Artigo da seção pessoas Alcyr Pires Vermelho

Alcyr Pires Vermelho

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deAlcyr Pires Vermelho: 08-01-1906 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Muriaé) | Data de morte 24-05-1994 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Alcyr Pires Vermelho (Muriaé, Minas Gerais, 1906 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994). Compositor, pianista. Aprende tocar piano com a mãe ainda garoto. Tem aulas com Amadeu Pacífico e toca piano no cinema de Muriaé. Passa em concurso para bancário, sendo transferido para Carangola (Minas Gerais), onde forma uma orquestra. Trabalha ainda em Cataguazes, Rio Casca e Ubá (Minas Gerais). Nesta cidade, estuda piano com a professora Ritinha, tia de Ary Barroso (1903-1964)

Muda-se para o Rio de Janeiro em 1929, para trabalhar no Banco do Comércio e Indústria. Torna-se funcionário do Instituto de Aposentadoria e Previdência dos Bancários, onde permanece até se aposentar. 

Em 1933, conhece o compositor Lamartine Babo (1904-1963) que o aproxima do meio musical carioca. Juntos compõem a marcha “Dá Cá o Pé, Loura”, gravada por Lamartine. No ano seguinte, estreia como pianista na Rádio Clube do Brasil. Em 1935, compõe o samba “Tic-tac do Meu Coração”, parceria com Valfrido Silva (1904-1972), sucesso na voz de Carmen Miranda (1909-1955). No mesmo ano, tem canções gravadas por Francisco Alves (1898-1952), Gastão Formenti (1894-1974) e Mário Reis (1907-1981). Em 1938, Carmen Miranda grava “Paris”, marcha em homenagem aos jogadores da seleção brasileira de futebol que participam da Copa do Mundo na França. No ano seguinte, o cantor Deo (1914-1971) grava a marcha “A Casta Suzana”, nome emprestado de uma opereta austríaca, parceria com Ary Barroso. Também em parceria com Ary Barroso compõe “A Vizinha das Vantagens”, gravada por Carmen Miranda em 1939.  
Em 1940, compõe com Pedro Caetano (1911-1992) a canção “Vai Dizer a Ela”, gravada por Carlos Galhardo (1913-1985). No carnaval desse ano, “Dama das Camélias” (1940), composta com Braguinha (1907-2006), é a vencedora do concurso de canções da prefeitura do Rio de Janeiro. Em 1941, compõe com David Nasser (1917-1980) o samba-exaltação “Canta Brasil”, que provoca o fim da amizade com Ary Barroso, diante da acusação de plágio de “Aquarela do Brasil” (1939), lançada dois anos antes. 

Da parceria com Pedro Caetano, surge o samba “Sandália de Prata” (1942). Nas décadas seguintes, compõe e dedica-se a apresentações de seu repertório em casas noturnas no Rio de Janeiro até seu falecimento. Seu nome batiza uma lei de incentivo à cultura, esporte e turismo em sua cidade natal.

Análise

A obra de  Alcyr Pires Vermelho colabora para as mudanças culturais e musicais que se manifestam na cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1930 e 1940. A expansão dos meios de comunicação aponta para uma variedade de experiências musicais que se manifestam nos diversos gêneros urbanos em decantação, como a marchinha e o samba carnavalesco. Alcyr Pires Vermelho, ao lado de Lamartine, Braguinha, entre outros, está no centro destas criações. O compositor capta bem as necessidades rítmicas, melódicas e temáticas exigidas pela rede formada pelo carnaval, indústrias fonográfica e radiofônica. 

Seguindo essa dinâmica, Alcyr compõe anualmente marchinhas de sucesso que vencem vários concursos de música carnavalesca dos anos 1930. 

É considerado um dos grandes melodistas da música popular brasileira, embora seu nome seja ofuscado pelo de parceiros, como Lamartine Babo, Ary Barroso, Dorival Caymmi (1914-2008), Braguinha e Alberto Ribeiro (1902-1971). A marcha “Dama das Camélias”, por exemplo, parceria com Braguinha, tem o cromatismo da melodia elogiado pelo maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), júri do Concurso de Marchas Carnavalescas naquele ano, ao lado de Pixinguinha (1897-1973) e Caribé da Rocha. Gravada por Francisco Alves, a marcha destaca-se ainda pela letra que, embora romântica, não traz sentimentalismo exagerado.

Além das marchinhas carnavalescas, torna-se conhecido por compor um tipo de samba cujos temas exaltam as virtudes e potencialidades, naturais e culturais, do país. Isso ocorre em um momento em que os nacionalismos de diversas vertentes se manifestam com força. Por esse motivo, essa forma de composição é nomeada de “samba-exaltação”, sendo “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, sua expressão mais bem acabada. Incentivadas pelas políticas culturais do Estado Novo, essas composições proliferaram nos anos de 1940. Nesse ambiente cultural, Alcyr compõe a melodia de “Onde o Céu Azul É Mais Azul” de temática ufanista na letra de Braguinha e Alberto Ribeiro. Nesse gênero compõe “Canta Brasil” (parceria com David Nasser), “Vale do Rio Doce” [com Oswaldo Santiago (1902-1976)], “Onde Florescem os Cafezais” e “Brasil, Usina do Mundo” (com Braguinha). A letra desse samba louva as grandezas naturais do país e exalta seu progresso industrial. 

Versátil, também grava boleros como “Esmagando Rosas” (com David Nasser), toadas, como “Prece ao Vento” [com Gilvan Chaves (1919-1986) e Luiz Fernando Camara] e choros, como “Gadu Namorando” (com Ladislau P. da Silva). Também compõe o sambalanço “1,2,3, Balançou”, gravado por Elis Regina (1945-1982) em 1963. É destacado compositor de samba-canção. O crítico musical Jairo Severiano (1927) considera, por exemplo, “Laura” (1957), parceria com Braguinha, um dos melhores sambas-canção de todos os tempos. Nele, a música precede a poesia na composição, mas o entrosamento sugere que ambas são feitas simultaneamente. Destacam-se ainda neste gênero “Helena Vem Me Buscar” (com Braguinha e Alberto Ribeiro), cuja melodia é baseada na introdução da marchinha “Quando a Violeta se Casou” (1939), da mesma parceria; “Minha Maria Morena”, parceria de Alcyr com Braguinha, e “Velho Flamboyant” (1958), gravado pelo cantor Jorge Goulart (1926-2012). Em versos simples e diretos, a música focaliza dois momentos de uma história de amor, cujos contrastes são assinalados pela paisagem em contraponto, e os versos das duas partes têm como complemento a mesma melodia.

Outras informações de Alcyr Pires Vermelho:

Fontes de pesquisa (6)

  • ALCYR Pires Vermelho. Disponível em: < http://www.samba-choro.com.br/artistas/alcyrpiresvermelho >. Acesso em: 5 maio 2013.
  • ALENCAR, Edigar de. O carnaval carioca através da música. 3ª ed., Rio de Janeiro, Ed Francisco Alves, 1979.
  • CAETANO, Pedro. Meio século de Música Popular Brasileira: o que fiz o que vi. Rio de Janeiro: VD Editora, 1984.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • INSTITUTO Cravo Albin. Alcyr Pires Vermelho. In: DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro. Disponível em: < http://www.dicionariompb.com.br/alcyr-pires-vermelho >. Acesso em: 5 maio 2013.
  • SEVERIANO, Jairo. Yes, Nós Temos Braguinha. Rio de Janeiro: Funarte/Martins Fontes, 1987.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALCYR Pires Vermelho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12266/alcyr-pires-vermelho>. Acesso em: 02 de Abr. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7