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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Erthos Albino de Souza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.06.2017
1932 Brasil / Minas Gerais / Ubá
2000 Brasil / Minas Gerais / Juiz de Fora
Erthos Albino de Souza (Ubá, Minas Gerais, 1932 - Juiz de Fora, Minas Gerais, 2000). Poeta e artista gráfico. Formado em engenharia, utiliza a física e a matemática em sua criação poética. É um dos primeiros autores brasileiros a empregar o computador na elaboração de seus poemas. Em Salvador, edita a revista literária Código, uma das mais impor...

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Biografia

Erthos Albino de Souza (Ubá, Minas Gerais, 1932 - Juiz de Fora, Minas Gerais, 2000). Poeta e artista gráfico. Formado em engenharia, utiliza a física e a matemática em sua criação poética. É um dos primeiros autores brasileiros a empregar o computador na elaboração de seus poemas. Em Salvador, edita a revista literária Código, uma das mais importantes publicações de vanguarda do período, da qual saem 12 edições, entre 1974 e 1990. Como pesquisador, colabora com Augusto de Campos(1931) e Haroldo de Campos (1929-2003) no levantamento de referências bibliográficas para os livros Re-Visão de Sousândre, Re-Visão de Kilkerry e Pagu: Vida-Obra. Colabora em revistas como Polem, Muda, Artéria e Qorpo Estranho e participa de antologias como 25 Poetas / Bahia.

Análise

O poema mais conhecido de Erthos Albino de Souza é Le Tombeau de Mallarmé, publicado em 1974. Essa composição é uma série de variações gráficas executadas por computador, em que as letras iniciais do sobrenome do autor francês são distribuídas espacialmente, formando arranjos visuais que sugerem a imagem de um túmulo ou estela, como observa Haroldo de Campos.1

Essas variações foram criadas com base na resolução de um problema de física sobre a distribuição de temperatura numa tubulação, o que indica a forte proximidade entre poesia, ciência e tecnologia na obra do poeta, amigo e colaborador dos concretistas do grupo Noigandres, de São Paulo. Conforme escreve Carlos Ávila, Erthos tem grande importância como incentivador de uma geração de poetas construtivos brasileiros. Seu trabalho como editor da revista Código, do início dos anos 1970 até 1990, é fundamental para a formação e divulgação de autores como Pedro Xisto (1901-1987), José Lino Grunewald (1931-2000), Antonio Risério, Duda Machado, Paulo Leminski (1944-1989) e Alice Ruiz (1946).

Omar Khouri, em seu livro Revistas na Era do Pós-Verso, afirma que Erthos Albino de Souza, apesar de poeta, "nunca se esforçou para aparecer enquanto tal, preocupando-se mais com editar o trabalho alheio, sendo de uma generosidade rara. Ajudou a editar muitos trabalhos de poesia e metalinguagem. Em Invenção, já aparece como colaborador. Poeta que opera nos interstícios dos Códigos/linguagens, veicula em seu trabalho nesgas de informação, primando pelas sutilezas, onde o verbal se funde com o visual: é verdadeiramente um poeta intersemiótico".2

Usando computadores em seu processo de criação, Erthos elabora muitos poemas que se distinguem pelo modo coerente como incorporam as novas tecnologias, como se vê no trabalho em que utiliza fotos de Brigitte Bardot, cuja imagem, construída com letras, vai gradativamente se desmanchando.

O poeta não publica nenhum livro em vida; todos os seus poemas são veiculados em revistas de vanguarda da época, com pequenas tiragens e restrita circulação. Carlos Ávila, em seu trabalho O Engenheiro da Poesia, que inclui uma entrevista realizada com Erthos Albino (no livro Poesia Pensada), faz um levantamento de seus poemas publicados, um total de 23, entre eles Step by Step e Púbis (revista Qorpo Estranho nº 1), Androgynous (Jornal Dobrabil), Louvação para Pagu (revista Artéria) e Drapoeil (revista Muda).

Além das próprias composições poéticas, Erthos Albino de Souza colabora na execução gráfica ou digital de poemas de outros autores, como Vogaláxia, de Pedro Xisto, Cidade, de Augusto de Campos, e Mundo Livre, de Haroldo de Campos. Como pesquisador, tem atuação relevante no levantamento bibliográfico de autores inventivos do passado, como o maranhense Sousândrade (1833 - 1902), o baiano Pedro Kilkerry (1885 - 1917) e a paulista Patrícia Galvão - Pagu (1910 - 1962).

Notas

1. CAMPOS, Augusto e Haroldo de; PIGNATARI, Décio. Mallarmé. São Paulo: Perspectiva, 1980. p. 13. O poema de Erthos Albino de Souza foi publicado como apêndice a esta obra, que reúne traduções e ensaios críticos sobre o poeta francês.

2. KHOURI, Omar. Revistas na era do pós-verso. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. p. 28.

 

Exposições 5

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