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Agnaldo Farias

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.05.2020
21.07.1955 Brasil / Minas Gerais / Itajubá
Agnaldo Aricê Caldas Farias (Itajubá, Minas Gerais, 1955). Professor, curador e crítico de arte. Em 1980, forma-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, São Paulo. Prossegue sua formação acadêmica com mestrado em história pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1990, e o doutorado pela Faculdad...

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Biografia
Agnaldo Aricê Caldas Farias (Itajubá, Minas Gerais, 1955). Professor, curador e crítico de arte. Em 1980, forma-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, São Paulo. Prossegue sua formação acadêmica com mestrado em história pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1990, e o doutorado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), em 1997.

Participa da 16ª e 17ª edições da Bienal de São Paulo, em 1981 e 1983, na seção de cinema da equipe do curador-geral Walter Zanini (1925-2013). Em 1981, passa a fazer parte do corpo docente do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) – atual Instituto de Arquitetura e Urbanismo –, pertencente à USP, onde começa a lecionar disciplinas sobre artes plásticas. Em 1986, escreve seu primeiro texto para um catálogo de exposição e, em 1988, passa a publicar artigos nas revistas Galeria e Guia das Artes.

Entre 1990 e 1992, atua como curador de um conjunto de exposições temporárias do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC/USP). É assessor de artes plásticas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo durante o secretariado de Ricardo Ohtake (1942). Nesse período, atua como coordenador e curador, com o filósofo Nelson Brissac Peixoto, na primeira mostra Arte/Cidade (Cidade sem Janelas), em 1994. No mesmo ano, é responsável pela curadoria da retrospectiva do artista Nelson Leirner (1932). É curador da Bienal Brasil Século XX, em 1994. Em 1996, trabalha como curador-adjunto da 23ª Bienal de São Paulo. Entre 1998 e 2000, é o curador-geral do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Após uma breve passagem pelo Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA/USP), em 2003, Agnaldo Farias transfere-se para o Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU/USP, onde é professor. Em 2002, é responsável pela curadoria da representação brasileira da 25ª Bienal de São Paulo. Ao lado do curador Moacir dos Anjos (1963), assina a curadoria geral da 29° Bienal de São Paulo, em 2010, e mantém a parceria na representação brasileira da 54ª Bienal de Veneza, em 2011, com uma exposição de Artur Barrio (1945).

Comentário crítico
O ensino é a atividade presente ao longo da trajetória profissional de Agnaldo Farias. Um ano após o término da graduação, passa a fazer parte do corpo docente da EESC/USP, envolvendo-se com o desenvolvimento da grade curricular do curso, inclusive com o cargo de coordenador de graduação entre 1985 e 1987.

Na universidade, leciona disciplinas ligadas à teoria e à história da arquitetura e das artes plásticas. Atua em discrepância com a situação do ensino de arquitetura no Brasil, como expressa em crítica pessoal: “É assustador o modo como as escolas de arquitetura ignoram não só as artes plásticas, mas a literatura, a música, o cinema. [...] Durante um tempo, nosso ensino de arquitetura esteve muito divorciado da cultura, reduzido à técnica".1

Desde 2003 na FAU/USP, coordena projetos de pesquisa e ministra disciplinas que destacam as relações entre arte e arquitetura na contemporaneidade. Seus estudos, em geral, partem do período posterior à Segunda Guerra Mundial, analisando os diversos entrecruzamentos dos dois campos disciplinares, tanto por meio de questões teóricas quanto pela observação da produção nas últimas sete décadas, a partir do contexto brasileiro, posicionando-o dentro do debate internacional.

Fundamentando seu trabalho curatorial, desenvolve também pesquisa sobre a arte contemporânea no Brasil. Nela faz o levantamento de obras, com ênfase em novas modalidades de expressão, como instalações, performances e trabalhos multimídia. Tal estudo é feito em conjunto com o exame dos espaços de implantação dessas obras da atualidade – museus, galerias, centros culturais ou, mais amplamente, a própria cidade.

Após trabalhar como curador de um conjunto de exposições temporárias do MAC/USP no começo da década de 1990, os dois primeiros notáveis trabalhos curatoriais de Agnaldo Farias acontecem em 1994: Nelson Leirner: Retrospectiva e, também, o projeto Arte/Cidade.

Inaugurando o Paço das Artes, a primeira grande exposição individual de Leirner apresenta a trajetória do artista, dando visibilidade à sua obra dentro do panorama artístico nacional. Já a primeira edição do projeto Arte/Cidade ocupa o antigo Matadouro Municipal de São Paulo, em ruínas na época. Com a participação de 15 artistas, entre eles a artista plástica Carmela Gross (1946), o fotógrafo Cassio Vasconcellos (1965) e o músico Arnaldo Antunes (1960), cada obra ali apresentada, conforme o texto curatorial informa, “concebe a cidade não como tema, mas como suporte. Cada um dos trabalhos expostos incorpora elementos que têm presença na cidade e os trazem no âmbito da sua linguagem",2 tratando de uma reapropriação dos espaços urbanos dentro de uma proposta artística, perdida dentro do contexto das grandes cidades.

Como curador-geral do MAM/RJ, entre 1998 e 2000, é responsável pela exposição das obras do acervo permanente da instituição e mostras temporárias, como Livros, de Waltercio Caldas (1946). Em 2010, faz a curadoria da 29° Bienal de São Paulo, em parceria com Moacir dos Anjos, traçando uma relação entre arte e política, em “uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida [...] oferecer exemplos de como a arte tece, entranhada nela mesma, uma política".3 Polêmicas envolvendo as obras El Alma Nunca Piensa sin Imagen, do artista argentino Roberto Jacoby (1944), e Bandeira Branca, do artista Nuno Ramos (1960), corroboram o viés político dessa Bienal, que se notabiliza pelos “terreiros”: espaços idealizados para encontros e ações de distintas naturezas, confirmando o interesse de Farias pelo estudo de relações entre arte e arquitetura.

Notas
1 GRUNOW, Evelise. Entrevista: Agnaldo Farias. Projeto design, São Paulo, 1. dez. 2008. Disponível em: http://arcoweb.com.br/projetodesign/entrevistas/agnaldo-farias-nesta-entrevista-15-12-2008. Acesso em: 15 jun. 2014.
2 FARIAS, Agnaldo. Arte/Cidade. São Paulo, 1994. Disponível em: http://www.pucsp.br/artecidade/novo/ac1/20.htm. Acesso em: 15 jun. 2014.
3 FARIAS, Agnaldo; ANJOS, Moacir dos. Texto curatorial da 29ª Bienal de São Paulo. São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.forumpermanente.org/event_pres/exposicoes/29a-bienal-de-sao-paulo/texto-curatorial. Acesso em: 15 jun. 2014.

 

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