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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Theodoro Braga

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.12.2016
08.06.1872 Brasil / Pará / Belém
1953 Brasil / São Paulo / São Paulo
Theodoro José da Silva Braga (Belém, Pará, 1872 - São Paulo, São Paulo, 1953). Pintor, decorador, professor, caricaturista, historiador, crítico de arte. Forma-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1893. Ao mesmo tempo, inicia estudos em arte com o pintor paisagista Jerônimo José Telles Jr. (1851-1914). Produz caricaturas para a imprensa da ...

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Biografia
Theodoro José da Silva Braga (Belém, Pará, 1872 - São Paulo, São Paulo, 1953). Pintor, decorador, professor, caricaturista, historiador, crítico de arte. Forma-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1893. Ao mesmo tempo, inicia estudos em arte com o pintor paisagista Jerônimo José Telles Jr. (1851-1914). Produz caricaturas para a imprensa da região.

Em 1894, transfere-se para o Rio de Janeiro e faz caricaturas para o Jornal do Commercio e a revista Vera Cruz. Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), e tem como professores Belmiro de Almeida (1858-1935) e Zeferino da Costa (1840-1915). Recebe o Prêmio de Viagem em 1899, estuda na Academia Julian em Paris entre 1900 e 1905, com os pintores Jean P. Laurens (1838-1921) e Benjamin J. Constant (1845-1902). Volta-se para a pintura histórica e artes decorativas. Regressa ao Rio em 1905, e realiza a primeira exposição individual, exibida, a seguir, em Recife e Belém. De volta ao Pará, cultiva o interesse por história e ciências naturais. Dedica-se ao estudo de motivos decorativos indígenas e da flora e fauna locais.

Por encomenda do município de Belém, pinta A Fundação da Cidade de Nossa Senhora de Belém (1908). Em busca de fontes para a realização da obra, viaja a Portugal. Redige e ilustra contos folclóricos para crianças, publicados em 1911. Para o tricentenário de fundação de Belém, publica Apostilas de História do Pará (1916), distribuída nas escolas e reeditada pelo Conselho de Cultura em comemoração ao centenário de seu nascimento. Publica ainda A Arte no Pará, 1888-1918: Retrospecto Histórico dos Últimos Trinta Anos (1918). Dirige o Instituto de Formação Profissional Lauro Sodré e promove exposições de trabalhos produzidos por estudantes entre 1908 e 1920.

Transfere-se para o Rio de Janeiro em 1921, leciona na Enba e dirige interinamente o Instituto de Formação Profissional João Alfredo. Fixa residência em São Paulo e, em 1925, torna-se professor do Instituto de Engenharia Mackenzie e diretor da Escola de Belas Artes. Nos anos 1930, em Perdizes, São Paulo, constrói para si uma casa com motivos marajoaras.

Realiza na Escola Normal do Brás a conferência “O Ensino do Desenho em Nossas Escolas”, transmitida por rádio. Publica artigos sobre o ensino do desenho no Rio de Janeiro a partir de 1921. Faz experiências inovadoras no ensino artístico, como a adoção de modelos baseados na natureza local, ao lecionar na Escola Brasileira de Arte. Publica Desenho Linear Geométrico (1951) e Artistas Pintores no Brasil (1942), que reúne referências sobre centenas de artistas.

Comentário crítico
A produção de Theodoro Braga estende-se pela pintura, decoração, ensino, crítica de arte. Extrapola o campo artístico, abrangendo a História e o folclore, que complementam seu interesse pela cultura amazônica.

O período de formação na França consolida a predileção pela pintura histórica e lhe dá as bases para uma compreensão mais ampla do papel da arte decorativa, que Braga observa em meio a voga do art noveau. Tal como o pintor Eliseu Visconti (1866-1944), Braga foi atento à produção de Eugène Grasset (1841-1917). A partir de 1905, utiliza formas mais geometrizadas em obras decorativas. Compõe um rico repertório de ornamentos intitulado A Planta Brasileira (Copiada do Natural) Aplicada à Ornamentação (1905), com aquarelas de elementos da flora, fauna e de motivos marajoaras, seguidos de suas estilizações em composições decorativas.

O interesse pelo folclore está a par com a importância dada à história. Em seus escritos sobre a história do Pará, enfatiza o papel do indígena na constituição da cultura local. A pintura Fundação da Cidade de Nossa Senhora de Belém (1908) apresenta a chegada da frota de Castelo Branco (1566-1619) à cidade. Em meio à cultura efervescente, propiciada pelo ciclo da borracha, a obra gera grande expectativa na elite local. Sua apresentação ocorre no Teatro da Paz, durante a comemoração do aniversário de seu encomendante, o intendente Antônio Lemos (1897-1911). Para a execução, o artista realiza extensa pesquisa histórica, apresentada na nota explicativa da pintura. A produção coincide com um momento de reconfiguração da historiografia da região amazônica, que busca reconhecimento territorial e a inserção na história nacional. Com atenção a cada personagem, natureza e cor local, a obra representa o marco fundador de uma identidade amazônica.

Os temas históricos que pinta enfatizam o caráter discursivo, como o tríptico Périplo Máximo de Antonio Raposo Tavares (1928), pertencente ao Palácio Bandeirantes, em São Paulo. Pinta as obras Anhanguera, Padre Provincial Alexandre de Gusmão e Padre Antonio Vieira (1917), nas quais percebe-se uma tentativa de aproximação entre pintura e história.

A partir dos anos 1910, promove o debate sobre a reformulação do ensino do desenho na Enba e no ensino regular de todos os níveis, defendendo a utilização de repertório nacional como modelos. Para Braga, a livre expressão deve estar alicerçada em estudo rigoroso desde os níveis primários de ensino.

Entre suas críticas ao programa de desenho do Colégio D. Pedro II em 1926, estão a desarticulação dos exercícios, a exigência de precisão à mão livre em anos iniciais da formação, a cópia exaustiva de sólidos geométricos e a pouca ênfase à perspectiva. Publica, em 1922, o artigo “Nacionalização da Arte Brasileira”, em que conclama a manifestação de um sentimento patriótico no campo das artes. Vê, na educação do operariado, a expansão do conhecimento das coisas pátrias, para que se possa “produzir arte nacional por artistas nacionais”, o que, segundo Braga, já está em curso nas belas artes, mas deficiente nas artes aplicadas. Para tal propósito defende a implementação do ensino artístico técnico, voltado às artes decorativas, tendo como disciplina fundamental o desenho específico para cada ofício.

Seu programa para o ensino da arte decorativa é implementado pelo artista Carlos Hadler (1885-1945) no curso de Pintura da Escola Profissional de Rio Claro a partir de 1927. Esse sistema, segundo Braga, dá suporte a um estilo nacional já conhecido pelos indígenas.

Exposições 50

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Fontes de pesquisa 33

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar v.1
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979. 709.81 A163ar v.2
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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • BRAGA, Theodoro. A arte no Pará, 1888-1918: retrospecto histórico dos últimos trinta annos. RIHGP. Belém 7: 149-159, 1934. Não Cadastrado
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942. R703.0981 B813a
  • CAMPOFIORITO, Quirino. A República e a decadência da disciplina neoclássica: 1890-1918. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. (História da pintura brasileira no século XIX, 5).
  • CAMPOFIORITO, Quirino. A República e a decadência da disciplina neoclássica: 1890-1918. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. (História da pintura brasileira no século XIX, 5). 759.981034 C198h v.5
  • Caminho das águas. Belém, 1995. 4p. il., color. PAfumbel 1995/c
  • Caminho das águas. Belém: Fundação Cultural do Município de Belém, 1995. 4p. il., color.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986. 709.81034 P645d
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d v.1 pt. 2
  • DUTZMANN, Maria Olimpia Mendes (coord.). Acervo artístico-cultural do Palácio do Governo do Estado de São Paulo. Curadoria Radhá Abramo; texto Marta Rossetti Batista, Ruth Sprung Tarasantchi, Wolfgang Pfeiffer et al. São Paulo, 1989. 152p. SPpg 1989/a
  • DUTZMANN, Maria Olimpia Mendes (coord.). Acervo artístico-cultural do Palácio do Governo do Estado de São Paulo. Curadoria Radhá Abramo; texto Marta Rossetti Batista, Ruth Sprung Tarasantchi, Wolfgang Pfeiffer, Cleide Santos Costa Biancardi, Serafina Borges do Amaral, Stella Teixeira de Barros. São Paulo, 1989. 152p. il. color, p.b.
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  • FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. Theodoro Braga e a história da arte na Amazônia In: ARRAES, Rosa (org.) A fundação da cidade de Belém. Belém: Museu de Arte de Belém, 2004. p. 31-87. PAmabe [2004]
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
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  • LIMA SOBRINHO, Barbosa. Cenas da vida brasileira: 1930/1954. 10 pinturas e 100 litografias de João Câmara Filho. Apresentação Luiz Otavio de Melo Cavalcanti; fotografia Ramires Cotias Teixeira. Recife: Prefeitura, 1980. 184 p., il. p&b. color. 759.98106 Cj172mo
  • LIMA SOBRINHO, Barbosa. Cenas da vida brasileira: 1930/1954. 10 pinturas e 100 litografias de João Câmara Filho. Recife: Prefeitura, 1980. 184 p., il. p&b. color.
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  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944. 759.981 R375h
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198). NÃO DISPONÍVEL PARA CONSULTA 709.81 R895p Ed. ilust.
  • TEMPO passado/tempo presente: acervo do Museu de Arte de Belém. Belém: MABE, 1997. 100 p., il. color. PAmabe 1997/t
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.1
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.2

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