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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Teixeira Coelho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.09.2021
31.01.1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
José Teixeira Coelho Netto (São Paulo, São Paulo, 1944). Professor universitário, crítico de arte, curador, pesquisador e escritor. Com longa trajetória acadêmica, é especialista em políticas culturais, campo no qual desenvolve importante pesquisa em perspectiva comparada. 

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José Teixeira Coelho Netto (São Paulo, São Paulo, 1944). Professor universitário, crítico de arte, curador, pesquisador e escritor. Com longa trajetória acadêmica, é especialista em políticas culturais, campo no qual desenvolve importante pesquisa em perspectiva comparada. 

Gradua-se em direito, em 1971, pela Faculdade de Direito da Universidade de Guarulhos, em São Paulo, enquanto leciona literatura brasileira em um curso preparatório para o vestibular. Ingressa, em 1972, como docente na Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Mackenzie, onde leciona as disciplinas de história da arquitetura e percepção estética. Resulta dessa experiência a publicação de A Construção do Sentido na Arquitetura (1979), no qual Teixeira Coelho propõe a leitura do espaço a partir dos princípios da semiótica. 

Em 1974 é contratado como professor auxiliar do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). No mesmo ano, inicia o mestrado em ciências da comunicação da USP e realiza um intercâmbio na Universidade de Paris-III, na França, onde é orientado pelo professor Bernard Dort, crítico de teatro francês e especialista na obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Em 1976, conclui o mestrado com a defesa da dissertação intitulada Em Cena, o Sentido (1976), publicada em livro em 1980. A produção parte do interesse em pesquisar a especificidade do teatro e o que o define e difere de outras linguagens artísticas, novamente tomando como arcabouço teórico-metodológico a semiótica. 

Em 1978, passa a atuar em regime integral na USP e participa de diversos órgãos colegiados com a intenção de criar, organizar e desenvolver os centros e núcleos de ensino e pesquisa, participando, por exemplo, da reestruturação do curso noturno da ECA e beneficiando o aspecto profissionalizante do ensino. 

Obtém o título de doutor em letras pela Universidade de São Paulo em 1981, quando defende a tese Uma Outra Cena, na área de Teoria Literária e Literatura Comparada. Em seguida, publica Terra em Transe e Os Herdeiros: Espaços e Poderes (1982), em coautoria com o teórico de cinema Jean-Claude Bernardet (1936), com quem leciona naquele ano no curso de pós-graduação Espaço Cinematográfico: Parque Lage, cujas discussões teóricas e reflexões pessoais embasam a publicação.

A partir de 1986, atua a convite do Ministério da Cultura como consultor da Secretaria de Apoio à Produção Cultural, dando ênfase à pesquisa registrada na tese de livre-docência intitulada Usos da Cultura: Políticas de Ação Cultural (1986). O texto resulta da experiência obtida em Havana, Cuba, para onde viaja no ano anterior a fim de estudar o sistema de Casas de Cultura, as quais compara às políticas culturais da Cidade do México (México), de Londres (Inglaterra), Havre (França), Crèteil (França) e São Paulo. 

Devido à recepção positiva ao trabalho, recebe financiamento da Fundação Fullbright para aprofundar os estudos nas modalidades de ação cultural implantadas pelo Departamento de Educação do Estado de Connecticut, Estados Unidos. Como resultado, propõe e implementa em 1987 o Curso de Especialização em Ação Cultural na ECA-USP, direcionado a graduados em diferentes áreas, visando à formação de agentes culturais. Segundo Teixeira Coelho, o objetivo então é posicionar a Universidade nos diálogos acerca das políticas de cultura, aproximando a instituição da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Entre 1993 e 1996, dirige o Departamento de Informação e Documentação Artística da Secretaria. 

Assume a direção do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP) em 1998, colocando como objetivo da gestão integrar a instituição ao cenário das artes e da cultura da cidade de São Paulo, em detrimento da relação prioritária estabelecida com a Universidade. Segundo Teixeira Coelho, o MAC e a USP, embora ligados institucionalmente, não têm os mesmos objetivos e funções sociais, sendo o Museu o espaço da ação cultural, da radicalidade e da “cultura viva” (em contraponto ao que denomina “cultura patrimonialista”)1. Permanece no MAC até 2002, e destaca-se nesse período a curadoria da exposição O Brasil no Século da Arte - Recorte, de 1999.

Entre 2006 e 2014, é curador-coordenador do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Os objetivos iniciais da gestão são a revisão e a reestruturação do plano cultural do Museu no contexto do seu fortalecimento e concepção estratégica. Concebe a apresentação do acervo a partir de leituras temáticas, ao invés da apresentação cronológica vigente, o que se concretiza na exposição A Arte do Mito2, de 2007. Promove também a articulação com outras instituições da cidade a partir do programa Obra em Contexto. 

É cocurador da Bienal de Curitiba 2013 e curador-chefe da edição de 2015, além de coordenador do Curso de Especialização em Gestão e Política Cultural do Observatório Itaú Cultural, em colaboração com a Cátedra Unesco Políticas Culturais e Cooperação da Universidade de Girona, da Espanha, desde 2008, em que trabalha a ideia de gestão cultural como um conjunto de iniciativas inovadoras e criadoras, de relação intrínseca com os contextos locais, mas inserido na sociedade global.

Na USP, torna-se professor sênior da ECA em 2021, pesquisando cultura eletrônica no âmbito do Grupo de Estudos Culturais e Humanidades Computacionais. 

A inovação é uma característica presente em várias das temáticas pesquisadas e nas experiências de gestão de Teixeira Coelho, cujo vanguardismo engrandece suas contribuições à academia e à cultura brasileira. 

Notas
1. TEIXEIRA COELHO apud. FIORAVANTE, C. Teixeira Coelho assume direção do MAC, 1998.
2. Com curadoria de Roberto Magalhães, professor de História da Arte e Museologia da Universidade Internacional de Arte de Florença.

Exposições 22

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