Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Théo de Barros

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.08.2019
1943 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Theophilo Augusto de Barros Neto (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1943). Violonista, compositor, arranjador e produtor. Filho do jornalista e compositor Theophilo de Barros Filho (1911-1969), diretor artístico da Rádio Tupi, e da cantora Maria de Lourdes Barros (1921-2013), ex-integrante do Quarteto Tupã. Inicia seus estudos de música aos dez an...

Texto

Abrir módulo

Theophilo Augusto de Barros Neto (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1943). Violonista, compositor, arranjador e produtor. Filho do jornalista e compositor Theophilo de Barros Filho (1911-1969), diretor artístico da Rádio Tupi, e da cantora Maria de Lourdes Barros (1921-2013), ex-integrante do Quarteto Tupã. Inicia seus estudos de música aos dez anos de idade, tendo como primeiros instrumentos o acordeom e o violão. Em 1954, transfere-se com a família para São Paulo. Dois anos mais tarde, já se apresenta em bailes e shows amadores, e começa a compor.

Estreia profissionalmente tocando guitarra elétrica na banda Lafayette e Seu Conjunto. Como violonista, contrabaixista ou guitarrista, integra diversos grupos na noite paulistana em princípios da década de 1960, atuando ao lado de músicos como o pianista César Camargo Mariano (1943), o baixista Sabá Oliveira (1927-2010) e o organista Renato Mendes (1939-2013), com quem lança o disco Boliche Trio, em 1966, com repertório ligado a bossa nova. No mesmo ano, lança seu primeiro disco, um compacto com composições próprias, “Vim de Santana” e “Fim”.

Em 1966, sua música “Disparada”, com letra de Geraldo Vandré (1935) e na interpretação de Jair Rodrigues (1939-2014), vence o II Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, empatada com “A banda”, de Chico Buarque (1944). No mesmo ano, com Airto Moreira (1941), Hermeto Pascoal (1936) e Heraldo do Monte (1935), forma o Quarteto Novo, criado para acompanhar Vandré em shows. Em 1967, além de lançar seu único LP (homônimo), o grupo participa do III Festival de Música da TV Record, defendendo a canção vencedora, “Ponteio” [Edu Lobo (1943) e Capinan (1941)], juntamente com Edu Lobo e a cantora Marília Medalha.

Théo de Barros participa intensamente de produções teatrais do Teatro de Arena de São Paulo (1953-1972), assinando a direção musical de peças como Arena Conta Tiradentes (1967), de Augusto Boal (1931-2009) e do ator italiano Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), e Arena Conta Bolívar (1970), também de Boal. Compõe ainda para os espetáculos Abelardo & Heloísa (1971) e A Capital Federal (1972), ambos dirigidos pelo dramaturgo Flávio Rangel (1934-1988), e para o filme Quelé do Pajeú, de Anselmo Duarte (1920-2009).

Entre meados dos anos 1970 e início dos 2000, atua na publicidade, criando mais de 2.000 jingles para campanhas de marcas como a companhia aérea VASP.

Também assina a produção e arranjos de discos aristas como Dick Farney (1921-1987), Adauto Santos (1940-1999) e Edu da Gaita (1916-1982), além de se apresentar como violonista ao lado das cantoras Silvia Maria, Ivetthy Souza, Inezita Barroso (1925-2015) e Márcia (1943).

Análise

Théo de Barros integra o grupo de compositores da chamada segunda fase da bossa nova, além de dialogar com seus contemporâneos Edu Lobo (1943), Sérgio Ricardo (1932) e Dorival Caymmi (1943). Tendo sido criado em um ambiente familiar musical, devido à proximidade dos seus pais com a classe artística, ele adquire um repertório vasto de referências: da música de concerto e do cancioneiro norte-americano aos sons folclóricos do interior do Brasil.

Essas influências ajudam a definir sua personalidade artística. Ao longo da carreira, Barros demonstra um interesse constante em misturar a modernidade urbana com a tradição regional, utilizando em suas composições e arranjos harmonias complexas, herdadas do jazz e da bossa nova, mas aproveitando também a força melódica e rítmica aprendida a partir de motivos da cultura popular. 

É o que se ouve, por exemplo, em “Menino das laranjas” e “Disparada” (esta, com versos de Geraldo Vandré), os maiores sucessos do compositor. Se a primeira é um samba-jazz de melodia ágil e com espaço para a improvisação, a segunda é uma moda de viola de sotaque nordestino. Ambas trazem nas letras outra característica marcante da obra do autor: a temática social tratada em tom de protesto, que aparece especialmente em suas canções dos anos 1960 e 1970.

Uma postura mais combativa também se revela nas músicas que escreve para o Teatro de Arena, como “Espanto” (em parceria com Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal) e “Mi patria” (a partir de versos do poeta cubano Nicolás Guillén), quando se aproxima do bolero e de outros gêneros latino-americanos.

O que prevalece em sua geografia musical, no entanto, é o Brasil. Filho de pai alagoano e mãe potiguar, os sons nordestinos ganham destaque em temas como o baião “Vim de Santana”, o coco “Embolador” e a ciranda “Marinha morena” – as duas últimas com letra de Paulo César Pinheiro (1949), seu parceiro mais frequente. Já a cultura afrodescendente aparece em “Oxalá” e “Angola” (com Pinheiro).

O interesse pela música interiorana e as manifestações folclóricas regionais também se reflete em alguns dos trabalhos que Barros assina como produtor discográfico ou arranjador. Ele é o coordenador dos quatro álbuns da série Música popular do Centro-Oeste/Sudeste (Discos Marcus Pereira, 1974) e o responsável pelos arranjos da maior parte das faixas da clássica antologia Caipira – raízes e frutos (Eldorado, 1980).

As canções de temática romântica também têm espaço no repertório do compositor, entre as quais podem ser citadas: “Pra não ser mais tristeza”, “Seja meu amor”, “Amor de poeta” [com Cristina Saraiva (1962)] e “Aquele carinho” (com Paulo César Pinheiro).

Como solista, costuma fazer releituras de obras de outros autores, como “Estrada branca” [Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980)], “Serra da Boa Esperança” [Lamartine Babo (1904-1963)] e “Bebê” (Hermeto Pascoal).

No violão, a principal referência para Théo de Barros é o carioca Luiz Bonfá (1922-2001). Assim como o ídolo, utiliza os cinco dedos da mão direita para tanger as cordas. Sem excessos virtuosísticos, sua técnica apurada valoriza a harmonia das composições. Ele acredita que o auge de sua atuação como instrumentista está em seu trabalho junto ao Quarteto Novo, ao lado nos amigos Hermeto Pascoal (flauta), Heraldo do Monte (viola) e Airto Moreira (percussão). “Foi a maior experiência musical que eu tive”, comenta em entrevista concedida ao programa Instrumental Sesc Brasil (TV Sesc, 2010). Barros costuma empunhar o violão de sete cordas, o que amplia suas possibilidades de uso de notas mais graves em solos e na construção dos acordes.

Obras 1

Abrir módulo

Espetáculos 13

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 8

Abrir módulo
  • ARENA conta Tiradentes. São Paulo: Teatro de Arena, 1967. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena. Não catalogado
  • BARROS, Theo. Entrevista concedida a Charles Gavin para o programa Som do Vinil (Canal Brasil). Disponível em: http://osomdovinil.org/quarteto-novo-quarteto-novo/. Acesso em: 15 dez. 2015.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • INSTITUTO Memória Musical Brasileira. Disponível em: http://www.memoriamusical.com.br. Acesso em: 15 dez. 2015.
  • Programa do Espetáculo - Abelardo e Heloisa - 1971. Não catalogado
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).
  • SOUZA, Tárik de. “Théo de Barros volta a compor”. In: Cliquemusic. Disponível em: http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/theo-de-barros-volta-a-compor. Acesso em: 15 dez. 2015.
  • SUKMAN, Hugo. Sem medo de voltar à música. O Globo, São Paulo, 17 abr. 2004. Segundo Caderno.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: