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Cinema

Domingos Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.03.2019
28.09.1936 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
23.03.2019 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Domingos José Soares de Oliveira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1936 - idem, 2019). Autor, diretor e ator. Inicia-se no teatro e projeta-se no cinema e na televisão. A partir da década de 1980, não abandona mais o palco, atuando como autor e diretor em pelo menos um espetáculo anual.

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Domingos José Soares de Oliveira (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1936 - idem, 2019). Autor, diretor e ator. Inicia-se no teatro e projeta-se no cinema e na televisão. A partir da década de 1980, não abandona mais o palco, atuando como autor e diretor em pelo menos um espetáculo anual.

Estreia como autor com Somos Todos do Jardim da Infância, em 1963. No ano seguinte, dirige outro texto seu, A Estória de Muitos Amores. Chama a atenção no cinema com os filmes Todas As Mulheres do Mundo, 1967, que lança Leila Diniz (1945-1972), e Edu, Coração de Ouro, 1968. Durante vários anos se dedica à televisão.

Nos primeiros anos da década de 1980, Domingos Oliveira se torna um dos mais atuantes diretores do teatro carioca, voltando assim à atividade na qual dera seus primeiros passos na década de 1960.  Dirige grandes atores como Henriette Morineau (1908-1990) em Ensina-Me a Viver, 1981, de Colin Higgins (1941-1988), Jorge Dória (1921-2013) em Amor Vagabundo, 1981, de Felipe Wagner (1930-2013), Tônia Carrero (1922-2018) em A Volta por Cima, 1982, de Domingos Oliveira e Lenita Plonczynski, Marília Pêra (1943-2015) em Adorável Júlia, 1983, de Somerset Maugham (1874-1965) e Marc-Gilbert Sauvajon (1909-1985). Em 1980, recebe o Prêmio Mambembe de melhor autor com Assunto de Família. Com direção de Paulo José (1937), a montagem tem no elenco Fernanda Montenegro (1929) e Fernando Torres (1927-2008). O texto procura fazer uma radiografia da alma pequeno-burguesa no cotidiano de uma família tradicional no início dos anos 1950, exemplar da mentalidade de uma classe social que decidiu em vários momentos os rumos da história brasileira. O crítico Yan Michalski (1932-1990) analisa a peça, sequenciando pequenos e banais acontecimentos familiares:

"Essa pequenez dos episódios causa certa sensação de saturação [...]. Ao mesmo tempo, porém, é na manipulação dessa pequenez que reside uma das qualidades da obra. Com muita sensibilidade, Domingos transforma cada um desses inócuos incidentes do passado num autêntico minidrama, que machuca surdamente os seus protagonistas. Mas, simultaneamente, cada dramazinho comporta a semente de uma minicomédia. Com um espírito bem tchekhoviano, o autor mistura extrema simpatia pelas suas personagens com uma exposição bem-humorada dos seus ridículos".1

Em 1983, Domingos Oliveira escreve o policial No Brilho da Gota de Sangue, com o qual ganha os prêmios de direção e cenografia (com Juarez Puig), com desempenhos elogiados dos atores, entre eles Carlos Vereza (1939), Francisco Milani (1936-2005) e Clemente Viscaíno (1946). Segundo o crítico Macksen Luiz (1945), o maior mérito da encenação é o cuidado com o acabamento: "Há cuidados que chegam a ser comoventes, como um personagem manuseando um exemplar de O Correio da Manhã ou o luto usado na lapela do delegado pela morte da esposa [...]. E esses cuidados se transferem para o trabalho dos atores [...]".2

Recebe o Prêmio Molière de direção pelo conjunto de trabalhos - Conversas Íntimas, Escola de Mulheres e Irresistível Aventura - realizados em 1984. Em Irresistível Aventura, Domingos reúne quatro peças curtas - de Federico García Lorca (1898-1936), Artur Azevedo (1855-1908), Tennessee Williams (1911-1983) e Anton Tchekhov (1860-1904) - e, tendo Dina Sfat (1938-1989) e José Mayer (1949) como atores centrais, consegue, na opinião do crítico Macksen Luiz, "manter aguçados os sentimentos e a inteligência para criar o verdadeiro jogo teatral".3

Em 1985, Domingos dirige o texto de um autor estreante, A Fonte da Eterna Juventude, de Tiago Santiago (1963), e Do Amor, nova coletânea de textos. Em 1992, lança Confissões de Adolescente, espetáculo que é sucesso de bilheteria e propõe um formato que o inspira a escrever e dirigir, no ano seguinte, Confissões das Mulheres de 30.

Na segunda metade da década de 1990, assume a direção do Teatro Planetário, onde realiza seus espetáculos até 2000. Ali escreve, dirige, interpreta e organiza eventos. É dessa fase a sequência de cabarés filosóficos, em que mistura música, humor e crítica em espetáculos de diálogo direto com o público.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Familiares fantasmas do passado. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 out. 1980. Caderno B, p. 2.

2. LUIZ, Macksen. Um policial à procura da justiça. O Globo, Rio de Janeiro, 15 abr. 1983.

3. LUIZ, Macksen. Irresistível aventura: o autor, o ator, o público e uma arena. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 ago. 1984.

Obras 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Domingos Oliveira (ficha curricular). In: ____________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação Vitae. São Paulo, 2000.
  • Morre Domingos Oliveira, anos 82 anos. O Globo, Rio de Janeiro, 23 mar. 2019. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/cultura/morre-domingos-oliveira-aos-82-anos-23545910 >. Acesso em: 23 mar. 2019.
  • Morre o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, aos 82, no Rio. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 mar. 2019. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/03/morre-o-cineasta-e-diretor-de-teatro-domingos-oliveira-no-rio.shtml >. Acesso em: 23 mar. 2019.
  • OLIVEIRA, Domingos. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • Programa do Espetáculo - Acasa dos Budas Ditosos - 2003.
  • Programa do Espetáculo - Carreiras - 2006.
  • Programa do Espetáculo- Ensina-me A Viver - 1981.
  • Programa do Espetáculo: Jung e Eu - 2006.

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