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Dança

Lenora Lobo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.10.2019
06.02.1956 Brasil / Piauí / Floriano
Lenora Lobo (Floriano, Piauí, 1956). Coreógrafa, professora de dança, diretora, bailarina, arquiteta, pesquisadora e escritora. Aos 9 anos, muda-se para Olinda e inicia os estudos em danças populares. No Recife, em 1966, estuda balé clássico com Nadja Machado. Em 1970, intensifica o aprendizado em danças populares em Teresina, Piauí. Em 1973, mu...

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Lenora Lobo (Floriano, Piauí, 1956). Coreógrafa, professora de dança, diretora, bailarina, arquiteta, pesquisadora e escritora. Aos 9 anos, muda-se para Olinda e inicia os estudos em danças populares. No Recife, em 1966, estuda balé clássico com Nadja Machado. Em 1970, intensifica o aprendizado em danças populares em Teresina, Piauí. Em 1973, muda-se para o Rio de Janeiro e cursa arquitetura na Faculdade Santa Úrsula. Estuda balé clássico com Tatiana Leskova (1922), Eugenia Feodorova (1923-2007) e Johnny Franklin (1931-1991) e jazz com Marly Tavares (1940) e o norte-americano Lennie Dale (1934-1994). Conhece Klauss Vianna (1928-1992) e interessa-se pelo funcionamento do corpo. Em 1979, retorna a Recife e prossegue os estudos sobre danças populares com o Balé Popular do Recife e Antônio Nóbrega (1952), além de investigar os acervos da Fundação Joaquim Nabuco. Em 1979, cria o espetáculo Fragmentos, primeiro trabalho como criadora-intérprete. Em 1980, vai a Londres para especializar-se no Laban Centre for Movement and Dance e estuda técnicas de consciência corporal (body control, body aligment, Alexander tecnique e contato improvisação) em diversos estúdios. No ano seguinte, tem aulas de antiginástica com Thérèse Bertherat (1931-2014), em Paris. 

Regressa ao Brasil em 1982 e instala-se em São Paulo. Estuda com Maria Duschenes (1922-2014), que a indica para trabalhar na Divisão de Pesquisas do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Em 1983, atua como instrutora de dança do Sesc Pompeia e, entre 1984 e 1986, como programadora de dança do CCSP. Em 1983, torna-se assistente de Klauss Vianna na Oficina de Corpo para Atores, do CCSP, onde permanece até 1987. Em meados de 1986, viaja a Brasília e inicia carreira de intérprete-criadora com os solos Cogito e Primata (1987). Retorna à Europa em 1989 e apresenta esses trabalhos em Amsterdã e Londres, além de participar da obra Little by Little, dirigida pela americana Amy Galé. 

De volta à Brasília, cria método próprio, resultado de pesquisa iniciada em 1987: o teatro do movimento propõe romper os limites entre as linguagens da dança e do teatro com base na preparação corporal. 

Em 1990, inaugura o estúdio Alaya Arte do Movimento e funda a Cia. Alaya Dança, em que exerce as funções de diretora, coreógrafa e professora. Entre 1993 e 1998, atua como professora de corpo e expressão corporal no Instituto de Artes do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB) e continua a desenvolver a sistematização de seu método. Entre 1997 e 1999, a dançarina recebe prêmios pelo trabalho como coreógrafa e diretora. Em 2000, coordena a Mostra de Intérpretes-Criadores concebida pela Cia. Alaya Dança. Em 2003, publica o livro Teatro do Movimento e, em 2008, Arte da Composição.

 

Análise

Artista emblemática na cena brasileira de dança, Lenora Lobo constrói a carreira baseada na hibridação de técnicas distintas, advindas das danças popular, clássica, moderna e contemporânea e das técnicas de consciência corporal. Esse hibridismo cruza-se com outras linguagens: música, poesia, teatro e artes plásticas. Nesse percurso, é difícil hierarquizá-las, pois é no enredamento de conhecimentos que se configura a dança e seu entendimento sobre ela.

O estudo com importantes mestres de dança e de consciência corporal agregam saberes que traduzem seu trabalho artístico de forma peculiar. Técnicas de alinhamento, conhecimento de anatomia humana e terapias corporais apontam novas possibilidades para a artista, que lança importantes discussões sobre corpo, arte e educação. Enfatiza a conscientização corporal, em que o corpo torna-se instrumento de possibilidades expressivas. Nomes como os dos professores Tatiana Leskova (1922), Lennie Dale e Eugenia Feodorova (1923 - 2007) contribuem no percurso. 

Lenora Lobo compromete-se com a criação do próprio método de dança, o teatro do movimento, elaborado ao longo de sua trajetória artística e registrado em dois livros. Nesse método, o enfoque é a formação, o conhecimento do corpo e a preparação corporal do artista. Baseia-se no método Laban, nos fundamentos do "movimento consciente" de Klauss Vianna e nas vivências em dança da artista. A memória do corpo é determinante para elaboração da pesquisa, que busca a construção de um corpo singular, coerente com a própria história e estimulado a vasculhar-se, a procurar-se e a compreender-se para ser único.

Lobo cria a Companhia Alaya Dança, grupo voltado para pesquisa em dança, com profissionais de formação heterogênea (dança, teatro, artes visuais e terapias corporais, entre outras), para troca de experiências e discussões. É opção da coreógrafa trabalhar com a diversidade de intérpretes, acentuando suas qualidades criativas e dramáticas e possibilitando o surgimento de nova geração de intérpretes-criadores. Sua assinatura pontua todas as obras criadas pela companhia, sem deixar de privilegiar o conhecimento dos artistas que fazem parte dela. Entre 1990 e 2010, o grupo cria Terra (1990), Ilusões (1992), Frevendo (1993), E Sonha Lobato (1997), Origem (1998), Primata Terra: Cosmologia e Evolução (2000), Máscaras (2001), Celebrare (2002), Matracar (2004), Água (2007) e Ayala Dança 20 em Cantos (2010). 

As obras coreográficas são textos corporais, produzidos do enlace das danças popular, clássica e moderna e da experimentação de técnicas de consciência corporal. Ao criar essas conexões, Leonora Lobo amplia o mosaico de movimentos artísticos. Nesse caso, a tônica da produção como coreógrafa e proponente de projetos é a transposição das fronteiras entre a dança e o teatro, o clássico e o erudito. Os trabalhos conquistam prêmios. A artista destaca-se na dança e torna-se expoente de linguagem artística. Além de executar danças populares com passos de dança clássica ou propor que o bailarino seja um ator, cria os mecanismos necessários para que esse cruzamento se materialize. 

Essas indagações presentes na atuação da coreógrafa impulsionam o lançamento do Núcleo Alaya Dança, em 1998, que inicia os projetos de pesquisa coreográfica dos intérpretes-criadores da companhia. Dentre as ações, além da Mostra de Intérpretes-Criadores, destacam-se oficinas, laboratórios e cursos de formação do método teatro do movimento. 

Lenora Lobo publica dois livros, Teatro do Movimento: Um Método para o Intérprete Criador e Arte da Composição: Teatro do Movimento, ambos em parceria com Cássia Navas. A autora expande os limites que demarcam os espaços da pesquisa artística. Estabelece diálogo com o meio acadêmico ao aceitar o convite do Instituto de Artes do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB) para desenvolver sua pesquisa e ministrar as disciplinas corpo em movimento e expressão corporal.

Lobo entende a dança como arte completa e não a dissocia de áreas congêneres, como “pesquisa, educação, terapia, dança social e dança cênica, englobando-se os estudos de interpretação e coreografia” 1.

Dos diversos interesses da artista, a elaboração e sistematização do método que conjuga diferentes visões de corpo e movimento, voltados ao funcionamento e à conscientização corporal, são essenciais para pensar a formação de artistas da dança e do teatro no Brasil.

 

 

Nota

1. LOBO, Lenora; NAVAS, Cássia. Teatro do movimento: um método para o intérprete-criador. Brasília: LGE Editora, 2003. p. 23.

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Fontes de pesquisa 7

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  • CUNTO, Yara de. A história que se dança: 45 anos do movimento da dança em Brasília. Brasília: Secretaria do Estado de Cultura do Distrito Federal: Fundo da Arte e da Cultura (FAC), 2005.
  • DUNDER, Karla. A surpresa de uma pesquisadora do movimento. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 nov. 2003.
  • DUNDER, Karla. Matracar une folclore com movimento contemporâneo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 4 maio 2007.
  • LOBO, Lenora. Entrevista por e-mail, nov. 2009.
  • LOBO, Lenora; NAVAS, Cássia. Arte da composição: teatro do movimento. Brasília: LGE Editora, 2008.
  • LOBO, Lenora; NAVAS, Cássia. Teatro do movimento: um método para o intérprete-criador. Brasília: LGE Editora, 2003.
  • MARIZ, Luciana. Evolução em movimento. Jornal de Brasília, Distrito Federal, 1 jun. 2000.

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