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Teatro

Dilmar Messias

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
1948 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Dilmar Antônio Messias (Porto Alegre RS 1948). Diretor e ator. Oriundo do teatro político dos anos 1970, Dilmar Messias desenvolve intensa e eclética atividade de encenador, tanto no teatro para o público adulto como no infanto-juvenil. A linguagem circense é a principal referência para seu trabalho e essa característica se acentua no decorrer d...

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Biografia
Dilmar Antônio Messias (Porto Alegre RS 1948). Diretor e ator. Oriundo do teatro político dos anos 1970, Dilmar Messias desenvolve intensa e eclética atividade de encenador, tanto no teatro para o público adulto como no infanto-juvenil. A linguagem circense é a principal referência para seu trabalho e essa característica se acentua no decorrer de sua trajetória artística.

Em 1974, Dilmar Messias forma o Grupo Girassol com Lurdes Eloy, Leo Ferlauto, Fernando Mello da Costa da Costa e Fernando Sayão, colegas do Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (DAD/UFRGS).

Depois de apresentar A Viagem de André, com texto de sua autoria, ainda no âmbito da faculdade, o grupo estreia profissionalmente com A Tragicomédia de Don Cristóvão e a Senhorita Rosita, de Federico García Lorca. No segundo trabalho, o Girassol decide encenar Os Reis, poema do argentino Julio Cortázar que reinventa o mito do Minotauro. É a primeira montagem do texto em língua portuguesa e a produção é trabalhosa. Durante seis meses, os ensaios são suspensos à espera da autorização do autor. Segundo o jornalista Jefferson de Barros, da revista Veja, "os diálogos e interpretações carregam-se de tonalidades sombrias com as quais os personagens parecem sugerir ao espectador uma viagem para dentro de si, onde se abriga, no dizer de Cortázar, a mais terrível das monstruosidades, o medo que faz do homem um suporte dos tronos".1

Em Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, montagem de 1978, fica claro o interesse de Dilmar Messias pelos elementos circenses. Com Nilton Negri e Fernando Strehlau, constitui a Mala Verde Produções Artísticas, que adquire uma lona de circo para abrigar o espetáculo. A jornalista Maristela Barrios diz que "a montagem, em que pese o caráter de deboche e crítica a todo um contexto social e político, era um grande happening, bem de acordo com a época e com os ânimos d'antanho".2

A peça para o público infantil Jota Vilão da Terra dos Girassóis marca o fim do Grupo Girassol. Em seguida, Messias cria a Atosereno Produções Artísticas, que estreia, em 1978, com a montagem de O Duque, a Cantora e a Lingüiça, texto de sua autoria que reúne três episódios ocorridos em Porto Alegre no século XIX.

Nesse período, ele alterna espetáculos para o público adulto e infantil, incluindo Lisarb ou Multi Antes pelo Contrário, de Luis Fernando Verissimo, em 1980, e três textos de Chico Buarque: Saltimbancos, Calabar e O Chapeuzinho Amarelo, que recebe os prêmios Tibicuera de melhor espetáculo, direção, melhor ator, para Catulo Parra, e especial para o Grupo Cem Modos, responsável pelos bonecos.

Em Certo Dia numa Estação de Rádio, de 1984, ele atua ao lado de Claudia Meneghetti. O crítico Cláudio Heemann escreve: "Messias está muito divertido nas caracterizações que apresenta. Sua aparição em frente ao pano de boca é uma deliciosa surpresa. Nariz postiço, cabeleira ruiva e a fantasia bávara da primeira cena o transformam num desengonçado Pinocchio, provando que a vocação teatral de Messias encontra melhor expressão quando ele atua em comédia".3

O ritmo frenético de sua produção como autor e diretor, encenando a média de dois espetáculos por ano, sofre uma redução em 1986, quando aceita dirigir o Instituto Estadual de Artes Cênicas (Ieacen), do governo estadual, na gestão de Pedro Simon. No instituto, tem papel importante no processo de encampação pelo poder público do Teatro de Arena de Porto Alegre (TAPA), símbolo da resistência cultural na década de 1970, que se encontra abandonado e deteriorado. É sua a iniciativa de requerer ao Departamento de Polícia Federal os textos censurados pela ditadura militar, que passam a fazer parte do acervo do teatro.

Dilmar monta Ubu Rei, texto do francês Alfred Jarry, em 1988. Ao deixar o cargo público, retoma o ritmo anterior de trabalho, encenando, em média, uma peça para o público adulto e uma para o infantil a cada ano. Em 1997, alcança seu maior sucesso de público, com O Marido do Dr. Pompeu, de Luis Fernando Verissimo, com a presença do ator Zé Vitor Castiel no elenco.

Dirige Carmen Silva em 1999, na peça Esta Noite Estou Só, de André Paul Antoine, um exercício sobre a solidão, com tradução e adaptação da própria atriz. No mesmo ano, concebe o espetáculo O Retrato de Oscar Wilde, que reúne personagens de vários textos do escritor irlandês, com um elenco formado por atores novatos.

Na volta ao teatro para o público infantil, em 2003, Messias encena Bonequinha de Pano, de Ziraldo, que vence os prêmios Tibicuera de melhor direção, atriz, para Luciana Éboli, e melhor cenário, para Daniel Lion. A montagem emociona o crítico Antônio Hohlfeldt: "Raras vezes me emocionei tanto em um espetáculo de teatro como ocorreu com Bonequinha de Pano, original de Ziraldo, que o diretor Dilmar Messias vem apresentando no palco do Teatro Renascença. E se eu chorei desta emoção, muito outro adulto também saiu com lágrimas nos olhos, emoção que diz de nostalgia, de sensibilidade, de inteligência, de humanidade, de arte, enfim, que o espetáculo de Dilmar Messias alcança".4

Os anos seguintes marcam uma reviravolta no trabalho do diretor, que assume explicitamente sua paixão pelo circo, manifesta desde Hoje É Dia de Rock. Cria o Teatro Circo Girassol e passa a montar espetáculos circenses, na capital gaúcha e no interior. Ao mesmo tempo, desenvolve o projeto O Circo É Nosso, voltado para crianças da periferia de Porto Alegre.

Em Pão e Circo, de 2004, Dilmar Messias conquista o público e a crítica, e recebe três prêmios Açorianos. A jornalista Maristela Barrios diz que "apesar de não serem originais, recursos como a teia de aranha criam tal impacto visual que o espectador esquece que está diante da limitada caixa preta de um palco e expande o olhar para algum lugar aberto. [...] A acrescentar, a garra dos atores-brincantes, os figurinos de Daniel Lion e a luz de Fernando Ochôa. Um divertissement que não fica devendo coisa alguma para um Momix, um Pilobolos ou um Cirque du Soleil".5

Com O Hipnotizador de Jacarés, em 2009, o Girassol recebe sete indicações para o Prêmio Tibicuera. Segundo o crítico Rodrigo Monteiro, "é um espetáculo que se apresenta como a vida e não como a ficção: não tem curvas, não tem tramas aqui e ali, nem desafios emocionalmente indestrutíveis. Ele começa quando começa e termina quando aplaudimos. O recheio é composto de idas e vindas, paradas e corridas. Mudanças. Débora Rodrigues, Heinz Limaverde, Tuta Camargo e Jéferson Rachewski recuperam todas as gags clássicas do gênero, bem como sua estrutura dramática, para nos profetizar que a não vinda do jacaré-de-papo-amarelo será uma constante na vida. E é com sorriso que isso tem que ser encarado porque lagartos passarão, lagartixas correrão e até jacarés de outros papos se mostrarão. E todos devem ser bem recebidos: o figurino excepcional de Daniel Lion, que confere unidade aos personagens e se une perfeitamente à concepção do grupo, que não quer dar idades aos unicogonistas, nem seriedade, tampouco desorganização, é uma ótima e agradecida forma de dizer 'Bem-vindo em minha vida seja lá que bicho você for!' ".6

Além de sua extensa produção teatral, Dilmar Messias mantém permanente atividade em defesa da cultura como presidente e membro de várias direções do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos de Diversão (Sated/RS) e como responsável pela Mostra Gaúcha de Teatro Infantil, evento anual que organiza desde a década de 1970.

Notas
1. BARROS, Jefferson. Quebra-cabeças. São Paulo, Veja, 26 nov. 1975.

2. BARRIOS, Maristela. Impacto visual do circo eletrônico. Revista Aplauso 99, 16 nov. 2004.

3. HEEMANN, Cláudio. Certo dia numa estação de rádio. Porto Alegre, Zero Hora, 2 abr. 1984.

4. HOHLFELDT, Antônio. Enfim, teatro infantil inteligente e sensível. Jornal do Comércio, 14 nov. 2003.

5. BARRIOS, Maristela. Impacto visual do circo eletrônico. Revista Aplauso 99, 16 nov. 2004.

6. TEATRO POA. Disponível em: [http://teatropoa.blogspot.com/2009/10/o-hipnotizador-de-jacares.html]. Acesso em: 1/11/2009.

Espetáculos 67

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Fontes de pesquisa 5

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  • ALABARSE, Luciano - Alguns diretores & Muita Conversa - SMC Porto Alegre, RS 2000.
  • BARRIOS, Maristela. Impacto Visual do Circo Eletrônico, Revista Aplauso 99, 16 de nov. 2004.
  • BARROS, Jefferson. Quebra-cabeças. Revista Veja, 26 de nov. 1975.
  • HEEMANN, Cláudio. Certo dia numa estação de rádio. Porto Alegre, Jornal Zero Hora, 2 de abr. 1984.
  • HOHLFELDT, Antônio. Enfim, teatro infantil inteligente e sensível. Jornal do Comércio, 14 de nov. 2003.

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