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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Laurita Salles

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.05.2017
1952 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título, 1990
Laurita Salles
Água forte, c.i.d.
79,50 cm x 29,00 cm

Laurita Ricardo de Salles (São Paulo, São Paulo, 1952). Gravadora, escultora e professora. Em 1972 e 1973, freqüenta cursos na Escola Brasil:. De 1977 a 1982, faz graduação em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, período em que tem aulas com Evandro Carlos Jardim (1935). Em 1988, como bolsista...

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Biografia

Laurita Ricardo de Salles (São Paulo, São Paulo, 1952). Gravadora, escultora e professora. Em 1972 e 1973, freqüenta cursos na Escola Brasil:. De 1977 a 1982, faz graduação em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, período em que tem aulas com Evandro Carlos Jardim (1935). Em 1988, como bolsista da Fundação Vitae e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, estuda gravura no Atelier 17, de Stanley Willian Hayter (1901 - 1988), em Paris, e história da gravura no Gabinete de Estampas da Biblioteca Nacional da França. Com base nesses estudos, passa a considerar a gravação em placas de metal como um processo independente dos métodos de impressão sobre papel. Leciona desenho e gravura na Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Mackenzie, de 1991 a 1994. Começa a expor placas metálicas gravadas em 1996. Na mesma época, enquanto cursa mestrado na ECA/USP, visita indústrias que trabalham com usinagem química e percebe correspondências entre esse processo e a técnica de água-forte sobre gravura em metal. Desde então, realiza obras tridimensionais utilizando métodos industriais de gravação em latão. Em 2003, conclui doutorado em poéticas visuais pela ECA/USP, no qual desenvolve esculturas de polímeros plásticos com formas projetadas em programas de computador.

Análise

Laurita Salles, como nota a historiadora da arte Annateresa Fabris, realiza, em sua produção, uma pesquisa direcionada para a compreensão das relações entre força, resistência do material e instrumento, sendo o ato de gravar a busca do ponto de encontro entre ação e matéria. Tal premissa remete à produção expressionista, na qual a gravura, um campo de experimentação privilegiado, revela os vestígios dos gestos do artista. Na série Matéria Fendida (1994), exibe o que a crítica Maria Alice Milliet denomina "uma paisagem devastada". Nas superfícies que apresentam cortes e irregularidades, insinua-se uma espacialidade e emanações de cor e luz que acentuam a tensão presente nas composições. Como aponta ainda Fabris, essas gravuras apresentam superfícies atravessadas por ritmos verticais e horizontais e regiões de adensamento que definem um jogo estável/instável entre superfície e profundidade.

Na opinião do historiador da arte Tadeu Chiarelli, Laurita Salles, ao longo de sua carreira, concentra-se cada vez mais na matriz em metal, que deixa de ser um meio para alcançar a imagem sobre o papel para tornar-se o foco principal de sua poética, como ocorre na série Niello (1994). Passando a criar gravuras-objetos, explora tanto a natureza da gravura quanto a da escultura, e tem como base o desbastamento da matéria. Posteriormente inicia trabalhos no campo tridimensional, como ocorre em Formas Rolantes (1994-1995) - cilindros de derivação industrial -, em cuja superfície são inseridas marcas ou fendas. Os trabalhos tridimensionais realizados a partir da metade da década de 1990 requerem um aparato industrial para sua concretização.

Como nota ainda Chiarelli, a produção de Laurita Salles associa-se a duas questões importantes da arte brasileira atual: o debate sobre o suporte e a constituição de poéticas sobre as margens das modalidades artísticas convencionais, enveredando por soluções plásticas inusitadas, tanto no âmbito da gravura como no da escultura contemporânea.

Obras 1

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título

Água forte

Exposições 93

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Mesas redondas 1

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Fontes de pesquisa 18

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  • ARTE gravura hoje. Apresentação Vitória Daniela Bousso. São Paulo: Paço das Artes, 1990. [20 p. ] 5 il. p. b. color.
  • BRASIL Reflexão 97 - A Arte Contemporânea da Gravura. Tradução Alberto de Paula Santos; apresentação Cassio Taniguchi, Margarita Pericás Sansone, Nilza K. Procopiak; texto Uiara Bartira, Maria Alice Milliet. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1997. [98] p. il. p. b. color.
  • CENNI, Roberto (coord. ). Território expandido. Apresentação Danilo Santos de Miranda, Roberto C. Mesquita; texto Angélica de Moraes. São Paulo : Sesc Pompéia, 1999. 44 p. il. color.
  • CHIARELLI, Tadeu. Arte internacional brasileira. São Paulo: Lemos, 1999.
  • DA música, da linha: Laurita Salles, Vera Rodrigues e Arnaldo Battalhini. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986. il. 6 lâms p. b.
  • ENSINO da arte: a gravura como meio. Apresentação Frederico Lencioni Neto; texto Ronaldo Oliveira, Sueli Dutra, Christina Rizzi et al. Jacareí: Casa da Gravura, 1998. 79 p.
  • ERNESTO Bonato, Laurita Salles. Org. Tadeu Chiarelli. São Paulo : Wyeth, 2001. (Arte Contemporânea: atelier do artista). 8p., il. color.
  • Encontro Latino-Americano de Artes Plásticas (3. : 1996 : Porto Alegre). Arte na América Latina: 100 anos de produção. apresentação Olga Larnaudie et al.; texto José Luiz do Amaral; fotografia Luis Martin, Gustavo Lowry. Porto Alegre, RS: UFRGS, 1996.
  • GRAVURA paulista. Curadoria Evandro Carlos Jardim. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1995.
  • MOSTRA DE GRAVURA CIDADE DE CURITIBA, 6., 1984. VI Mostra de Gravura Cidade de Curitiba: 1984 - Pan-Americana. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1984.
  • MULHERES gravadoras: uma homenagem à Edith Behring. Curadoria Ana Maria Netto Nogueira; revisão Edith Piza. Jacareí: Casa da Gravura, 1998.
  • MUSEU DE ARTE DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE (MG). Imagem derivada: um olhar acerca do desdobramento da gravura hoje. Texto Luiz Henrique Horta. Belo Horizonte: Museu de Arte da Prefeitura, 1995. [47 p. ] il. p. b. color.
  • PANORAMA DE ARTE ATUAL BRASILEIRA, 1990, São Paulo, SP. Panorama de Arte Atual Brasileira 1990: papel - desenho, gravura, papel como meio, livro de artista. São Paulo: MAM, 1990.
  • POÉTICA da resistência: aspectos da gravura brasileira. Curadoria Armando Mattos, Denise Mattar, Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994.
  • SALLES, Laurita. Carretéis Contemporâneos. 1999. Dissertação (Mestrado em Artes Plásticas) - Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1998.
  • SALLES, Laurita. Laurita Salles. São Paulo: Edusp, 1997. 140 p. il. color 18 x 19 cm.
  • SALLES, Laurita. Matéria fendida. Tradução Noemi Jaffe Cartum; comentário Maria Alice Milliet; fotografia Romulo Fialdini. São Paulo: Adriana Penteado Escritório de Arte, 1994. 16 p., il. p&b.
  • SALLES, Laurita. Unidades Fugidias. 2003. Tese (Doutorado em Artes Plásticas) - Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003.

Como citar

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