Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Mariana Muniz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.12.2019
10.09.1957 Brasil / Pernambuco / Caruaru
Registro fotográfico Cláudio Gimenez

Mariana Muniz em cena de A Um Passo da Aurora

Mariana Muniz (Caruaru, Pernambuco, 1957). Bailarina, coreógrafa e atriz. Trabalha na intersecção entre dança e teatro, associando técnicas corporais ao uso da voz e do texto. Tem diversos trabalhos apoiados por programas de incentivo às artes e reconhecimento crítico em premiações.

Texto

Abrir módulo

Mariana Muniz (Caruaru, Pernambuco, 1957). Bailarina, coreógrafa e atriz. Trabalha na intersecção entre dança e teatro, associando técnicas corporais ao uso da voz e do texto. Tem diversos trabalhos apoiados por programas de incentivo às artes e reconhecimento crítico em premiações.

Nascida em Pernambuco, muda-se para o Rio de Janeiro para estudar, de 1969 a 1975, na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal. Lá, encontra a professora Lourdes Bastos (1927), que lhe apresenta a dança moderna, e o coreógrafo Klauss Vianna (1928-1992), que a convida para trabalhar no Grupo Teatro do Movimento.

O princípio de pensar o corpo por meio da anatomia e da fisiologia, defendido por Klauss, molda o trabalho cênico de Mariana, marcado por uma atenção sistemática ao corpo e suas partes. O uso consciente da respiração, que guia esse processo perceptivo, é fator importante para a articulação que Mariana faz entre as artes, pois serve tanto para o desenvolvimento do movimento corporal quanto da voz.

Em 1982, participa do Grupo Experimental, criado por Klauss no Balé da Cidade de São Paulo. Lá, participa de dois espetáculos, Bolero e A Dama das Camélias. Depois da experiência com Klauss, trabalhos com o diretor francês Stéphane Dosse (1953), em 1984, no Teatro do Aceno, e com o diretor Antônio Abujamra (1932-2015), em 1986, intensificam sua atividade teatral.

O conjunto de trabalhos simultâneos em dança e teatro formam a estética das obras de Mariana: seu foco é continuamente o movimento, mas ele é permeado pelo teatro enquanto motivo e referência. Ela compreende essa articulação artística como um estar na dança e estar no teatro, simultaneamente ser bailarina e atriz. Não se trata de apagar a fronteira entre as artes, e sim de não reconhecê-las como completamente separadas. Expressividade, presença cênica, movimentação, texto e voz são elementos que convergem em sua estética.

Essa proposta é bem avaliada em seu primeiro trabalho solo em São Paulo, Paidiá (1989), pelo qual recebe o prêmio de melhor autora-intérprete em dança da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Paidiá faz um encontro entre dança moderna e teatro, com um roteiro inspirado em textos do poeta Paulo Leminsky (1944-1989), Machado de Assis (1839-1908) e Mário de Andrade (1893-1945), numa reflexão sobre o Maracatu. Desenvolve-se com a imagem da boneca Calunga, figura central dos cortejos. Transformada em máscara, a Calunga é usada na obra como se fosse um segundo elemento de um solo.

As descobertas que Mariana faz por meio da experimentação e teatralização da dança se fundamentam em pesquisa contínua. Ao longo de sua formação, estuda eutonia, body-mind centering (BMC) e Tai Chi, que lhe servem como guias para o entendimento do corpo e da movimentação.

Sua vocação para esse tipo de produção e pesquisa em dança é reconhecida institucionalmente quando recebe financiamentos públicos. Por meio do Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, funda, em 2007, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança, com a qual expande sua produção como coreógrafa. Simultaneamente trabalha como atriz, sobretudo com o Grupo Tapa, do diretor Eduardo Tolentino (1954), a partir de 2011.

Em trabalhos recentes, como Fados e Outros Afins (2018), mantém a mistura de atuação com coreografia, texto, música e canto. Na obra, Mariana realiza uma viagem de Portugal ao Brasil, em um palco transformado em Oceano Atlântico. A bailarina navega entre canções, textos e dança, afirmando sua proposta de convergência das artes. O movimento do corpo se inicia no chão, com torções expressionistas e uma rigidez que se transforma, ao longo da obra, em cenas de acalento. A imagem de angústia do mar está sempre presente, contrastando com as outras linguagens. Em determinado momento, Mariana manipula um esqueleto dourado como se este fosse um barco, deslocando-se pelo espaço.

Inserida num contexto brasileiro de dança-teatro, a produção artística de Mariana Muniz se apoia em seus vários interesses e formações para fazer convergir linguagens. Não se trata só de dança nem só de teatro, assim como a intérprete não se vê só bailarina ou só atriz. Multiplicidade, a partir da mistura.

Espetáculos 16

Abrir módulo

Eventos multiculturais 1

Abrir módulo

Performances 1

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Mariana Muniz - Série Encontra - Arte 1 (2019)
Mariana Muniz, bailarina e coreógrafa, conta sobre sua teimosia ao ser diagnosticada na infância com um problema ortopédico e receber a notícia de que jamais faria dança. Ainda assim, embora não tivesse o “pé em arco” das bailarinas, decidiu pelo balé. Sua trajetória toma forma com a compreensão da dança por meio da anatomia e fisiologia humanas, seguindo a premissa de Klauss Vianna.
O casamento com o fotógrafo Cláudio Gimenez e outras parcerias afetivas desenvolvidas ao longo da vida são explorados em seu espaço de dança, em São Paulo.

A Enciclopédia Itaú Cultural apresenta a série Encontra, produzida pelo canal Arte 1. Em um bate-papo com Gisele Kato, o público é convidado a entrar nas casas e ateliês dos artistas, conhecendo um pouco mais sobre os bastidores de sua produção.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Arte 1
Direção: Gisele Kato/ Ricardo Sêco
Produção: Yuri Teixeira
Edição: Lucas Brum

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: Doréa Books and Art, 1994.
  • KATZ, Helena. São Paulo põe a dança na vitrine. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 2 mar. 1990. Caderno 2.
  • MARIANA MUNIZ. Site oficial da artista. São Paulo. Disponível em: <www.marianamuniz.com.br>. Acesso em 16 abr. 2019.
  • MUNIZ, Mariana. Mariana Muniz. São Paulo: [s.n.], 2019. Entrevista concedida a Henrique Rochelle, crítico de dança.
  • ROCHELLE, Henrique. Fados e Outros Afins | Cia Mariana Muniz de Dança e Teatro. da Quarta Parede, coluna digital de crítica (d)e dança. São Paulo, 2017. Disponível em: <https://www.daquartaparede.com/posts/fados-e-outros-afins-cia-mariana-muniz-de-danca-e-teatro>. Acesso em 16 abr. 2019.
  • Trajetória(s) - Mariana Muniz. Exposição virtual, Portal MUD. São Paulo, 2015. Disponível em: . Acesso em 16 abr. 2019.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: