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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Antônio Carlos Cardoso

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.09.2016
1939 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Antonio Carlos Cardoso (Porto Alegre, RS, 1939). Diretor artístico, coreógrafo, bailarino e fotógrafo. Começa no teatro em 1957, com Carlos Murtinho, em Porto Alegre. Um ano depois, tem aulas de dança clássica com Tony Petzhold (1914-2000) e Marina Fedossejeva, com quem estuda durante três anos. Passa a integrar, como estagiário, entre 1960 e 19...

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Biografia
Antonio Carlos Cardoso (Porto Alegre, RS, 1939). Diretor artístico, coreógrafo, bailarino e fotógrafo. Começa no teatro em 1957, com Carlos Murtinho, em Porto Alegre. Um ano depois, tem aulas de dança clássica com Tony Petzhold (1914-2000) e Marina Fedossejeva, com quem estuda durante três anos. Passa a integrar, como estagiário, entre 1960 e 1962, o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no qual tem aulas com Tatiana Leskova (1922) e Eugênia Feodorova (1925-2007).

Simultaneamente, atua em musicais no Copacabana Palace. Com O Teu Cabelo não Nega (1964), de Carlos Machado, realiza viagem de seis meses no México. Em sua primeira estadia na Europa (1965-1966), participa de turnê com o Ballet Nacional de Marseille (França), atua no Ballet da Ópera Stadttheater Bonn e no Basiches Staatstheater (Alemanha). Retorna a São Paulo em 1967, quando participa de quadros de programas televisivos de variedades, como Boa Noite Cinderela, e do desfile da Rhodia Momento 68. Na Sociedade Ballet de São Paulo, de Halina Biernacka (1914-2005), além de dançar, cria Sem Título (1969), sua primeira coreografia. Funda, com Marilena Ansaldi, o grupo Dança Viva e elabora coreografia com o mesmo título, em 1972. Na segunda estadia na Europa, de 1972 a 1973, dança no Royal Ballet de Flanders (Antuérpia-Bélgica), para o qual coreografa X. No mesmo período, participa de oficina de composição coreográfica com Hans van Manen. Ao retornar a São Paulo, em 1974, assume a direção do ex-Corpo de Baile Municipal, atual Balé da Cidade de São Paulo (BCSP). Nele, realiza Nosso Tempo (1976), Soledad (1976), Percussão para Oito (1977), Brahms (1979), Aquarela do Brasil (1979) e Sol do Meio Dia (1980).

Em 1979, recebe o prêmio Governador do Estado pelos serviços prestados à dança. É convidado a criar e dirigir o Balé do Theatro Castro Alves (Salvador), no qual permanece entre 1981 e 1983, quando realiza Maria Quitéria (1981). Para o diretor Celso Nunes, coreografa a peça Os Sete Pecados Capitais (1984). Como artista convidado do governo norte-americano no American State Governement for the Cultural Exchange Program, empreende, em 1984, viagem ao país. No ano seguinte volta a dirigir, por breve período, o Balé da Cidade de São Paulo. Retoma a direção do Balé do Theatro Castro Alves de 1987 a 1988. E volta a dirigi-lo entre 1991 e 2005, momento em que empreende carreira internacional com a companhia, viajando a países como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Portugal, e realiza Pássaro de Fogo (1992). Simultaneamente, estuda e se profissionaliza como fotógrafo, expondo na Galeria Pierre Verger, em Salvador, entre 2002 e 2003. Coreografa De Buscas e Solidão para a Companhia de Dança do Palácio das Artes (Belo Horizonte), em 2001. Retorna a Porto Alegre em 2005, quando passa a dar aulas para grupos locais e a realizar trabalhos em fotografia.

Comentário Crítico
A direção artística de Antonio Carlos Cardoso inaugura um novo modelo de companhia, mais moderno e dinâmico. Embora muitas vezes ofuscado pela repercussão do trabalho de direção, a sua presença como coreógrafo também é importante no sentido de formular, coreograficamente, temas cotidianos.

A nova história do ex-Corpo de Baile Municipal (CBM), atual Balé da Cidade de São Paulo, inicia-se com o convite de José Luiz Paes Nunes, então diretor do Movimento Mário de Andrade, departamento vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, à Marilena Ansaldi, para a reestruturação do Corpo de Baile Municipal. A bailarina e coreógrafa declina do convite e sugere Antonio Carlos Cardoso. O diretor, ao iniciar a nova gestão, convida a própria Marilena Ansaldi, a bailarina Iracity Cardoso (como assistente) e o coreógrafo espanhol Victor Navarro.

Cardoso empreende uma renovação do Corpo de Baile Municipal. Afasta bailarinos que não se enquadram na proposta nova e contrata outros, além de mudar a forma de gerenciamento e de gestão artística da companhia. Nesse período, uma sede própria é alugada. O diretor busca atrair um novo tipo de público, não apenas os fãs de balé, mas toda uma gama de pessoas interessada nas artes. Em fins de 1974, estreia o primeiro espetáculo, composto de quatro obras inéditas: Uma das Quatro (Navarro/Vivaldi), Sem Título (Cardoso/colagem com músicas de Miles Davis, Beatles e Herbie Mann), Medéia (Ansaldi/Pink Floyd) e Paraíso? (Cardoso/música original de Hermeto Paschoal). A sua gestão traz também a contribuição do coreógrafo argentino Oscar Araiz. Institui uma inovação que empreende na companhia, os workshops, que revelam Luís Arrieta, Ana Mondini e Umberto da Silva, entre outros. Os workshops são determinantes para o lançamento de novos bailarinos e fazem parte de uma estratégia utilizada até a atualidade para descobrir talentos.

No entanto, esse novo modo de pensar a dança tem que sobreviver, no período inicial da gestão, aos ataques de bailarinos descontentes, que consideram as novas coreografias inferiores ao repertório clássico, além de as acharem imorais. Mesmo em meio à turbulência, Cardoso tem como meta juntar duas tendências dominantes na década de 1970: o engajamento e a individualidade, buscando conciliar a felicidade individual com o bem comum, modelo instaurado primeiramente em São Paulo pelo balé Stagium. Essas duas proposições estão presentes em seu núcleo criativo, majoritariamente desenvolvido no período de sua permanência na companhia, até 1980. Constam dessa safra, por exemplo, Sem Título e Nosso Tempo, ambas de 1976, e Brahms e Aquarela do Brasil, criadas em 1979. A última, de maior repercussão, é uma colagem da música popular brasileira. É acusada de apresentar, na primeira parte, um luxo feérico. O “luxo feérico”, a que se refere a crítica Helena Katz (1979), são os cenários e os figurinos de Naum Alves de Souza, compostos de material barato, mas com grande efeito sob os refletores como, por exemplo, o cetim e o papel laminado, que desenham um ambiente de revista musical. Porém, na segunda parte, o coreógrafo acentua o tom da crítica política. Segundo Katz, “a beleza da fusão entre movimento, música e intenção que ele conseguiu tem um nome: é dança pura, a mágica da dança&rdquo.

Nos quase vinte anos no Balé do Theatro Alves, Cardoso dedica-se quase exclusivamente, especialmente em seu último e mais longo período na companhia baiana, a lançar internacionalmente o grupo.

 

Nota
1
KATZ, Helena. “Aquarela do Brasil” e alguns tropeços. Jornal da Tarde. 2 abr. 1979.

Espetáculos 1

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Palestras 1

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Fontes de pesquisa 16

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  • BRAGATO, Marcos. Antonio Carlos Cardoso. Dançar. São Paulo: Dançar Editorial, Ano II, no 7, 1984. p. 12-13.
  • CARDOSO, Antonio Carlos. Disponívem em: http://www.accfotodanca.com.br/diretor.htm.
  • COELHO, Maria Cristina Barbosa Lopes; XAVIER, Renata Ferreira (org.). Memória da Dança em São Paulo. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2007. 92 p. (cadernos de pesquisa, v. 4).
  • COURI, Norma. Dançar São Paulo. Balé da Cidade de São Paulo. São Paulo: Formarte, 2003. p. 17-18.
  • DIOGO, Carolina Duarte. Os homens entram na dança. Trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2010.
  • KATZ, Helena. Belas Coreografias sem sotaque. Folha S.Paulo. 7 jun. 1983.
  • KATZ, Helena. Castro Alves celebra 25 anos de seu corpo de baile. O Estado de S. Paulo, Caderno 2. 13 dez. 2006.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile abre hoje temporada. Folha S.Paulo. 12 mar. 1979.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile faz cinco anos outra vez. Folha de S.Paulo. 12 out. 1979.
  • KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: Doréa Books and Art, 1994.
  • KATZ, Helena. O que há com o nosso Corpo de Baile? Jornal da Tarde. 1º out. 1979.
  • KATZ, Helena. Quatro décadas de puro bailado. O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 2 mar. 2008.
  • KATZ, Helena. “Aquarela do Brasil” e alguns tropeços. Jornal da Tarde. 02 abr. 1979.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Balé da Cidade de São Paulo - 35 anos. Versão ligeiramente modificada de um texto escrito no verão de 2003 para as comemorações dos 35 anos do Balé da Cidade de São Paulo. Enviado pelo autor.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Saem os baianos. Visão. 12 out. 1981.
  • VALLIM, Acácio. Balé na Cidade de São Paulo: Sua História Inicial. Balé da Cidade de São Paulo, Cássia Navas (curadora) e Norma Couri (texto). São Paulo: Formarte, 2003.

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