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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Zé Regino

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2017
03.01.1962 Brasil / Minas Gerais / Corinto
José Regino de Oliveira (Corinto, Minas Gerais, 1962). Ator, diretor, palhaço e professor. Sua família muda-se para Brasília em 1969, com o pai que vem à cidade recém-inaugurada em busca de emprego. Durante a adolescência, em um grupo jovem na igreja católica que frequenta, Regino apresenta textos e cenas dramáticas que são respondidas com garga...

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Biografia

José Regino de Oliveira (Corinto, Minas Gerais, 1962). Ator, diretor, palhaço e professor. Sua família muda-se para Brasília em 1969, com o pai que vem à cidade recém-inaugurada em busca de emprego. Durante a adolescência, em um grupo jovem na igreja católica que frequenta, Regino apresenta textos e cenas dramáticas que são respondidas com gargalhadas pelos espectadores, o que ele considera seu primeiro contato simultâneo tanto com o cômico, quanto com o aspecto coletivo e aglutinador do teatro.1 Em 1979 ingressa no grupo esquerdista Convergência Socialista e é incumbido de levar a filosofia do movimento a jovens que participam de uma oficina de teatro. Passa a integrar o coletivo que dá origem ao Grupo de Teatro Retalhos, onde conhece Chico Simões e Miquéias Paz. Se interessa mais profundamente pelo teatro e mantém  o comprometimento político em seus trabalhos cômicos.

Em 1985 gradua-se pela Fundação Brasileira de Teatro onde aprende técnicas de palhaço e de ator com o professor Carlos Tamanini e trabalha como assistente de cenografia, figurino e adereços de Murilo Eckhardt. Neste período convive também com expoentes da cultura popular, como Mestre Solon e Mestre Saúba, no interior de Pernambuco , e mais tarde Carlinhos Babau e Mestre Zezito, no DF.

Em 1991 cria o espetáculo A História do Balão Vermelho que dá origem ao grupo Celeiro das Antas em Taguatinga DF. Como fundador e membro deste grupo, atua na criação de espetáculos como A Baleia Branca: Moby Dick (1993), À Luz da Lua os Punhais (1997) e Ato Confessional (1998). Em 2001 integra o movimento de teatro de grupo de Brasília e segue criando, entre outros espetáculos, Zambelê (2003), Malas (2004), Saída de Emergência (2005), e Era uma vez... Chapeuzinho Vermelho (2006).

Em seu mestrado na Universidade de Brasília, sistematiza o seu trabalho de construção de dramaturgia da atuação cômica e estreia Bagulhar (2006),2 quando o engajamento político e comicidade assumem papel principal. Paralelamente ao trabalho como palhaço e à finalização do mestrado (2008), descobre o teatro para bebês e estréia o espetáculo Alma de Peixe (2009), ampliando o campo de atuação do Grupo de Teatro Celeiro das Antas com a criação do Núcleo de Pesquisa em Arte para Bebês e Crianças. Durante 2011 e 2012 substitui temporariamente Marcelo Beré, nos espetáculos O Cano (1999) e Ovo (2003), do Circo Teatro Udi Grudi. 

Análise

Zé Regino faz parte da geração que consolida o teatro brasiliense e enfrenta o período da ditadura, optando pelo teatro como profissão e instrumento de transformação política. Sua contribuição para o teatro feito na capital do país é composta por duas linhas distintas, mas complementares de ação. A primeira, em ordem cronológica, é a sua participação na fundação do grupo de teatro Celeiro das Antas e sua continuada atuação como mola propulsora de ideias, realização de projetos e capacitação técnica dentro do grupo. O coletivo, segundo o próprio Zé Regino, passa por diversas formações ao longo da sua história, servindo como um estúdio aberto de criação e capacitação artística dos que estão no coletivo num dado momento. Não possui um núcleo fixo de membros, mas atua como estrutura para a troca de saberes e a passagem de jovens aprendizes que, por sua vez, seguem adiante repassando seu aprendizado e experiência para outros núcleos ou grupos teatrais da cidade.

A segunda linha de atuação de Zé Regino, em parte consequência da primeira, é seu trabalho com a comicidade e o desenvolvimento de personagens no estilo clown. Ao longo de sua carreira, através de cursos e oficinas, colabora e serve de exemplo para a criação de personagens como Gelatina, palhaça criada pela atriz Ana Luisa Bellacosta, e Pipino, palhaço criado pelo ator Guilherme Carvalho, entre outros.3

Zé Regino inicia em 1981 sua criação clownesca com o palhaço Mateus, inspirado pelos brincantes dos reisados e seu imaginário infantil mineiro. Mateus evolui para Zambelê Badalo do Tuiuiú, que logo se torna simplesmente Zambelê, um dos mais conhecidos e populares palhaços do Distrito Federal. Para Zé Regino, trabalhar com personagens clownescos - como quando interpreta Zambelê ou Micóbrio (personagem que realiza no espetáculo Bagulhar) - não é ser mas sim estar palhaço, pois segundo o ator, o palhaço incorpora um estado de espírito cujo discurso é a arte da bobagem.4  E o discurso do ator-palhaço não se limita aos palcos e praças públicas, mas dialoga também com outros atores interessados na formação e busca pelo riso, dentro da academia, com sua dissertação de mestrado intitulada "A Dramaturgia da Atuação Cômica: o Desempenho do Ator na Construção do Riso" (2008). Este trabalho, que examina e lista procedimentos usados na busca pela atuação em cômica, permeia também o trabalho de Zé Regino em forma de oficinas cujos tópicos variam da iniciação da arte do palhaço, à criação de números cênicos, passando pela dramaturgia de uma comédia e incluindo também a comicidade no jogo do palhaço. Desta forma, tanto como artista e pesquisador do humor e do riso, quanto como membro fundador e mantenedor do grupo Celeiro das Antas, a contribuição de Zé Regino ao longo dos anos, tem favorecido os estudos e a prática da arte do palhaço na capital, bem como a compreensão do coletivo teatral como fonte de criação, formação e renovação cênica.

Notas

1. REGINO, Zé. Zé Regino. Brasília: [s.n.], 2011. Entrevista concedida por telefone à Nitza Tenenblat.

2. Bagulhar, segundo a definição de Cristóvan Buarque no livro Admirável Mundo Atual, é o ato de revirar o lixo, os bagulhos, na busca de encontrar material que sirva para ser reciclado, ré-aproveitado." Informação do <http://celeirodasantas.blogspot.com.br>. Acesso em: 24;2011.

3. MAGGIO, Sérgio. Ninhada de Palhaços. Correio Braziliense, Brasília, 15 de abr. 2007. Caderno Cultural

4. CALDAS, Renata. O Artífice da Bobagem. Correio Braziliense, Brasília, 4 de mar. 2004. Caderno Cultural.

Fontes de pesquisa 2

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  • REGINO, Zé. Zé Regino. Brasília: [s.n.], 2011. Entrevista concedida por telefone à Nitza Tenenblat.
  • ZÉ REGINO. Blog. Disponível em http://zeregino.blogspot.com/. Acesso em: 26 set. 2011.

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