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Teatro

Vladimir Capella

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2021
31.07.1951 Brasil / São Paulo / São Caetano do Sul
21.04.2015 Brasil / São Paulo / São Caetano do Sul
Vladimir Roberto Capella (São Caetano do Sul, São Paulo, 1951 - idem 2015). Autor e diretor. Significativo representante da tendência voltada para o teatro infanto-juvenil, em que imprime uma forte visualidade, aliando drama e poesia em suas realizações.

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Vladimir Roberto Capella (São Caetano do Sul, São Paulo, 1951 - idem 2015). Autor e diretor. Significativo representante da tendência voltada para o teatro infanto-juvenil, em que imprime uma forte visualidade, aliando drama e poesia em suas realizações.

Após cursar a Fundação das Artes de São Caetano do Sul, Vladimir estreia na direção com a montagem de Panos e Lendas, de sua autoria, em 1978, que lhe rende os prêmios Mambembe, Governador do Estado de São Paulo e Molière. O sucesso do empreendimento acaba traçando o rumo de sua carreira, primordialmente voltada para o teatro infantil e infanto-juvenil, setor carente de bons realizadores. Como seus espetáculos atraem platéias também adultas, torna-se conhecido como criador de espetáculos para todas as idades.

Em 1980 apresenta Forrobodó, com o Grupo Pasárgada, iniciando uma série de montagens assemelhadas: Como a Lua, Quem É Que Pode Quando Um Bode Pode?, de Fernando Limoeiro, em 1982; Do Outro Lado, em 1983, e Avoar, outra realização premiada, em 1985. Para o público adulto cria dois espetáculos: Filme Triste, de sua autoria, em 1983, e Louco Circo do Desejo, de Consuelo de Castro (1946), com cenografia de Gianni Ratto (1916-2005), em 1985. 

Antes de Ir Ao Baile é outra montagem reconhecidamente bem-sucedida, em 1986. No ano seguinte cria seu primeiro grande sucesso de público e crítica, ambientando no Brasil uma história bastante conhecida: Maria Borralheira, em 1987, com novas premiações, texto que é remontado por ele em 1994, com produção do Teatro Popular do Sesi (TPS). Para adolescentes põe em cena seu próprio texto, O Dia de Alan, em 1989, sucedido, após algumas remontagens, por Chimbirins e Chambirons, de Marcos Arthur, em 1994.

Integrando um projeto novamente ligado ao TPS, monta Píramo e Tisbe, adaptando para adolescentes outra famosa história internacional, com cenografia premiada de Romero de Andrade Lima (1957), em 1995, obtendo ressonância e prêmios. Em 1996, dirige Gabriela Rabello, no monólogo Ana Paz, texto de Lygia Bojunga (1932). O Homem das Galochas, sobre a vida e obra de Andersen, de 1997, e Clarão nas Estrelas, de 1998, ambas de sua autoria, confirmam suas qualidades poéticas, tanto em relação ao tratamento do texto, como às suas abordagens cênicas. Em 2002, estréia, em parceria com o Teatro Imprensa, O Clone do Visconde, a partir das histórias de Monteiro Lobato (1882-1948); O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, adaptação do livro de Jorge Amado (1912-2001); e, ainda, O Colecionador de Crepúsculos, baseado na vida e obra de Luís da Câmara Cascudo, todos com autoria e direção de Capella.

A crítica Mônica Rodrigues Costa, falando a respeito de Píramo e Tisbe, aponta as características da dramaturgia e direção de Vladimir Capella: "Tudo o que é dito é simples, didático, como as enumerações iniciais do começo do mundo, concretas, ditas pelo coro sombrio, iluminado à luz de velas: ' [...] Do sublime mistério da noite profunda nasceu o amor. Depois tudo então foi ordem e beleza. Surgiram os rios, as matas, as fontes, o céu e as estrelas. O sol, a lua e a chuva, os ventos, as pedras [...] '. O trabalho de mestria do diretor é visível em Píramo e Tisbe. Capella demonstra ser possível trabalhar com jovens atores, aproveitando seu esplendor, ou o que eles têm de melhor - a integração do grupo (vista no coro), o à vontade das cenas de contato amoroso físico, das coreografias circenses (Marco Vettore). Os mitos de Píramo e Tisbe falam de perdas, infortúnios, impedimentos. O alegre Píramo (Jiddú Pinheiro) encarna desespero quando se vê trancado pela mãe, que tenta impedir sua morte prematura, afastando o filho da amada Tisbe (Paula Sardá).

Ao se verem tão tragicamente separados - a parede é humana -, os atores dão lições de agilidade. Ocupam a cena com expressões de ansiedade e espanto, provocados pela percepção - eles ainda são tão jovens -, da impossibilidade do amor".1 

Nota

1. COSTA, Mônica Rodrigues. Mitos gregos ganham versão para teens. Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 nov. 1995.

Espetáculos 57

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Fontes de pesquisa 9

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  • COSTA, Mônica Rodrigues. Mitos gregos ganham versão para teens. Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 nov. 1995.
  • FONTA, Sérgio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 2011.
  • Morre aos 62 o dramaturgo Vladimir Capella, de peças infantis como 'Avoar' . Folha de S. Paulo. Ilustrada. 21 abr. 2015. Disponivel em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/04/1619286-morre-aos-62-o-dramaturgo-vladimir-capella-de-pecas-infantis-como-avoar.shtml. Acesso em: 21 abr. 2015.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço.
  • Programa do Espetáculo - Meia Sola - 1978.
  • Programa do Espetáculo - O Homem das Galochas 1997.
  • Programa do Espetáculo - Parentes Entre Parênteses - 1984.
  • Programa do Espetáculo - Quem é Que Pode com um Bode Quando um Bode Pode? - 1982.
  • VOLTOLINI, Ricardo. O brilho de uma cinderela cabocla. Folha da Tarde, São Paulo, 21 nov. 1985.

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