Artigo da seção pessoas Fred Salim

Fred Salim

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deFred Salim: 1951 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife)

Frederico Cavalcanti Batista (Recife, Pernambuco, 1951). Bailarino, produtor cultural, coreógrafo, professor. Aprende dança aos 15 anos a convite da professora Alna Prado, com a qual participa de apresentações de danças populares e coreografias. Aos 17 anos, é contratado pelo Canal 2 para integrar o Balé do Canal 2, companhia profissional mantida pela emissora de TV. Devido à repercussão de seu trabalho na TV, obtém fama regional e desenvolve carreira como bailarino também nos palcos. Apresenta-se pelo interior de Pernambuco e por cidades do Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo. Paralelamente, estuda balé com Flávia Barros (1934), no Recife, e complementa a formação em viagens para o Rio de Janeiro e São Paulo. Frequenta cursos com as mestres de balé Eugenia Feodorova (1923-2007), Tatiana Leskova (1922) e Dalal Achcar (1937) e coreógrafos da modern jazz, como Vilma Vernon, Marly Tavares (1940) e Lennie Dale (1934-1994).

O Balé do Canal 2 é dissolvido em 1970, entretanto, Batista permanece na emissora, apresentando-se junto com a bailarina Gerluce Amorim. Sua atuação expande-se pelo nordeste, convidado por escolas de dança de Natal, Aracaju, São Luiz, Maceió e Belém do Pará. No Recife, em 1972, participa da fundação do Grupo de Balé do Recife e estrela  o espetáculo Balé Armorial do Nordeste: iniciação armorial aos mistérios do boi de Afogados (1975). Em 1975, integra o elenco da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, dançando e coreografando a cena do bacanal de Herodes. Cria o grupo Fred Salim e Pompéia de Queiroz para apresentações com dançarinas convidadas.

Na década de 1980, inicia atividades de produção cultural no espetáculo O Capataz de Salema (1982), dirigido por Rubem Rocha Filho (1939-2008) com coreografia de Mônica Japiassú (1941) e Zdenek Hampl (1946-2007). No ano seguinte, produz com Isolda Pedrosa, o Ciclo de Dança do Recife, evento realizado pela Prefeitura da Cidade do Recife até 1990. Colabora com o desenvolvimento da dança no Festival de Inverno de Campina Grande (Paraíba), e com o Festival de dança de São Cristóvão (Sergipe). 

Em 1985, integra o grupo de consultores que contribui para fundação do Conselho Pernambucano de Dança. Em 1989, produz e dirige o grupo paraibano de danças populares Tropeiros da Borborema. Nesse período, torna-se delegado regional do Conselho Brasileiro de Dança (CBDD).

Em 1991, é Assessor de Dança da Diretoria de Assuntos Culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), para realizar o evento Estação Dançar, nas edições de 1991 e 1996. Em 1998 é diretor de eventos do Pátio de São Pedro, coordenando atividades ligadas a comemorações anuais como o carnaval, a festa de São João e o Natal. Em 2001, volta à dança, com o Dia Internacional da Dança, no Pátio de São Pedro, e o evento mensal Pernambuco na Dança. Cria o festival independente Pernambuco em Dança, pelo qual recebe Voto de Aplauso da Câmara Municipal de Recife em 2011. Ainda em 2011 é homenageado no 40º Festival de Dança Contemporânea, em Aracaju. 

 

Análise

Fred Salim é o primeiro bailarino do nordeste com carreira independente e ativo na região, articulado com o contexto nacional. O Balé do Canal 2 marca a história da dança pelo profissionalismo de sua estrutura que, na época, não encontra equivalente. Este grupo possibilita o reconhecimento de Fred Salim pelo país. A atuação nas capitais do nordeste supre a carência de bailarinos do sexo masculino em balés de repertório e coreografias complexas. Considerado dançarino de grande expressividade e beleza, também atua em shows e musicais, mas não desenvolve carreira em grupo fixo. Também não o atraem longos períodos de ensaio para poucas apresentações. Prefere desafios e a liberdade de atuar em diversos estados e com diferentes funções. Dessa forma, apenas no início da carreira é possível relacionar sua atuação como bailarino de grupos e obras emblemáticas. É o caso da atuação no Grupo de Ballet do Recife, primeira experiência de formação de companhia, com repertório próprio, em Pernambuco. Com o desdobramento desse grupo, é criado o espetáculo Balé Armorial do Nordeste: iniciação armorial aos mistérios do boi de Afogados. É a primeira iniciativa de relevo a implementar a estética do movimento armorial. Neste espetáculo, que cumpre temporada com sucesso de público, atua como protagonista. A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, evento de repercussão nacional e de público, amplia seu reconhecimento artístico. A inclusão de um bailarino do sexo masculino na cena do bacanal de Herodes é ousadia bem recebida por espectadores e crítica. 

Na década de 1980, a carreira de bailarino dá lugar à de produtor e gestor com apoio do governo local. O espetáculo O Capataz de Salema, além de sucesso como acontecimento artístico, dá origem à Associação de Dança do Recife. Desliga-se dela  por discordar dos propósitos da entidade como promotora de espetáculos. Defende o setor de dança de forma recorrente. Além de atuar no Conselho Brasileiro de Dança, participa das discussões para a criação de um órgão representativo local, que desenvolva atividades formativas na cidade.  

Como produtor, é importante para o desenvolvimento da dança no Nordeste. O Ciclo de Dança do Recife é o primeiro evento específico de dança em Pernambuco. Com curadoria e produção de Fred Salim e Isolda Pedrosa, programa debates, oficinas e espetáculos durante 30 dias. A continuidade do evento incentiva a criação de grupos locais, abre oportunidade de formação, intercâmbio e trabalho para artistas da cidade. Também promove acesso a espetáculos inéditos de companhias do Brasil. As iniciativas de popularização da dança por meio de palcos montados nos bairros periféricos marcam sua gestão de eventos. O evento Estação Dançar, também acontece em cidades do interior do estado. Por seu estilo de trabalho como gestor, incentiva o crescimento da dança no nordeste e influencia a consolidação da dança no Festival de São Cristóvão, em Sergipe, e no Festival de Inverno de Campina Grande, na Paraíba, ambos de reconhecida importância. 

A década de 1990 é período de desânimo no setor de dança e a atuação, na prefeitura do Recife, volta-se para a cultura popular, os eventos dos ciclos festivos e a restauração do Pátio de São Pedro como centro turístico e cultural. Retoma atividades de produção em dança nos anos 2000, como produtor independente. O evento Pernambuco em Dança torna-se alternativa aos demais festivais consolidados na cidade e reserva espaço para grupos amadores e profissionais.

Outras informações de Fred Salim:

  • Outros nomes
    • Frederico Salim
  • Habilidades
    • Bailarino
    • Coreógrafo
    • Professor
    • Produtor cultural

Fontes de pesquisa (17)

  • 11º FESTIVAL Pernambuco em Dança começa nesta segunda (26). Prefeitura do Recife, 22 set. 2011. Cultura. Disponível em: http://www.recife.pe.gov.br/2011/09/22/11_festival_pernambuco_em_danca_comeca_nesta_segunda_26_178911.php. Acesso em: 12 dez. 2011.
  • FESTIVAL leva cultura às comunidades do Recife. Dança Brasil, s.l., s.d. Disponível em: http://www.dancabrasil.com.br/public_html/principal.php?valor=noticia&var=4968. Acesso em: 12 dez. 2011.
  • BLOG Programa Liberdade de Expressão. Estúdio Livre, s.l., s.d. Disponível em: http://estudiolivre.org/tiki-view_blog_post.php?postId=672. Acesso em: 7 jan. 2012.
  • COSTA, Liana G. Associação de Dança do Recife: instante de emergência e de construção de permanência de uma cena profissional. In: COSTA, Liana G. (Org). Coleção Recordança: catálogo de vídeos. Olinda: Associação Reviva, 2011.
  • COSTA, Liana G. Festivais e Mostras: espaços de trocas e contaminações entre corpos que dançam em Pernambuco. In: COSTA, Liana G. (Org). Coleção Recordança: catálogo de vídeos. Olinda: Associação Reviva, 2011.
  • COUTINHO, Valdi. A dança procura uma identidade no Brasil. Diário de Pernambuco, Recife, 1 mar. 1980.
  • COUTINHO, Valdi. Do palco à praça a dança vai ao encontro do povo. Diário de Pernambuco, Recife, 11 set. 1986.
  • COUTINHO, Valdi. Movimento de dança. Diário de Pernambuco, Recife, 23 jul. 1982.
  • FRED Salim recebe homenagens. Pernambuco em Dança, Recife, 24 nov 2011. Disponível em: http://pernambucoemdanca.blogspot.com.br/2011/11/fred-salim-recebe-homenagens.html.  Acesso em: 7 jan. 2012.
  • MARQUES, Roberta Ramos. Deslocamentos armoriais: da afirmação épica do popular na “Nação Castanha” de Ariano Suassuna ao corpo-história do Grupo Grial. 2008. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2008.
  • MEIRA, Tatiana. Pátio de São Pedro recebe 43 grupos. Diário de Pernambuco, Recife, 29 abr. 2002.
  • PROJETO Recordança: FUNDAJ - Base Biografia. 2004. Disponível em: http://200.17.132.93/recordanca/SaidaBiografia.aspx?origem=TBBiografias&registro=27. Acesso em: 9 ago. 2011.
  • PROJETO Recordança: FUNDAJ - Base de Espetáculos e Coreografia. 2004. Disponível em: http://200.17.132.93/recordanca/BuscaGeralLista.aspx?origem=LinksEspetaculos. Acesso em: 9 ago. 2011.
  • RUBEM Rocha Filho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa213827/rubem-rocha-filho. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7. Acesso em: 18 out. 2011.
  • SALIM, Fred. Fred Salim. [Entrevista cedida a] Virgínia e Helena Sette. Acervo Recordança, Recife, 2 out. 2003.
  • SALIM, Fred. [Entrevista cedida a] Ana Valéria Vicente. Acervo Recordança, Recife, 20 out. 2011.
  • TV JORNAL. Disponível em: http://www.tvjornal.com.br/historia.php. Acesso em: 9 ago. 2011.

Como citar?

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  • FRED Salim. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa108981/fred-salim>. Acesso em: 22 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7