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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Angel Vianna

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.07.2020
17.06.1928 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Registro fotográfico André Seiti

Angel Vianna, 2018

Maria Ângela Abras Vianna (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1928). Bailarina, professora, coreógrafa, pesquisadora. Angel Vianna é precursora das noções de Consciência/ Expressão Corporal no Brasil. Seu trabalho firma-se no Rio de Janeiro, onde forma profissionais que contribuem para diversificar a dança no país. O pioneirismo em relacionar dança e...

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Maria Ângela Abras Vianna (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1928). Bailarina, professora, coreógrafa, pesquisadora. Angel Vianna é precursora das noções de Consciência/ Expressão Corporal no Brasil. Seu trabalho firma-se no Rio de Janeiro, onde forma profissionais que contribuem para diversificar a dança no país. O pioneirismo em relacionar dança e reeducação do movimento é hoje reconhecido nos três campos em que atua: arte, terapia e educação. 

Aos 17 anos, estuda piano e, aos 20, inicia-se em dança no Ballet de Minas Gerais (BMG), primeira escola de balé de Belo Horizonte, dirigida pelo professor Carlos Leite (1914-1995). Em 1952, completa o tripé de sua formação artística com o curso de Artes Visuais na Escola de Belas Artes da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Ainda estudante, é premiada no 1o Festival Universitário de Arte, com a escultura Pé de Bailarina (1952). Essa intersecção entre as artes e o corpo é sustentada em toda sua trajetória. 

O interesse pelos estudos anatômicos concretiza-se no curso de Anatomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que frequenta informalmente. Na década de 1960, ao lado de Klauss Vianna (1928-1992), estuda com Antonio Brochado, anatomista docente da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

A intelectualidade artística e política que se reúne na revista mineira Complemento [1], a Geração Complemento, na década de 1950, contamina-a pela interdisciplinaridade. 

Em 1955, é responsável pelos figurinos de Cobra Grande, espetáculo baseado no texto modernista de Raul Bopp (1898-1984) e primeiro balé de Klauss como coreógrafo. No mesmo ano, Angel e Klauss se casam. Em 1958, nasce o primeiro e único filho do casal, Rainer Vianna (1958-1995), que também segue carreira como bailarino.

No ano seguinte, oficializa, junto a Klauss, o emblemático Ballet Klauss Vianna. As obras apresentadas pela companhia apontam o interesse modernista por "uma dança brasileira".

Convidados para ministrar um curso de férias na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Klauss e Angel integram o corpo docente entre 1963 e 1965.

Angel muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como dançarina em programas de televisão e leciona no Ballet Tatiana Leskova (1922), por quase nove anos. Nesse período, inicia a turma de Expressão Corporal para Atores, um dos principais focos de seu trabalho.

Em 1967, integra o corpo de baile da Cia. Dalal Achcar com  participação no espetáculo Giselle, apresentado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. É o último momento de Angel Vianna em cena, iniciando um intervalo de vinte anos longe dos palcos.

Na década de 1970, Angel recebe convites para ministrar cursos por todo o Brasil e assina direção corporal de atores em diversas peças. Em 1972, ministra curso de Expressão Corporal no Conservatório Brasileiro de Música.

Em 1975, funda o Grupo Brincadeiras, que dança em manicômios, presídios e escolas. A companhia chega ao fim no mesmo ano, quando os bailarinos se recusam a dançar com os internos de um manicômio judiciário. Ainda em 1975, ao lado de Teresa D’Aquino e Klauss, funda o Centro de Pesquisa Corporal Arte e Educação, conhecido como “Corredor Cultural”, no Rio de Janeiro[2], e iniciam o grupo Teatro do Movimento. Construção (1979-1980), coreografia de Angel, está entre os últimos trabalhos do grupo, desfeito em 1980, depois de perder subsídio da Funarte.

Em 1995, cria o Novo Grupo Teatro do Movimento. No ano seguinte, funda o Instituto de Pesquisa Arte Corpo e Educação (Ipaceav), para a promoção de conhecimentos sobre o corpo nas artes, com ênfase no trabalho para pessoas com necessidades especiais.

Em 1997, recebe o Prêmio Mambembe, mesmo ano em que estreia, de muletas, o solo Angel, Simplesmente Angel, uma homenagem a Rainer e a Klauss, no evento Comfort Dança. Em 1998, apresenta o solo Memória em Movimento, no Panorama RioArte de Dança. Também é homenageada com a  exposição Memórias em Movimento – Angel, Klauss e Rainer Vianna, no Centro Cultural Gama Filho, Rio de Janeiro. Angel Vianna recebe o título de doutora Notório Saber (2003), em Conscientização do Movimento, Cinesiologia e Dança, na Ufba.

Participa dos espetáculos Inscrito (1999), A Tempo (2007), Qualquer Coisa a Gente Muda (2010), Ferida Sábia (2012), Amanhã é Outro Dia (2016) e Tempo Não Dá Tempo (2018). 

Angel Vianna permanece ativa em suas pesquisas. O interesse pela dança, pautado na observação dos corpos, tece seus passos, fazendo de sua pedagogia uma proposta de dissolução dos limites do corpo autorizado a dançar. O percurso de Angel é fundante na tradição dos Viannas, muitas vezes restrita, equivocadamente, a Klauss.

Notas

1. “[...] os romancistas Ivan Ângelo (1936) e Silviano Santiago (1936), também poeta e ensaísta, lançaram a revista Complemento, que durou quatro números entre 1956 e 1958, que contava com a colaboração de críticos de cinema (Maurício Gomes Leite [1936-1993] e Flávio Pinto Vieira [1939-2008]), artes plásticas (Frederico Morais [1936]), teatro (João Marschner [1932-2002]) e música (Ezequiel Neves [1935-2010]), conhecidos como a “Geração Complemento”. In: RUFFATO, Luiz. Revistas literárias em Belo Horizonte. Rascunho, Curitiba, jan. 2012. Lance de dados. Disponível em: http://rascunho.com.br/revistas-literarias-em-belo-horizonte/. Acesso em: 3 abr. 2018.

2. O Centro de Pesquisa Corporal Arte e Educação surge pela necessidade de um espaço voltado à pesquisa baseada no corpo, como afirma a matéria publicada pelo jornal O Globo, em 15 de junho de 1975: “A organização de um centro de pesquisa sobre o corpo é a meta de Angel, Klauss e Teresa D'Aquino, que acabam de inaugurar sua academia. Fica numa velha casa simpática na Rua Góes Monteiro em Botafogo e, apesar de ser recente, já conta com muitos alunos”. In: O GLOBO. O corpo como objeto de pesquisa. O Globo, Rio de Janeiro, 15 jun. 1975. Jornal da Família.  Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData=197019750615. 

Espetáculos 21

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Espetáculos de dança 7

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Exposições 2

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Mídias (1)

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Angel Vianna – Série Cada Voz (2019)
Nesse vídeo, Angel Vianna fala sobre a relação com o pai, o encontro com Klauss Vianna, a morte precoce do filho e sua percepção sobre a vida e a morte.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig

Fontes de pesquisa 29

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  • ACERVO Angel Vianna. Disponível em: http://www.angelvianna.art.br/. Acesso em: 4 abril 2018.
  • BRAGATO, Marcos. Antonio Carlos Cardoso. Dançar. São Paulo: Dançar Editorial, Ano II, no 7, 1984. p. 12-13.
  • CARDOSO, Antonio Carlos. Disponívem em: http://www.accfotodanca.com.br/diretor.htm. Acesso em: 05 jan. 2012
  • COELHO, Maria Cristina Barbosa Lopes; XAVIER, Renata Ferreira (org.). Memória da Dança em São Paulo. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2007. 92 p. (cadernos de pesquisa, v. 4).
  • COURI, Norma. Dançar São Paulo. Balé da Cidade de São Paulo. São Paulo: Formarte, 2003. p. 17-18.
  • DIOGO, Carolina Duarte. Os homens entram na dança. Trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2010.
  • FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de balé e dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. R792.8 F237d
  • FIGURAS da dança. Angel Vianna. São Paulo (SP): São Paulo Companhia de Dança, 2010. 1 DVD. 1 Libreto.
  • FREIRE, Ana Vitória. Angel Vianna: uma biografia da dança contemporânea. Rio de Janeiro: Dublin, 2005.
  • KATZ, Helena. Angel Vianna, uma operária da construção corporal. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 maio 1998. Personalidade. Disponível em: http://www.helenakatz.pro.br/midia/helenakatz91259687457.jpg. Acesso em: 21 fev. 2018.
  • KATZ, Helena. Belas Coreografias sem sotaque. Folha S.Paulo. 7 jun. 1983.
  • KATZ, Helena. Castro Alves celebra 25 anos de seu corpo de baile. O Estado de S. Paulo, Caderno 2. 13 dez. 2006.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile abre hoje temporada. Folha S.Paulo. 12 mar. 1979.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile faz cinco anos outra vez. Folha de S.Paulo. 12 out. 1979.
  • KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: Doréa Books and Art, 1994.
  • KATZ, Helena. O que há com o nosso Corpo de Baile? Jornal da Tarde. 1º out. 1979.
  • KATZ, Helena. O voo livre de Angel Vianna. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 mar. 2011. Caderno 2. Disponível em: http://www.helenakatz.pro.br/midia/helenakatz91301060464.jpg. Acesso em: 21 fev. 2018.
  • KATZ, Helena. Quatro décadas de puro bailado. O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 2 mar. 2008.
  • KATZ, Helena. “Aquarela do Brasil” e alguns tropeços. Jornal da Tarde. 02 abr. 1979.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Balé da Cidade de São Paulo - 35 anos. Versão ligeiramente modificada de um texto escrito no verão de 2003 para as comemorações dos 35 anos do Balé da Cidade de São Paulo. Enviado pelo autor.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Saem os baianos. Visão. 12 out. 1981.
  • MIRANDA, Wander Melo. Silviano Santiago e a Geração Complemento. Scripta, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 23-27, 1998.
  • O GLOBO. O corpo como objeto de pesquisa. O Globo, Rio de Janeiro, 15 jun. 1975. Jornal da Família. Disponível em: http://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData=197019750615.
  • Programa do Espetáculo - Tango - 1972. Não catalogado
  • RAMOS, Enamar. Angel Vianna: A pedagoga do corpo. São Paulo: Summus, 2007.
  • RUFFATO, Luiz. Revistas literárias em Belo Horizonte. Rascunho, Curitiba, jan. 2012. Lance de dados. Disponível em: http://rascunho.com.br/revistas-literarias-em-belo-horizonte/. Acesso em: 3 abr. 2018.
  • SALDANHA, S. (Org.). Angel Vianna: sistema, método ou técnica? Rio de Janeiro: Funarte, 2009.
  • TEIXEIRA, P. Letícia. Angel Vianna: a construção de um corpo. In: PEREIRA, Roberto; SOTER, Silvia (Orgs). Lições de Dança 2. Rio de Janeiro: Univercidade Editora, 2000.
  • VALLIM, Acácio. Balé na Cidade de São Paulo: Sua História Inicial. Balé da Cidade de São Paulo, Cássia Navas (curadora) e Norma Couri (texto). São Paulo: Formarte, 2003.

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