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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Ruth Rachou

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2022
17.08.1927 Brasil / São Paulo / São Paulo
11.01.2022 Brasil / São Paulo / São Paulo
Ruth Margarido da Silva (São Paulo, São Paulo, 1927 - Idem, 2021), professora, bailarina e coreógrafa, expoente da dança moderna em São Paulo, reconhecida pelo trabalho a partir da técnica de Martha Graham (1894-1991), e pela formação de gerações de bailarinos ao longo de sua carreira, através de propostas pedagógicas modernas.

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Ruth Margarido da Silva (São Paulo, São Paulo, 1927 - Idem, 2021), professora, bailarina e coreógrafa, expoente da dança moderna em São Paulo, reconhecida pelo trabalho a partir da técnica de Martha Graham (1894-1991), e pela formação de gerações de bailarinos ao longo de sua carreira, através de propostas pedagógicas modernas.

Ruth Rachou dança desde cedo, seguindo a irmã mais velha em aulas a partir dos 4 anos de idade, passando por diversas professoras de balé, como Kitty Bodenheim (1912-2003) e Maria Olenewa (1896-1965). Sua carreira profissional começa aos 26 anos, no Ballet do IV Centenário, a primeira companhia profissional de São Paulo, criada para a comemoração dos 400 anos da fundação da cidade, e dirigida pelo húngaro Aurel Von Milloss (1906-1988). A companhia trabalha numa proposta moderna, em grandes produções envolvendo artistas de múltiplas as áreas.

Quando a companhia se encerra em 1955, Ruth segue um percurso comum àquela geração: uma mistura de trabalhos em companhias que tentavam se firmar na cidade, como o Ballet do Museu de Arte de São Paulo, dirigido por Abelardo Figueiredo (1931-2009), e outros trabalhos ligados à televisão, musicais, e shows.

Em 1967 seu interesse pela dança moderna a leva aos Estados Unidos, onde faz aulas na escola de Martha Graham, conhecendo a técnica da própria bailarina, além de outros professores da dança moderna, como José Limón (1908-1972) e Merce Cunningham (1919-2009). Seu interesse pela exploração de possibilidades para além do balé já era uma constante em seu trabalho, mas é o contato com a dança moderna estadunidense que lhe oferece as ferramentas para essa realização. Sua principal percepção sobre o trabalho de Graham é a noção de uma formação mais ampla dos bailarinos, com um trabalho corporal exigente, mas acompanhado de intenso esforço de pensamento e reflexão sobre a movimentação e sobre a dança.

Essa proposta orienta a criação de sua escola em 1972. Em atividade até 2015, o Estúdio Ruth Rachou forma gerações de bailarinos em São Paulo, em programas inovadores de formação, incluindo, para além dos trabalhos técnicos corporais de múltiplas vertentes, estudos de história e teoria da dança, ginástica, música, anatomia, cenário e figurino. A escola se insere desde seu surgimento numa vertente contrária à que então predominava no ensino de dança, que se via focado em formação técnica (majoritariamente de balé clássico), apresentações de final de ano, e festivais competitivos.

Ao longo dos seus mais de 40 anos de atividade, desde os anos 1980 a escola conta com professores de destaque na cena da dança brasileira, como Klauss Vianna (1928-1992), J.C. Viola (1947), Mara Borba (1951) e Mariana Muniz (1957). A variedade desse quadro de colaboradores ilustra um projeto amplo e variado de formação.

Paralelo a seu trabalho como educadora, Ruth Rachou também está em cena, dançando, coreografando e atuando. Sua maior realização artística vem de trabalhos em colaboração, como Sonho de Valsa (1979), onde contracena com o bailarino Thales Pan Chacon (1956-1997), numa direção de José Possi Neto. O trabalho tem sua origem em um solo de Ruth, interpretando uma personagem que entra em cena com balde e pano na mão, e passa grande parte da sua cena limpando o chão, para depois se deitar numa cama e sonhar. O valor que Ruth percebe nesse trabalho está ligado à potência da direção teatral, e daquilo que o diretor consegue guiar em sua busca por uma interpretação que não é baseada na demonstração técnica do movimento, mas na expressividade.

Os projetos que trabalha em sua escola são propostas para mudar a dança, seu ensino, e sua percepção enquanto campo da arte e do conhecimento. São importantes propostas como o Inventores da Dança (1985), mostra de dança não competitiva que ocorre em edições no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), no Teatro Sérgio Cardoso, e no Centro Cultural São Paulo (CCSP), e inclui conversas e discussões com a crítica Helena Katz (1950) sobre história da dança; e também o curso Corpo Inteiro, uma proposta multidisciplinar de formação em dança, um projeto piloto com intenção de se estruturar como curso técnico, o que é impossibilitado por falta de verbas.

A partir de 1989 Ruth dá aulas dentro da Escola Municipal de Bailados, ligada ao Theatro Municipal de São Paulo. Por 20 anos na instituição, Ruth ensina dança moderna no último ano da formação de bailarinos que, antes, estavam inteiramente voltados ao clássico.

O reconhecimento de sua carreira ocorre em diversas instâncias. Em 2008, um programa de homenagem aos seus 80 anos reúne apresentações, exposição e lançamento de sua biografia em livro. Em 2013 Ruth recebe da Comissão de Dança da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o Grande Prêmio da Crítica. Em 2017, celebrando seus 90 anos, o trabalho de Ruth Rachou é homenageado em exposição virtual e documentário feitos pelo Portal do Museu da Dança (MUD) em mostra de obras, oficinas e conversas com a artista e colaboradores, no Sesc Consolação.

Reconhecida por seu extenso trabalho com técnicas de dança moderna, em projetos pedagógicos múltiplos e contínuos, por décadas em sua escola própria, além da colaboração em outras instituições, Ruth Rachou é figura fundamental da dança brasileira, formadora de gerações de bailarinos em São Paulo.

Espetáculos 10

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Espetáculos de dança 4

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Fontes de pesquisa 9

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  • ALAMADA, Izaías; FIGUEIREDO, Bernadette. Ruth Rachou – Biografia. São Paulo: Ed. Caros Amigos, 2008.
  • DIAS, Linneu. Indefinição prejudica balé. O Estado de S. Paulo, 7 dez. 1975.
  • NAVAS, Cássia; DIAS, Linneu. Dança Moderna. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992.
  • O Carrasco do Sol. São Paulo: Teatro Anchieta, 1973. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Anchieta.
  • PERNICIOTTI, Fernanda. Morre a bailarina Ruth Rachou, pioneira do pensamento moderno no Brasil. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 jan. 2022. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,morre-a-bailarina-ruth-rachou-pioneira-do-pensamento-moderno-no-brasil,70003948324. Acesso em: 12 jan. 2022.
  • PORTAL MUD. Ruth Rachou: Dança Afetos Resistência. Documentário, 50’. São Paulo, 2017. Disponível em: https://youtu.be/nLAwrak_VF0. Acesso em: 3 set. 2021.
  • PORTAL MUD. Ruth Rachou: Dança Afetos Resistência. Exposição Virutal. São Paulo, 2017. Disponível em: http://museudadanca.com.br/ruthrachou/. Acesso em: 3 set. 2021.
  • RACHOU, Ruth; RACHOU, Raul. Ruth Rachou. São Paulo: [s.n.], 2021. Entrevista concedida a Henrique Rochelle, crítico de dança.
  • SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA. Ruth Rachou. Série Figuras da dança. Governo do Estado de São Paulo, 2009.

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