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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Fred Salim

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.12.2020
1951 Brasil / Pernambuco / Recife
Frederico Cavalcanti Batista (Recife, Pernambuco, 1951). Bailarino, produtor cultural, coreógrafo, professor. Aprende dança aos 15 anos a convite da professora Alna Prado, com a qual participa de apresentações de danças populares e coreografias. Aos 17 anos, é contratado pelo Canal 2 para integrar o Balé do Canal 2, companhia profissional mantid...

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Frederico Cavalcanti Batista (Recife, Pernambuco, 1951). Bailarino, produtor cultural, coreógrafo, professor. Aprende dança aos 15 anos a convite da professora Alna Prado, com a qual participa de apresentações de danças populares e coreografias. Aos 17 anos, é contratado pelo Canal 2 para integrar o Balé do Canal 2, companhia profissional mantida pela emissora de TV. Devido à repercussão de seu trabalho na TV, obtém fama regional e desenvolve carreira como bailarino também nos palcos. Apresenta-se pelo interior de Pernambuco e por cidades do Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo. Paralelamente, estuda balé com Flávia Barros (1934), no Recife, e complementa a formação em viagens para o Rio de Janeiro e São Paulo. Frequenta cursos com as mestres de balé Eugenia Feodorova (1923-2007), Tatiana Leskova (1922) e Dalal Achcar (1937) e coreógrafos da modern jazz, como Vilma Vernon, Marly Tavares (1940) e Lennie Dale (1934-1994).

O Balé do Canal 2 é dissolvido em 1970, entretanto, Batista permanece na emissora, apresentando-se junto com a bailarina Gerluce Amorim. Sua atuação expande-se pelo nordeste, convidado por escolas de dança de Natal, Aracaju, São Luiz, Maceió e Belém do Pará. No Recife, em 1972, participa da fundação do Grupo de Balé do Recife e estrela  o espetáculo Balé Armorial do Nordeste: iniciação armorial aos mistérios do boi de Afogados (1975). Em 1975, integra o elenco da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, dançando e coreografando a cena do bacanal de Herodes. Cria o grupo Fred Salim e Pompéia de Queiroz para apresentações com dançarinas convidadas.

Na década de 1980, inicia atividades de produção cultural no espetáculo O Capataz de Salema (1982), dirigido por Rubem Rocha Filho (1939-2008) com coreografia de Mônica Japiassú (1941) e Zdenek Hampl (1946-2007). No ano seguinte, produz com Isolda Pedrosa, o Ciclo de Dança do Recife, evento realizado pela Prefeitura da Cidade do Recife até 1990. Colabora com o desenvolvimento da dança no Festival de Inverno de Campina Grande (Paraíba), e com o Festival de dança de São Cristóvão (Sergipe). 

Em 1985, integra o grupo de consultores que contribui para fundação do Conselho Pernambucano de Dança. Em 1989, produz e dirige o grupo paraibano de danças populares Tropeiros da Borborema. Nesse período, torna-se delegado regional do Conselho Brasileiro de Dança (CBDD).

Em 1991, é Assessor de Dança da Diretoria de Assuntos Culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), para realizar o evento Estação Dançar, nas edições de 1991 e 1996. Em 1998 é diretor de eventos do Pátio de São Pedro, coordenando atividades ligadas a comemorações anuais como o carnaval, a festa de São João e o Natal. Em 2001, volta à dança, com o Dia Internacional da Dança, no Pátio de São Pedro, e o evento mensal Pernambuco na Dança. Cria o festival independente Pernambuco em Dança, pelo qual recebe Voto de Aplauso da Câmara Municipal de Recife em 2011. Ainda em 2011 é homenageado no 40º Festival de Dança Contemporânea, em Aracaju. 

 

Análise

Fred Salim é o primeiro bailarino do nordeste com carreira independente e ativo na região, articulado com o contexto nacional. O Balé do Canal 2 marca a história da dança pelo profissionalismo de sua estrutura que, na época, não encontra equivalente. Este grupo possibilita o reconhecimento de Fred Salim pelo país. A atuação nas capitais do nordeste supre a carência de bailarinos do sexo masculino em balés de repertório e coreografias complexas. Considerado dançarino de grande expressividade e beleza, também atua em shows e musicais, mas não desenvolve carreira em grupo fixo. Também não o atraem longos períodos de ensaio para poucas apresentações. Prefere desafios e a liberdade de atuar em diversos estados e com diferentes funções. Dessa forma, apenas no início da carreira é possível relacionar sua atuação como bailarino de grupos e obras emblemáticas. É o caso da atuação no Grupo de Ballet do Recife, primeira experiência de formação de companhia, com repertório próprio, em Pernambuco. Com o desdobramento desse grupo, é criado o espetáculo Balé Armorial do Nordeste: iniciação armorial aos mistérios do boi de Afogados. É a primeira iniciativa de relevo a implementar a estética do movimento armorial. Neste espetáculo, que cumpre temporada com sucesso de público, atua como protagonista. A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, evento de repercussão nacional e de público, amplia seu reconhecimento artístico. A inclusão de um bailarino do sexo masculino na cena do bacanal de Herodes é ousadia bem recebida por espectadores e crítica. 

Na década de 1980, a carreira de bailarino dá lugar à de produtor e gestor com apoio do governo local. O espetáculo O Capataz de Salema, além de sucesso como acontecimento artístico, dá origem à Associação de Dança do Recife. Desliga-se dela  por discordar dos propósitos da entidade como promotora de espetáculos. Defende o setor de dança de forma recorrente. Além de atuar no Conselho Brasileiro de Dança, participa das discussões para a criação de um órgão representativo local, que desenvolva atividades formativas na cidade.  

Como produtor, é importante para o desenvolvimento da dança no Nordeste. O Ciclo de Dança do Recife é o primeiro evento específico de dança em Pernambuco. Com curadoria e produção de Fred Salim e Isolda Pedrosa, programa debates, oficinas e espetáculos durante 30 dias. A continuidade do evento incentiva a criação de grupos locais, abre oportunidade de formação, intercâmbio e trabalho para artistas da cidade. Também promove acesso a espetáculos inéditos de companhias do Brasil. As iniciativas de popularização da dança por meio de palcos montados nos bairros periféricos marcam sua gestão de eventos. O evento Estação Dançar, também acontece em cidades do interior do estado. Por seu estilo de trabalho como gestor, incentiva o crescimento da dança no nordeste e influencia a consolidação da dança no Festival de São Cristóvão, em Sergipe, e no Festival de Inverno de Campina Grande, na Paraíba, ambos de reconhecida importância. 

A década de 1990 é período de desânimo no setor de dança e a atuação, na prefeitura do Recife, volta-se para a cultura popular, os eventos dos ciclos festivos e a restauração do Pátio de São Pedro como centro turístico e cultural. Retoma atividades de produção em dança nos anos 2000, como produtor independente. O evento Pernambuco em Dança torna-se alternativa aos demais festivais consolidados na cidade e reserva espaço para grupos amadores e profissionais.

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