Artigo da seção pessoas Djalma Limongi Batista

Djalma Limongi Batista

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro / cinema  
Data de nascimento deDjalma Limongi Batista: 09-10-1947 Local de nascimento: (Brasil / Amazonas / Manaus)
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Denise Del Vecchio (Francesca) em cena de Os Imigrantes , 1977 , Djalma Limongi Batista
Registro fotográfico Djalma Limongi Batista

Djalma Limongi Batista (Manaus, Amazonas, 1947). Diretor, roteirista, diretor teatral. Filho de Gilda Limongi e Djalma Batista (1916-1979), destacado intelectual e médico amazonense. Limongi cresceu entre os velhos casarões portugueses de Manaus, oriundos do ciclo da borracha.

Na capital do Amazonas, o cineasta descobre o cinema, frequentando salas que exibem as chanchadas da Atlântida, os filmes de Hollywood e da Vera Cruz. Também assiste ao cinema neorrealista italiano, além das primeiras experiências da nouvelle vague francesa no final da década de 50. Com uma câmera de 8 mm, dada de presente pelo Dr. Djalma, realiza, em 1960, seu primeiro exercício cinematográfico: o curta amador As Letras 1.

Muda-se com a família para a Brasília em 1964. Frequenta o curso de cinema na Universidade de Brasília (UNB). Lá, tem como professores Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), Nelson Pereira dos Santos (1928) e Jean-Claude Bernardet (1936).

Após o fechamento da UNB pelo regime militar, transfere-se para São Paulo. Em 1968, entra no novo curso de cinema na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), criado por Paulo Emílio e Bernardet. Entre seus colegas de turma estão Eduardo Leone, Ismail Xavier (1947) e Aloysio Raulino (1947-2013).

Sua estreia oficial no cinema dá-se com Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora (1968). A obra recebe os prêmios de melhor filme, direção, argumento e ator (Eduardo Nogueira) Festival do Cinema Amador do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. Na década de 1970, dirige o documentário de curta-metragem Porta do Céu (1973) e o curta experimental Hang-Five (1975). Ainda nos anos 1970, desenvolve trabalhos na área da fotografia e apresenta-os em exposições. Também colabora com o diretor teatral Flavio Império (1935-1985) na criação dos cenários das peças realizadas por este último.

Em 1981, apresenta ao público Asa Branca: Um Sonho Brasileiro, seu primeiro longa-metragem de ficção. A película recebe vários prêmios, entre eles, o de melhor direção e ator coadjuvante [Walmor Chagas (1930-2013)] no Festival de Brasília, melhor direção no Festival de Gramado e os prêmios Air France de Cinema de melhor filme, direção e ator [Edson Celulari (1958)].

Cinco anos depois roda Brasa Adormecida (1986) e, mais de uma década depois, realiza seu último trabalho de ficção: Bocage, o Triunfo do Amor (1997). Nesse período, leva para os palcos brasileiros, em 1991, sua versão da peça Calígula, do francês Albert Camus (1913-1960).

Análise

Durante a década 1980, o polo da produção do cinema nacional é a cidade São Paulo. Na capital paulista, são produzidos filmes de temáticas e propostas estéticas diversas, que dão corpo ao chamado “cinema paulista dos anos 80”.

Entre as principais características desse cinema, como observa Ismail Xavier, está o gosto pela citação de outras fitas, a nova relação de seus diretores com outros gêneros narrativos da indústria cinematográfica e a escolha pelo artifício, deixando de lado o “primado do real”2

É neste contexto que se insere Asa Branca: Um Sonho Brasileiro. A fita conta a história de um jogador de futebol, que sai do interior de São Paulo, para tentar a sorte na capital paulista pouco acolhedora.

O filme dialoga com os musicais de Hollywood. Suas cenas, elaboradas com maestria pelo realizador, rompem com a encenação realista e cria momentos que se assemelham a sequências de sonho. É o caso, por exemplo, do voo do protagonista sobre a cidade de São Paulo.

Asa Branca também toca em um tema delicado no futebol e, por extensão, da sociedade brasileira do período: a homossexualidade. Segundo o crítico Edmar Pereira(1953-2003), “em Asa Branca a relação entre atletas e admiradores são sempre extremamente eróticas e não necessariamente heterossexuais”. Pereira acrescenta, ainda, que esses elementos são inseridos na narrativa sem que o diretor interrompa o fluxo da ação3

Brasa Adormecida retoma a citação já em seu título, uma homenagem a Braza Dormida (1928), filme de Humberto Mauro (1897-1983), um dos pioneiros do cinema nacional. Por meio do conflito amoroso entre Bebel [Maitê Proença (1958)], Ticão (Edson Celulari) e Toni (1958)], o diretor retorna ao período da presidência de Juscelino Kubistchek (1902-1976). Na época, o Brasil deixa de se um país rural para se transformar em nação urbana.

Este retorno aos tempos de Juscelino implica uma retomada da bossa nova. A homenagem a este movimento da música brasileira está na trilha sonora da fita, realizada por Tom Jobim (1927-1994).

Segundo o jornalista Maurício Stycer (1961), Brasa Adormecida está repleto de personagens  inspirados no imaginário infanto-juvenil, dos contos de fadas e das fábulas populares 4. Amir Labaki (1963), no entanto, vê nesses elementos um dos pontos negativos da película, que se perde “no acúmulo insuportável de clichês, tanto ao período em questão quanto ao folclore brasileiro” 5

Bocage, o Triunfo do Amor é inspirado na figura mítica do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805). O filme está dividido em partes que abordam temas específicos da vida do escritor: o amor erótico, a amizade, a religião, a liberdade e a língua portuguesa. Deixa de lado as normas de um cinema convencional para submeter a narrativa à poesia de seu protagonista. Segundo José Geraldo Couto (1957), “contra a corrente conservadora que tem dominado as telas do mundo, ‘Bocage’ é um filme radicalmente alegórico, que ignora as convenções narrativas e reinventa o espaço ao sabor de suas intenções poéticas”6

Os figurinos de Bocage, criados pelo estilista Lino Villaventura (1951), fazem referência a outras realizações cinematográficas. As roupas do ator Linneu Dias (1927-2002), foram inspiradas nos trajes de Próspero, personagem de A última Tempestade (1991), filme do inglês Peter Greenaway (1942). As vestimentas do personagem Josino remetem ao protagonista de Casanova (1976), do italiano Federico Fellini (1920-1993). As de Nossa Senhora das Dores fazem referência à Virgem Maria do Decameron (1971), do também italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975).

Notas

1. NADALE, Marcel. Djalma Limongi Batista: livre pensador. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005. p. 19.

2. XAVIER, Ismail. O cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001. P. 38.

3. PEREIRA, Edmar. Um sonho brasileiro. Filme Cultura, Rio de Janeiro, p. 80, 1982. 

4. STYCER, Maurício. Em busca do delicioso tempo perdido. O Estado de São Paulo, 14 mai. 1987. Caderno 2, p. 71.

5. LABAKI, Amir. Limongi escorrega em clichês da brasilidade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 14 mai. 1987. Ilustrada, p. A-33.

6. COUTO, José Geraldo. Bocage, o triunfo do amor é criativo e vibrante. Folha de S.Paulo, São Paulo, 16 jan. 1998. Ilustrada, p. 4.

Outras informações de Djalma Limongi Batista:

  • Outros nomes
    • Djalma Limongi Batista
    • Djalma L. Batista
    • Djalma Limonge Batista
  • Habilidades
    • Fotógrafo
    • Cineasta
    • Diretor teatral

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Artigo sobre O Fotógrafo Desconhecido

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioO Fotógrafo Desconhecido: 23-11-1972  |  Data de término | 20-12-1972
Resumo do artigo O Fotógrafo Desconhecido:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Fontes de pesquisa (13)

  • BARONE, Vanessa. Figurino de ‘Bocage’ leva sua assinatura. O Estado de São Paulo, São Paulo, 26 jan. 1998. Caderno 2, p. D-7.
  • COUTO, José Geraldo. Bocage, o triunfo do amor é criativo e vibrante. Folha de S.Paulo, São Paulo, 16 jan. 1998. Ilustrada, p. 4.
  • FASSONI, Orlando L. Telas da cidade estão cheias de bons filmes. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 abr. 1982. Ilustrada
  • FASSONI, Orlando L. O fantástico bailado dos marginais. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1974. Ilustrada, p. 29.
  • LABAKI, Amir. Limongi escorrega em clichês da brasilidade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 14 mai. 1987. Ilustrada, p. A-33.
  • MOGADOURO, Flávio. Sonhos e poesias nas asas de um craque do futebol. O Estado de São Paulo, São Paulo, 27 set. 1989. Caderno 2, p. 48.
  • NADALE, Marcel. Djalma Limongi Batista: livre pensador. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005.
  • PEREIRA, Edmar. Um sonho brasileiro. Filme Cultura, Rio de Janeiro,  n. 41/42, p. 79-80, maio 1983.
  • Programa do Espetáculo - Feira do Adultério - 1976 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Parentes Labirinto: Balanço de Vida - 1973 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo- Um Homem Indignado- 2005 não catalogado
  • STYCER, Maurício. Em busca do delicioso tempo perdido. O Estado de São Paulo, 14 mai. 1987. Caderno 2, p. 71.
  • XAVIER, Ismail. O Cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • DJALMA Limongi Batista. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1085/djalma-limongi-batista>. Acesso em: 28 de Set. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7