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Teatro

William Pereira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.03.2017
23.10.1962 Brasil / Mato Grosso do Sul / Paranaíba
William Pereira (São Paulo, São Paulo, 1962). Diretor, cenógrafo e figurinista. Representante da vanguarda teatral dos anos 1980, um dos fundadores do grupo Barca de Dionisos.

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Biografia

William Pereira (São Paulo, São Paulo, 1962). Diretor, cenógrafo e figurinista. Representante da vanguarda teatral dos anos 1980, um dos fundadores do grupo Barca de Dionisos.

Forma-se pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), e inicia sua carreira profissional com a direção de Leonce e Lena, de Georg Büchner, que reúne um grupo de ex-colegas de sua escola e da Escola de Arte Dramática (EAD), em 1987, denominado Barca de Dionisos. A inventividade da proposta chama a atenção da crítica e do público.

Em 1989, dirige Uma Relação Tão Delicada, de Lolleh Bellon, adaptação de Maria Adelaide Amaral, ótimo resultado com as atrizes Irene Ravache e Regina Braga. No mesmo ano, com a Barca de Dionisos, encena um espetáculo polêmico, O Burguês Fidalgo, adaptação do texto clássico de Molière. Essa mesma inquietação formal está em Elsinore, realização de 1990 que toma o Hamlet, de William Shakespeare, como guia.

No ano seguinte, está à frente de Senhorita Julia, de August Strindberg. Eu Sei Que Vou Te Amar, extraído do livro de Arnaldo Jabor, é sua produção de 1994, com Julia Lemmertz no elenco. No ano seguinte monta A Chunga, de Mario Vargas Llosa, em Miami e Nova York; e A Cor de Rosa, de Flávio de Souza, em São Paulo.

Para a EAD encena o texto Luzes da Boemia, de Ramón del Valle-Inclán, em 1996, obtendo bom resultado e um espetáculo formalmente bem estruturado. Em 1997, para a ECA/USP, faz sua versão de Sinfonia de uma Noite Inquieta ou O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, com iluminação de Guilherme Bonfanti, que vai, no ano seguinte, ao Festival de Teatro de Berlim, na Alemanha.

Outro texto intenso, A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, ocupa-o em 1998. No ano seguinte retorna a um contemporâneo, com A Fábula de um Cozinheiro, de Sam Shepard e Joseph Chaikin.

Suas montagens em 2000 são O Canto dos Cisnes, de Jolanda Gentilezza livremente inspirado na obra de Anton Tchekhov e A Fábula de Um Cozinheiro, de Sam Shepard. Em 2001, integrando o Formação de Público, um projeto de popularização do teatro promovido pela Prefeitura de São Paulo, encena Nossa Vida em Família, de Oduvaldo Vianna Filho, obtendo alta rentabilidade e comunicação com as platéias. Em 2002, volta a Shakespeare, com a montagem de Romeu e Julieta, e encena O Regulamento, de Samir Yazbek, um jovem autor paulista que rapidamente adquire projeção. Também está em Sobre o Amor e a Amizade, reunião de crônicas de Caio Fernando de Abreu.

Em diversas produções em que figura como diretor, ocupa também, o duplo papel de cenógrafo, figurinista ou como diretor musical.

William atua também como diretor de ópera, tendo realizado estágio em direção operística na English National Opera e Royal Opera House, em Londres, entre 1992 e 1993. Encena Pedro Malazartes, ópera de Camargo Guarnieri e Mário de Andrade, em 1994; Madama Butterfly, de Puccini, em 1999, e, no ano seguinte, As Bodas de Fígaro, de Mozart.

Em seu comentário, o crítico Alberto Guzik destaca as virtudes da montagem de Leonce e Lena, dirigida por William Pereira: "O espetáculo tem importância, antes de mais nada, por resgatar para o teatro brasileiro a linguagem específica da pesquisa espacial, de que andávamos divorciados há bem uns dez anos. Daí o prazer de ver a equação espaço-encenação-público rearticulada de maneira inteligente e criativa. A solução dada ao dispositivo cênico impõe-se, não na qualidade de capricho fútil, mas enquanto fator essencial para uma determinada leitura do texto. O diretor William Pereira, e sua equipe, conceberam a peça de Büchner como uma obra em movimento, com o eixo constituído por fugas, viagens, caminhadas e perseguições. Dinamizaram então o espetáculo, dispondo-o sobre plataformas móveis, que se movimentam pelo imenso galpão, seguidas pelo público. Este acompanha a montagem em pé, integrando-se a ela, procurando-a, como os esbirros do rei Pedro buscam o fugitivo príncipe Leonce".1

Notas

1. GUZIK, Alberto. Uma celebração apaixonada, que resgata a pesquisa. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 4, 11 dez. 1987.

Espetáculos 98

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Fontes de pesquisa 7

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  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Senhorita Júlia - 1991. Não catalogado
  • GUZIK, Alberto. Uma celebração apaixonada, que resgata a pesquisa. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 4, 11 dez. 1987.
  • Programa do Espetáculo - A Fábula de um Cozinheiro - 2000. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Enigma Blavatsky - 2003. Não Catalogado
  • Programa do espetáculo - Diálogo com a Mãe - 2003. Não catalogado
  • SÁ, Nelson de. Diversidade: um guia para o teatro nos anos 90. São Paulo: Hucitec, 1998. 449 p.

Como citar

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