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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Thomas Ender

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.04.2017
03.11.1793 Áustria / a definir / Viena
28.09.1875 Áustria / a definir / Viena
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Kleiner Wasserfall von Tijuca bey Hrn. Taunay´s Hause, 1817
Thomas Ender
Aquarela sobre lápis
20,00 cm x 26,20 cm
Kupferstichkabinett der Akademie der bildenden Künste Wien (Áustria)

Thomas Ender (Viena, Áustria 1793 - idem 1875). Pintor, aquarelista, gravador e desenhista. Irmão gêmeo do também pintor Johann Ender (1793-1854). Em 1806, aos 13 anos, inicia seus estudos na Akademie der Bildenden Künste Wien [Academia de Belas Artes de Viena]. Dedica-se à pintura de paisagem a aquarela. Recebe vários prêmios na Academia, com d...

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Biografia

Thomas Ender (Viena, Áustria 1793 - idem 1875). Pintor, aquarelista, gravador e desenhista. Irmão gêmeo do também pintor Johann Ender (1793-1854). Em 1806, aos 13 anos, inicia seus estudos na Akademie der Bildenden Künste Wien [Academia de Belas Artes de Viena]. Dedica-se à pintura de paisagem a aquarela. Recebe vários prêmios na Academia, com destaque para o Grande Prêmio de Pintura, de 1817, na categoria paisagem. O quadro premiado é adquirido pelo príncipe Metternich (1773-1859), que se torna seu principal patrocinador. Em 1817, vem ao Brasil na Expedição Científica de História Natural que acompanha a comitiva austríaca, por ocasião do casamento da arquiduquesa Leopoldina (1797-1826) com Dom Pedro de Alcântara (1798-1834). Em sua curta estada, dez meses, pinta panoramas do litoral e cenas urbanas; retrata igrejas, edifícios públicos e praças. Apesar de executar pouco mais de 700 obras sobre o Brasil, não produz nem publica um álbum com esse material. No entanto, algumas de suas criações aparecem em livros de cientistas naturalistas da época. Esse conjunto de obras está conservado na Academia de Belas Artes em Viena. Retorna a Áustria em 1818 e, um ano depois, acompanha o imperador Francisco I (1768-1835) em uma viagem a Itália, recebendo, em seguida, uma bolsa de estudos em Roma. Em 1824, é nomeado membro da Academia de Belas Artes de Viena e permanece no cargo até 1850. A partir de 1829, paralelamente às atribuições da Academia, torna-se pintor oficial de câmara a serviço do arquiduque Johann (1782-1859), irmão do imperador Francisco I. Nesta atribuição, pinta as paisagens dos Alpes austríacos e das viagens do arquiduque.

Análise

Thomas Ender, juntamente com seu irmão gêmeo, Johann Ender, matricula-se na Academia de Belas Artes de Viena, em 1806. Enquanto Johann demonstra interesse pela pintura histórica, Thomas envereda-se pela pintura de paisagens. Em 1810, ele se candidata ao Prêmio Gundel da academia e vence na categoria de desenho de paisagem. Por volta de 1812, começa a desenvolver um estilo próprio na aquarela: usa grande variação de nuances de cores, desenha com mais detalhes a área central da paisagem e sugere um primeiro plano em pinceladas largas.

Em 1815, recebe da Academia de Belas Artes de Viena uma bolsa de estudo que lhe possibilita realizar longas viagens, percorre a região montanhosa de Salzburg, no Tirol e realiza grande número de aquarelas. Ender recebe, em 1817, o Grande Prêmio de Pintura da academia, relativo à pintura de paisagem. O príncipe e chanceler Metternich adquire a paisagem do pintor, torna-se então seu grande incentivador.

Nesse ano, por ocasião do casamento da arquiduquesa austríaca Leopoldina com Dom Pedro de Alcântara, herdeiro real do trono de Portugal e do Brasil, é enviada ao Brasil uma expedição científica de história natural, com o objetivo de reunir informações sobre o país e constituir um museu brasileiro em Viena. Indicado por Metternich, Ender integra-se, na função de pintor, à equipe da expedição, liderada pelos pesquisadores em ciências naturais bávaros: Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), entre outros.

Durante sua permanência no Brasil, Ender faz mais de 700 desenhos e aquarelas. A bordo do navio, realiza um panorama circular da Baía de Guanabara e uma série de vistas em separado. No Rio de Janeiro, o artista registra as igrejas, os edifícios públicos, as praças e seus arredores. Retrata a sociedade brasileira da época e a escravidão, que enfoca de modo crítico, se interessa especialmente pelas diversas nacionalidades dos escravos. Em 1818, a viagem científica tem início e seus integrantes dividem-se para explorar diferentes regiões. Ender percorre inicialmente, com Spix e Martius, a região do Rio de Janeiro e São Paulo, registrando paisagens e cidades. No regresso ao Rio de Janeiro, ele adoece gravemente e retorna a Áustria, levando os desenhos e aquarelas relativos à viagem, que em grande parte se encontram atualmente no Gabinete de Gravuras da Academia de Belas Artes de Viena.

Thomas Ender, mais do que qualquer outro viajante do período, domina a pintura de paisagem. Em suas obras, podem-se notar a observação cuidadosa da vegetação, o cuidado acerca das perspectivas e planos e a fixação do espaço urbano sob diferentes pontos de observação.

Obras 47

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Exposições 18

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 18

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  • A CASA DO BISPO: Seu Tempo e Seu Espaço. Rio de Janeiro: Casa do Bispo, 1981.
  • A MATA. Texto Ana Mae Barbosa, Vera Novis, Maria Izabel Branco Ribeiro, Flavia Gonzalez Rosseti, Maria Luiza Villas-Bôas, Marcos Moraes. São Paulo: MAC/USP, 1991. [36 p.], il. p.b. color.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. A Missão Artística Francesa e seus discípulos: 1816 - 1840. Prefácio Carlos Roberto Maciel Levy. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. 64 p., il. color. (História da pintura brasileira no século XIX, 2).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). p. 111.
  • ENDER, Thomas. Thomas Ender no Brasil (1817-1818): Aquarelas pertencentes à Academia de Belas-Artes de Viena. Áustria: Akademische Druck, 1997.
  • FERREZ, Gilberto. O Brasil de Thomas Ender, 1817. [Rio de Janeiro]: Fundação João Moreira Salles, c1976.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, São Paulo, SP. O olhar distante. Curadoria Jean Galard, Pedro Corrêa do Lago; assistência de curadoria Mariana Cordiviola; tradução Alain François, Contador Borges, Tina Delia, John Norman, Eduardo Hardman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • O BRASIL dos viajantes. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo (Masp), 20 de out. a 18 de dez. 1994.
  • O BRASIL dos viajantes. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo (Masp), 20 de out. a 18 de dez. 1994.
  • PFEIFFER, Wolfgang. Artistas alemães e o Brasil. São Paulo: Empresa das Artes, 1996.
  • REVISTA BRAVO. O Brasil Redescoberto. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1999.
  • SALGUEIRO, Heliana Angotti (coord.). Paisagem e arte: a invenção da natureza, a evolução do olhar. São Paulo: CBHA : CNPq : Fapesp, 2000. 452 p., il. p&b.
  • THOMAS ENDER IN BRASILIEN. Graz: Akademische Druck, 1994.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Fotógrafos Alemães no Brasil do Século XIX: Deutsche Fotografen des 19. Jahrhunderts in Brasilien. São Paulo: Metalivros, 2000. 203 p., il. p&b. 770.981 V335f
  • WAGNER, Robert (org.). Thomas Ender no Brasil (1817-1818): Aquarela pertencentes à Academia de Belas Artes em Viena. Tradução Edelweiss Mainhard Viana Bruckner. Àustria: Akademische Druck-u, 1997. 64 p., il.

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