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Música

Mário Lago

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.11.2016
26.11.1911 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
30.05.2002 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Mário Lago (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1911 - idem 2002). Compositor, poeta, radialista, ator, dramaturgo. Filho do maestro Antônio Lago, convive desde a infância com músicos e intelectuais. Assiste a concertos no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e estuda piano, mas abandona aos 13 anos a ideia de ser concertista. Interessa-se pelo samba,...

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Biografia
Mário Lago (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1911 - idem 2002). Compositor, poeta, radialista, ator, dramaturgo. Filho do maestro Antônio Lago, convive desde a infância com músicos e intelectuais. Assiste a concertos no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e estuda piano, mas abandona aos 13 anos a ideia de ser concertista. Interessa-se pelo samba, gênero muito divulgado na Lapa, bairro onde mora e reduto da boêmia carioca. Aos 15 anos, publica o poema Revelação na revista Fon-Fon. Torna-se bacharel em direito em 1933, e advoga por apenas três meses. Entra para o Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual permanece ligado até 1985.

Estreia como autor de revistas para o teatro em 1933, ao lado do escritor Álvaro Pinto, com quem compõe Flores à Cunha e A Grande Estreia. Inicia a parceria com o dramaturgo e compositor Custódio Mesquita, que conhece no teatro de revista, e com ele escreve o espetáculo Sambista da Cinelândia, 1936, do qual participam artistas como a dupla Jararaca e Ratinho e Carmen Miranda. No mesmo ano, com Mesquita, cria a revista Figa da Guiné e, em 1937, lançam o espetáculo Mamãe Eu Quero!, baseada na homônima marcha carnavalesca de Jararaca e Ratinho, com o ator Oscarito no elenco. Juntos, compõem ainda a marcha Menina, Eu Sei de uma Coisa, 1936, gravada por Mário Reis, o fox Nada Além e a valsa Enquanto Houver Saudade, 1938, gravados por Orlando Silva.

Em 1940, compõe Aurora, em parceria com o compositor Roberto Roberti, sucesso do Carnaval de 1941 com a dupla Joel e Gaúcho, que ganha versão em inglês interpretada pelo trio norte-americano Andrews Sisters e integra o repertório de Carmen Miranda. Lança Ai que Saudades da Amélia, parceria com Ataulfo Alves, música que empata com o samba Praça Onze, de Grande Otelo e Herivelto Martins, no concurso de músicas carnavalescas de 1942. Nesse ano, estreia como ator na peça O Sábio, da Companhia Joracy Camargo. Também com Ataulfo Alves compõe Atire a Primeira Pedra, 1944, interpretada por Orlando Silva. Com o humorista Chocolate faz os sambas É tão Gostoso, Seu Moço, 1953, gravado por Nora Ney, e Três Sorrisos, 1959, por Nelson Gonçalves.

A convite do dramaturgo Oduvaldo Vianna, trabalha na Rádio Panamericana em São Paulo, em 1944. Mais tarde, atua na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, entre 1945-1948 e 1950-1964, na Mayrink Veiga, em 1948, e na Bandeirantes de São Paulo, em 1949. Faz roteiro de radionovelas, entre elas Presídio de Mulheres, na Rádio Nacional, adaptada para a televisão em 1967, pela TV Tupi. Na TV Globo, participa das novelas Cuca Legal (1975), Pecado Capital (1975), O Casarão (1976) e Brilhante (1981). No cinema, integra o elenco de Balança, mas Não Cai (1953), direção de Paulo Vanderlei, Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, e São Bernardo (1973), de Leon Hirszman. É autor dos livros Chico Nunes das Alagoas (1975), Na Rolança do Tempo, Bagaço de Beira-Estrada (1976) e Meia Porção de Sarapatel (1986).

Análise da trajetória
Embora fosse um boêmio confesso, o conceito de "malandragem" em voga nos anos 1930 não figura na música de Mário Lago. Esse aspecto fica latente em versos como "Sambista desce o morro/ Vem pra Cinelândia, vem sambar/ A cidade já aceita o samba/ E na Cinelândia só se vê gente a cantar", trecho de Sambista da Cinelândia, 1936. Ou seja, não é o samba "maxixado" de compasso binário, nem o partido-alto, ou o samba marginalizado que aí se enfatiza, mas o samba legalizado, que não opõe morro e cidade nem a política de controle cultural praticado pelo Estado Novo (1937-1945), por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão criado pelo governo. Por outro lado, as tensões não deixam de estar presentes em algumas de suas obras. É o caso da revista Rumo ao Catete, 1937, que ironiza o clima da sucessão presidencial, e do samba Poleiro de Pato É no Chão, 1941, de Rubens Soares, gravado por Francisco Alves.

Faz ainda paródias de músicas de sucesso, inclusive as suas, para campanhas do Partido Comunista Brasileiro (PCB). No entanto, é pelo repertório de músicas veiculadas no rádio e no disco, na boca do povo em dias de Carnaval que sua obra se torna conhecida. A maioria de suas composições é inspirada em temas cotidianos e intimistas, como o amor, a mulher, a traição. É o que se nota em Menina, Eu Sei de uma Coisa, Nada Além e Enquanto Houver Saudade, parcerias com Custódio Mesquita, entre 1936 e 1938. Outras que se destacam são o fox Dá-Me Tuas Mãos, com Roberto Martins, a valsa Número Um, com Benedito Lacerda, ambas de 1939, e o samba-canção Fracasso, 1946, interpretada por Francisco Alves. Essas composições demonstram a habilidade de Mário Lago em transitar entre variados gêneros da música popular. Habituado a ouvir música desde criança, consolida seu conhecimento de valsa, baião, fox-canção, choro, bolero e samba. Compõe várias valsas com Custódio Mesquita e Benedito Lacerda. E, com o pai, a valsa Não Tenhas Pressa, Morena, 1951.

Para músicas de revistas, abusa das sátiras, ao passo que, sobretudo após 1937, recorre a temas amorosos e cotidianos para as produzidas para o Carnaval e rádio. Seus sambas são inspirados em fatos corriqueiros, às vezes narrados pelos amigos. As parcerias, igualmente, ocorrem por acaso em encontros informais. Em sua biografia é nítido o deslocamento do lugar de produção do samba, da casa das tias baianas para o botequim e os cafés. Tem como meta ganhar concursos carnavalescos, que garantem o sustento pelo resto do ano e asseguram a popularidade na rádio. Integra o que convencionalmente é chamado de "época de ouro" da música popular, que conta, segundo Jairo Severiano e Zuza H. de Mello, no livro A Canção no Tempo, com a conjunção de três fatores: a renovação musical, iniciada na virada do século XX, da qual resulta a criação de diferentes gêneros; o advento dos meios de comunicação de massa;"e, principalmente, a feliz coincidência do aparecimento de um considerável número de artistas talentosos numa mesma geração". À medida que crescem as demandas por novos bens culturais, a música se consolida como uma opção para ganhar a vida, o que os artistas usam a seu favor, criando um vasto laboratório. Com Mário Lago não é diferente: vende suas primeiras revistas para teatro, participa de concursos, vai para a rádio e o disco.

Obras 1

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Espetáculos 14

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Fontes de pesquisa 12

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  • A MÚSICA BRASILEIRA DESTE SÉCULO PELOS SEUS AUTORES E INTÉRPRETES. Mário Lago. 1 CD de música. São Paulo: SESC, 2000.
  • ACERVO Instituto Moreira Salles. Disponível em: http://homolog.ims.com.br/php/index.php?lang=pt. Acesso em: 05 de jun. 2010.
  • ARENA conta Zumbi. São Paulo: Teatro de Arena, 1965. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena.
  • BARROS, Orlando de. Custódio Mesquita: um compositor romântico. O entretenimento, a canção sentimental e a política no tempo de Vargas (1930-1945). 1995. Tese (doutorado em História). São Paulo: FFLCH-USP, 1995. 2 vols., 431p.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998. p. 429.
  • LAGO Mário. Na rolança do tempo. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p. 317.
  • SANDRONI, Carlos. Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed./Ed.UFRJ, 2001.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 1: 1901-1957). São Paulo: Editora 34, 1997. (Coleção Ouvido Musical).
  • VELLOSO, Mônica Pimenta. Memórias de si e dos outros. In: FERREIRA, Jorge e REIS, Daniel Aarão (orgs.). A formação das tradições (1889-1945). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007; p. 541-559.
  • VELLOSO, Mônica Pimenta. Mário Lago: Boemia e Política. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998. 448p.

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