam a atenção do ouvinte para a força da melodia. Segundo o escritor e historiador especializado em samba Luiz Antônio Simas (1967), Beth Carvalho é uma cantora que se coloca a serviço da obra do compositor – e não o contrário.

O primeiro LP ainda não tem sua marca principal – o foco no repertório do samba –, o que acontece a partir do disco seguinte, Canto Por um Novo Dia (1973). A gravação de “Folhas Secas”, que Nelson Cavaquinho (1911-1986) compõe especialmente para Beth, é importante para que ele ganhe visibilidade e grave seus primeiros discos já com mais de 60 anos. Algo semelhante acontece com Cartola (1908-1980), quando ela grava “As Rosas Não Falam” (1976), em seu quinto disco, Mundo Melhor.

Outro marco em sua carreira é o disco De Pé no Chão (1978), em que leva para o estúdio a vivência experimentada como frequentadora das rodas de pagode do bloco Cacique de Ramos. Ali surgem inovações importantes na instrumentação do samba, sobretudo: a adaptação do banjo, com afinação de cavaquinho, tocado pelo sambista Almir Guineto (1946-2017); o repique de mão, instrumento inventado pelo percussionista Ubirany (1940); e a levada do Tantã, desenvolvida pelo compositor Sereno (1940). É neste LP que Beth Carvalho grava “Vou Festejar”, samba exaltação de grande sucesso de Jorge Aragão (1949), Dida e Neoci Dias (1937). A gravação, com percussão em primeiro plano e refrão contagiante, é considerada um modelo para a cena do pagode que estoura no Brasil nos anos 1980.

Fomenta as carreiras dos talentos surgidos no Cacique de Ramos. O grupo Fundo de Quintal assina com a gravadora RGE por intermédio da artista. A primeira formação do grupo tem sambistas como Almir Guineto, Jorge Aragão e Sombrinha (1959). A primeira gravação de Zeca Pagodinho (1959) ocorre a convite de Beth. A dupla divide os vocais na interpretação de “Camarão que Dorme a Onda Leva”, parceria dele com Arlindo Cruz (1958) e Beto Sem Braço (1940-1993), gravada por Beth em 1983, no álbum Suor no Rosto.

Outra gravação histórica é o samba “Coisinha do Pai”, de Jorge Aragão, Almir Guineto e Luís Carlos, do disco No Pagode (1979). Em 1997, a música é enviada a Marte para acordar um robô, graças à escolha de uma brasileira funcionária da Nasa.

Nos anos 1980, a cantora se empenha ainda mais em divulgar o samba e ser porta-voz dos compositores oriundos do bloco Cacique de Ramos em discos como Sentimento Brasileiro (1980), Na Fonte (1981) e Coração Feliz (1984). Nas gravações em estúdio, a artista transporta a energia das rodas de samba para os discos. Na década seguinte, ela direciona a carreira para regravações de sucessos e interrompe o que, até então, era uma de suas principais vocações: gravar composições inéditas e torná-las conhecidas do grande público. Grava também discos com o repertório de seus dois compositores preferidos: Nome Sagrado – Beth Carvalho Canta Nelson Cavaquinho (2001) e Beth Carvalho Canta Cartola (2003).

Beth Carvalho é uma intérprete que contribui para as transformações do samba. Sua obra, sobretudo dos anos 1970 e 1980, está entre as mais relevantes do gênero. Sua vocação para descobrir e resgatar talentos é fundamental para a carreira de importantes compositores, que saem do anonimato ao serem gravados e incentivados pela artista.

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