Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Clara Pinto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.03.2017
1946 Brasil / Pará / Belém
Clara Pinto Nardi (Belém, Pará, 1946). Professora de dança, diretora artística, bailarina e coreógrafa. Em 1957, ingressa no balé clássico na Academia de Acordeon Professor Alencar Terra, onde faz aulas com Augusto Rodrigues (1928). Estuda com ele até 1967 e se torna bailarina de seu conjunto coreográfico. Paralelamente, se apresenta no auditóri...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Clara Pinto Nardi (Belém, Pará, 1946). Professora de dança, diretora artística, bailarina e coreógrafa. Em 1957, ingressa no balé clássico na Academia de Acordeon Professor Alencar Terra, onde faz aulas com Augusto Rodrigues (1928). Estuda com ele até 1967 e se torna bailarina de seu conjunto coreográfico. Paralelamente, se apresenta no auditório da Rádio Marajoara e no Programa Pierre Show, da TV Marajoara, em meados de 1965.

Em 1966, o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro se apresenta em Belém, e Clara Pinto conhece Aldo Lotufo (1925), Eleonora Oliosi (1939) e Helba Nogueira (1930-1997). Entre 1966 e 1970, viaja anualmente para o Rio de Janeiro e faz aulas de balé clássico, jazz e dança moderna com professores como Eleonora Oliosi, Helba Nogueira, Leda Iuqui (1922), Eugênia Feodorova (1923-2007), Nino Giovanetti (1933-2008), Tatiana Leskova (1922), Dalal Achar (1937) e Nina Verchinina (1910-1995).

Gradua-se em direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA), onde leciona entre 1972 e 1975. Por volta de 1977, viaja para Londres e submete-se ao exame da Royal Academy of Dance (RAD), recebendo o diploma desse programa de ensino. Em 1979, funda a Escola de Danças Clara Pinto, onde trabalhar especificamente com os fundamentos da RAD. É a responsável pela implantação deste sistema de ensino da dança em Belém.

Clara Pinto é delegada da Região Norte no Conselho Brasileiro da Dança (CBDD), e em 1989, recebe deste conselho a Medalha de Mérito Artístico da Dança. Como professora de balé clássico é convidada a ministrar cursos em festivais de dança e instituições, inclusive no exterior. Por volta de 1990, ministra um curso de balé clássico na Universidade Zulia na Venezuela, e no mesmo período nos festivais de Bento Em Dança, Porto Alegre em Dança etc. 

A Cia. de Danças Clara Pinto surge no cenário paraense por volta de  1982, e no mesmo período, estreia o espetáculo Vitória Régia, com coreografia de Emilio Martins e direção de Clara Pinto. Em 1994, Clara Pinto idealiza e coordena o Festival Internacional de Dança do Pará (Fida), que apresenta artistas locais e de fora, como: Marcya Haydée (Alemanha), Raul Candal (Argentina) Karl Singleterre (Estados Unidos), Ana Botafogo (Brasil) e Nora Esteves (Brasil).

Em 1997, Clara Pinto assina a direção artística do balé de repertório O Quebra Nozes e torna-se a primeira professora paraense a realizar uma montagem completa de um balé com um elenco, na sua maioria, formado por bailarinos paraenses.

Entre 1989 a 1992, participa das edições do Festival Nacional de Uberlândia e sua coreografia Balé Nós da Terra obtém o primeiro lugar. Nesse trabalho, novamente Clara Pinto fala sobre os problemas das comunidades ribeirinhas. Altino Pimenta assina a trilha sonora.

Análise

Clara Pinto é uma das grandes expoentes do ensino, criação e difusão da dança clássica no estado do Pará, além de ser a primeira a obter o teacher certificate, da Royal Academy of Dance, na região. Durante a sua formação artística, tem a oportunidade de experimentar e vivenciar distintas formas de dança, como jazz, dança moderna, sapateado e balé clássico. A paixão e a dedicação ao balé clássico a colocam como uma das referências do gênero na região Norte do Brasil. É responsável pela formação de muitas bailarinas e professoras de dança com o método RAD na cidade de Belém.

As obras coreográficas de Clara Pinto apresentam a cultura amazônica. Segundo ela, o interesse por lendas, mitos e pela população ribeirinha e os índios vem do trabalho de Marika Gidali (1937), de quem é grande admiradora. Dentre os vários espetáculos que produz, destacam-se Homenagem a Waldemar Henrique (1986), Paraçaiporai (1988) e Realidade Amazônica (1997). Todos apresentam narrativas que permeiam o imaginário da cultura popular, seja pela utilização de músicas de compositores paraenses - como os maestros Waldemar Henrique (1905-1995) e Altino Pimenta (1921-2003) -, seja pelo uso de objetos cênicos e cenários ligados à vida amazônica. Nesses trabalhos, os movimentos e gestos coreografados apresentam características de nativos da Amazônia.

Muitas das coreografias de Clara Pinto, sobretudo de temas regionais, apresentam uma fusão entre o balé clássico e a dança moderna, em que há significativa liberdade de movimentação do tronco e do uso do chão. É uma das responsáveis pela difusão da técnica do balé clássico no Estado do Pará.

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo
  • MOREIRA. Giselle da Cruz. Sinapses rizomáticas: a história da dança em Belém do Pará de 1950 a 1990. Tese. Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas. Salvador: UFBA, 2009.
  • NARDI, Clara Pinto. Entrevista concedida pela professora, bailarina e coreógrafa em Belém, 26 set. 2011.
  • PORTINARI, Maribel. Eugenia Feodorova: a dança da alma russa. Rio de Janeiro: Funarte: Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 2001.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: