Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Ivan Lins

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.09.2019
16.06.1945 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Ivan Guimarães Lins (Rio de Janeiro RJ 1945). Compositor, cantor e pianista. Filho do militar Geraldo Lins e de Leia Guimarães Lins. Tem o primeiro contato com a música aos 12 anos, como trompetista na banda do Colégio Militar do Rio de Janeiro, em que estuda. Aos 15 anos, dedica-se ao voleibol, jogando pelo Tijuca Tênis Clube. Gradua-se em enge...

Texto

Abrir módulo

Biografia
Ivan Guimarães Lins (Rio de Janeiro RJ 1945). Compositor, cantor e pianista. Filho do militar Geraldo Lins e de Leia Guimarães Lins. Tem o primeiro contato com a música aos 12 anos, como trompetista na banda do Colégio Militar do Rio de Janeiro, em que estuda. Aos 15 anos, dedica-se ao voleibol, jogando pelo Tijuca Tênis Clube. Gradua-se em engenharia química, em 1969, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na mesma época inicia a carreira musical tocando piano, que aprende de ouvido nas noites da Tijuca, bairro onde nasce.

Começa a se destacar como compositor no 1º Festival Universitário da Canção da TV Tupi, em 1968, com a música Até o Amanhecer, em parceria com Waldemar Correa, Dema, defendida por Ciro Monteiro. Em 1970, sua canção O Amor É o Meu País, com Ronaldo Monteiro de Souza, é classificada em segundo lugar no 5º Festival Internacional da Canção. No mesmo ano, desfruta do primeiro sucesso como compositor com Madalena, também em parceria com Monteiro de Souza, gravada por Elis Regina. Com Elis Regina, apresenta o programa Som Livre Exportação, na TV Globo, com participação de Aldir Blanc, Gonzaguinha e outros artistas, que, como ele, integram o Movimento Artístico Universitário (MAU), criado no fim da década de 1960 por compositores universitários que se apresentam nos festivais da Tupi.

Lins lança seu primeiro disco, Agora, em 1971. Inicialmente compõe com Monteiro de Souza, mas logo tem em Vítor Martins o mais frequente parceiro, com músicas relacionadas com a luta contra a ditadura, como Abre Alas, Desesperar Jamais e Aos Nossos Filhos. A dupla estreia em 1974, com o disco Modo Livre, e, em 1977, alcança êxito com Somos Todos Iguais Nesta Noite. Dois anos depois, Começar de Novo se torna um de seus maiores sucessos na voz de Simone.

Em 1979, Lins recebe um convite do produtor americano Quincy Jones, que abre as portas do mercado internacional para sua música. Jones cria arranjos para Dinorah, Dinorah e Velas Içadas, que recebem o Grammy na categoria melhor arranjo instrumental em 1981 e 1982. A partir de 1985, Lins grava nos Estados Unidos e faz turnês no exterior. Suas músicas começam, então, a ser regravadas por intérpretes estrangeiros, como Sting, George Benson, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Barbra Streisand.

Com o parceiro Vítor Martins, funda a gravadora Velas, em 1991, com o objetivo de lançar novos talentos, como Guinga e Chico César.

Ivan Lins é indicado ao Prêmio Grammy em 1997, na categoria jazz latino, pelo CD The Heart Speaks. Em 2000, recebe nova indicação, desta vez ao Grammy Latino, pela música da trilha do filme Dois Córregos, de Carlos Reichenbach. Ganha o Grammy Latino em 2005, nas categorias melhor álbum do ano e melhor álbum de música popular brasileira, pelo CD Cantando Histórias.

Em 2006, faz um concerto com a The Metropole Orchestra da Holanda, com arranjos e regência de Vince Mendoza, lançado no CD Ivan Lins & The Metropole Orchestra, em 2009, e que lhe rende novamente um Grammy Latino, na categoria melhor álbum de música popular brasileira.

Comentário Crítico
A música de Ivan Lins tem uma sonoridade distinta por ser dotada de uma sofisticação harmônica e de simples melodias, agradando um público amplo. Prova disso é que várias de suas canções, como Abre Alas (Quarteto em Cy, Pery Ribeiro, Tania Maria, Lúdica Música, Sarah Vaughan e Lani Hall, estas duas cantam em inglês com o título The Smiling Hour), ou Aos Nossos Filhos (Angela Ro Ro, Elis Regina, Luli & Lucina, Pedro Mariano, Fafá de Belém e Padre Antonio Maria), seguem atravessando o tempo e sendo regravadas. Tal característica revela-se também no sucesso que desfruta no exterior como um dos compositores brasileiros mais gravados, ao lado de Tom Jobim e Milton Nascimento, principalmente nos Estados Unidos e Japão, onde o autor de Começar de Novo − ou The Island, como é conhecida em inglês − é considerado um músico de jazz, figurando no repertório de artistas como Ella Fitzgerald e Diana Krall.

Antes de aprimorar sua particular síntese de elementos do jazz, bossa nova e soul, Ivan Lins tenta imitar cantores que admira, como Joe Cocker, Ray Charles, Elton John e The Beatles. Surge então com uma voz gutural dentro do movimento soul brasileiro dos anos 1970, ao lado de Tim Maia, Paulo Diniz e Tony Tornado. Com o Trio Mocotó, grava o samba-rock Você, Mulher, Você, em 1971, parceria com Ronaldo Monteiro de Souza. As primeiras canções têm influência de Tom Jobim, forte referência musical em sua carreira, mas seu leque influências abrange até elementos da geração do dito rock rural, como em Caminhos e Ratos, Baratas e Cupins. A partir dos anos 1980, seu som fica ainda mais particular e marcante ao usar sintetizadores eletrônicos junto ao tradicional piano. Além de compositor e exímio pianista, Ivan Lins alcança maior destaque como intérprete no disco Doce Presença, de 1995.

Integrando o Movimento Artístico Universitário (MAU), apresenta o programa Som Livre Exportação, na TV Globo. O grupo rompe com a Globo, mas Ivan Lins ganha a simpatia da emissora. É quando passa a ser apontado como "adesista" e "comercial" pelos universitários e intelectuais de esquerda, que cobram dos artistas uma postura política engajada. O cantor tem essa imagem ainda mais reforçada por conta de sua canção ufanista O Amor É o Meu País, fortemente influenciada pelo gênero soul norte-americano em vez de destacar os ritmos brasileiros. Na época, início da década de 1970, o país está subordinado a um governo militar repressor que, por meio da censura, tenta evitar as contestações ao regime. Nesse contexto, Ivan Lins muda a temática de suas composições, principalmente quando inicia parceria com Vítor Martins, como na letra de Abre Alas, que faz referência à ditadura e à falta de liberdade de expressão: "Encoste essa porta que a nossa conversa não pode vazar / a vida não era assim, não era assim". A crítica social dá o tom aos discos seguintes. As transformações não ocorrem apenas nas letras, mas em sua própria forma de interpretar, como ainda passa a incorporar mais ritmos brasileiros em sua música, como o samba (Abre Alas, Cartomante), e influências nordestinas (Somos Todos Iguais Nesta Noite, que tem o tema feito em uma sanfona).

Certa postura política o acompanha também quando funda sua gravadora, Velas, com a característica de ser totalmente independente e nacional e dar espaço a cantores brasileiros fora do esquema das gravadoras multinacionais e a novos talentos.

Começar de Novo, gravada por Simone no fim da década de 1970, é um marco na história da música brasileira, potencializado por ser tema de abertura do seriado da TV Globo Malu Mulher, de 1979, protagonizado por Regina Duarte, retratando o cotidiano feminino com abordagem de assuntos polêmicos na época, como a emancipação da mulher, divórcio, aborto, violência doméstica, trabalho, entre outros. No fim dos anos 1980, Ivan Lins passa a compor canções que integram trilhas sonoras de novelas da TV Globo, em sua própria interpretação, como Vitoriosa (Roque Santeiro, 1985) e Iluminados (Direito de Amar, 1987), ou em versões de outros intérpretes da música brasileira, como em Bilhete (Sol de Verão, 1982), por Fafá de Belém.

Obras 3

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo
  • BAHIANA, Ana Maria. Nada será como antes: MPB nos anos 70. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
  • LOPES, Andréia. As Canções de Gonzaguinha e Ivan Lins e o Conceito de Engajamento. Texto integrante dos Anais do XIX Encontro Regional de História: Poder, Violência e Exclusão. ANPUH/SP - USP. São Paulo, 08 a 12 de setembro de 2008. Cd-Rom.
  • MOTTA, Nelson. Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: