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Teatro

Mauro Rasi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2017
27.02.1949 Brasil / São Paulo / Bauru
22.04.2003 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico autoria desconhecida

Mauro Rasi
Mauro Rasi
Acervo Cedoc/FUNARTE

Mauro Perroca Rasi (Bauru, São Paulo, 1949 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003). Autor e diretor. Dramaturgo de peças baseadas em sua vida familiar, como Pérola e A Estrela do Lar, Mauro Rasi passa do besteirol da década de 80 ao sucesso que, na década de 90, o eleva à categoria de um dos mais bem-sucedidos comediógrafos do país.

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Biografia

Mauro Perroca Rasi (Bauru, São Paulo, 1949 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003). Autor e diretor. Dramaturgo de peças baseadas em sua vida familiar, como Pérola e A Estrela do Lar, Mauro Rasi passa do besteirol da década de 80 ao sucesso que, na década de 90, o eleva à categoria de um dos mais bem-sucedidos comediógrafos do país.

Seu primeiro texto a ser encenado é A Massagem, com direção de Emílio Di Biasi (1939), em 1971. Seguem-se Ladies na Madrugada, por Amir Haddad (1937), 1974, Se Minha Empregada Falasse, por Nelson Xavier (1941), 1978, e duas parcerias com Vicente Pereira (1949 - 1993) em À Direita do Presidente e As Mil e Uma Encarnações de Pompeu Loredo, ambas encenadas em 1980.

Na década de 80, torna-se um dos principais autores da comédia apelidada de besteirol, entre elas, A Mente Capta, 1982, A Família Titanic - A Família que Afunda Rindo, 1984. É um dos autores de Doce Deleite, interpretado por Marília Pêra (1943 - 2015) e Marco Nanini (1948), e de Pedra, a Tragédia, 1985.

No final da década, inicia um ciclo de peças memoriais em que, tendo como ambiente dramático sua própria família, reveste de comicidade os conflitos psicológicos. O primeiro texto dessa série é Cerimônia do Adeus, encenado no Rio de Janeiro, sob a direção de Paulo Mamede, em 1987, e, em São Paulo, sob a direção de Ulysses Cruz (1952), em 1988. A montagem carioca lhe vale os prêmios Shell, Molière e Mambembe. Na peça, o jovem Juliano, alter ego do autor, identificado com a mãe oprimida e limitada pela existência doméstica e vida interiorana, encontra nos livros a possibilidade de romper com seus limites, materializando o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir dentro de seu quarto. Para o crítico Macksen Luiz (1945), o humor é o elemento que norteia o texto: "Apesar do indisfarçável tom confessional, a peça é uma construção dramatúrgica milimetricamente elaborada para que se atinjam efeitos precisos".1 A crítica Tania Brandão (1952) considera que, comparativamente aos textos anteriores, o autor obtém grandes avanços técnicos: "As marcas pessoais e de estilo estão presentes, mas há um acabamento muito melhor da ação, da trama e dos personagens. Ao lado do humor corrosivo, do mergulho consciente no absurdo e no insólito, das auto-referências complacentes, do apelo ao patético, há mais objetividade na ação, menos dispersão nos diálogos, personagens menos 'chapados'." 2

A partir do segundo texto, Mauro Rasi passa a dirigir os espetáculos de sua autoria. A Estrela do Lar, protagonizado por Marieta Severo (1946), recebe o Prêmio Molière de melhor autor. Em 1991, O Baile de Máscaras, lhe vale o Prêmio Shell. Encena em seguida Viagem a Forli, 1993, no Teatro dos Quatro. A montagem de Pérola, protagonizada por Vera Holtz (1952), lhe vale todos os prêmios do ano de 1995, e o espetáculo permanece cinco anos em cartaz. Seguem-se A Dama do Cerrado e As Tias, ambos em 1996, O Crime do Dr. Alvarenga, 1999, e Alta Sociedade, com Fernanda Montenegro (1929), em 2001.

Citando o espetáculo Pérola como um dos destaques do teatro carioca nos anos 90, Macksen Luiz analisa a trajetória do autor: "Pérola, um dos maiores sucessos de público do teatro brasileiro desta década, desde sua estréia no Rio em 1995, essa peça de Mauro Rasi, concluiu o ciclo de textos desse autor nascido no interior de São Paulo, mas com a sua carreira desenvolvida dentro da geografia carioca. Oriunda do besteirol, gênero de comédia surgido no Rio de Janeiro e que usa o humor pelo humor numa aposta no descompromisso e na crítica banal de costumes, Mauro Rasi renegou o estilo desde que iniciou a sua dramaturgia biográfica com Cerimônia do Adeus. Em peças que recriam suas experiências familiares e suas angústias pós-adolescentes, Mauro Rasi empresta a seus textos - como Estrela do Lar e Viagem a Forli, além de Pérola - uma atmosfera algo absurda, algumas vezes até fantástica, para tratar de um universo pequeno burguês, provinciano. (...) Mauro Rasil definiu um estilo autoral em que esse pequeno cotidiano ganha a dimensão de um épico doméstico, no qual as personagens exaltam a imaginação delirante para conviver com a banalidade".3

Notas

1. LUIZ, Macksen. Rito de passagem. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 out. 1987.

2. BRANDÃO, Tânia. Besteirol de luxo. O Globo, Rio de Janeiro, 02 out. 1987.

3. LUIZ, Macksen. O teatro carioca nos anos 90. Sete Palcos. Coimbra, Portugal, n. 3, p. 27, set. 1998.

Obras 1

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Registro fotográfico autoria desconhecida

Espetáculos 46

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Fontes de pesquisa 6

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  • BRANDÃO, Tania. Besteirol de luxo. O Globo, Rio de Janeiro, 02 out. 1987.
  • COMPANHIA BAIANA DE PATIFARIA. Site oficial do grupo. Disponivel em .Acessado em 12 de setembro de 2012. Não catalogado
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • LUIZ, Macksen. Rito de passagem. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01 out. 1987.
  • Programa do Espetáculo - A Bofetada - 10 anos, 1998. Não catalogado
  • RASI, Mauro. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.

Como citar

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