Artigo da seção pessoas Suzana Amaral

Suzana Amaral

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Cinema  
Data de nascimento deSuzana Amaral: 28-03-1928 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 25-06-2020 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Suzana Amaral Rezende (São Paulo, São Paulo, 1928 - idem, 2020). Diretora de cinema, diretora de TV, crítica de cinema e professora. Destaca-se por seu pioneirismo como mulher à frente da direção de filmes, posição historicamente ocupada por homens, e, principalmente, por seu trabalho na recriação de obras da literatura brasileira.

Em 1968, ela ingressa no curso de cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e o conclui em 1971. Nesse período, produz os curtas-metragens Eu sou Vocês, Nós Somos Eles (1970); Semana de 22 (1970) e Sua Majestade, Piolin (1971). Em 1972, ministra aulas de roteiro e fotografia na ECA/USP.

Inicia em 1976 um mestrado em direção de cinema na Tisch School of the Arts da New York University (NYU). Também em Nova York, conclui em 1978 um curso de atuação e direção de filmes, no Actor's Studio. Finaliza o mestrado com o documentário Minha Vida, Nossa Luta (1979), que conquista o prêmio de melhor média-metragem no Festival de Brasília.

É da paixão pela literatura que nasce o primeiro longa-metragem de Suzana: A Hora da Estrela (1985), baseado no romance de Clarice Lispector (1920-1977). Assumindo a forma narrativa do filme clássico, a diretora desenvolve um estilo realista, de observação direta da experiência de Macabéa. A personagem deixa de ser anunciada por um narrador, presente no romance, e encarna, ela mesma, a pobreza existencial e a sensação de estar pouco à vontade no mundo.

Nesse filme, com um tom minimalista, Suzana leva em conta os detalhes para dar coerência ao todo. Locações, atores, cores e trilha sonora são pontos importantes na recriação da obra literária e no cuidado com a essência do romance original. Tal procedimento constrói, com diálogos, gestos, vestimentas, olhares e atitudes de Macabéa e seu namorado Olímpico, um filme que tira o máximo do mínimo, com uma simplicidade ricamente detalhada. 

O filme estreia com boa acolhida da crítica. Entre os prêmios motivados por ele, recebidos em festivais europeus, asiáticos e latino-americanos, destacam-se: doze prêmios no Festival de Brasília; o Urso de Prata de melhor atriz para Marcélia Cartaxo (1963) pela interpretação de Macabéa, concedido no Festival de Berlim; e a Ordem do Rio Branco, concedida a Suzana em 1990, pela contribuição do filme para a divulgação do Brasil no exterior. O sucesso do longa-metragem cria oportunidades profissionais para a cineasta, que posteriormente preside comissões julgadoras de festivais internacionais, como o de Havana (1987) e o de Berlim (1990).

Enquanto trabalha com cinema, Suzana também atua profissionalmente na televisão e em jornais. Na TV Cultura de São Paulo, produz e dirige programas até 1987; para a Rádio e Televisão Portuguesa (RTP), dirige a minissérie Procura-se em 1992; e para a Folha de S.Paulo, trabalha como crítica de cinema na década de 1990.

Mesmo com o sucesso do primeiro filme, a cineasta só lança o segundo longa-metragem em 2001, devido à queda na produção cinematográfica brasileira durante os anos 1990, após extinção da produtora Embrafilme no governo Collor. No novo filme, Uma Vida em Segredo, da obra do escritor Autran Dourado (1926), Suzana mantém alguns aspectos de A Hora da Estrela. Um deles é a atmosfera sem glamour em que se desenrola a trama: também um cenário urbano, mas, desta vez, interiorano. Outro aspecto é o protagonismo de uma personagem igualmente desprovida de traquejos sociais. Biela, interpretada por Sabrina Greve (1978), comporta uma personalidade rica em nuance emotiva, bem retratada em sua ingenuidade. Apesar de ter posses, ao contrário de Macabéa, não se encaixa, assim como ela, no meio em que vive.

Suzana Amaral volta a dar aulas de cinema na ECA/USP, o que faz de 1999 a 2001, e em 2002 leciona na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Em 2009, é homenageada no Festival de Toronto, em seção dedicada aos mestres do cinema. Nesse mesmo ano, finaliza Hotel Atlântico, seu terceiro longa-metragem, baseado no livro homônimo de João Gilberto Noll (1946). Em Hotel Atlântico, a cineasta apresenta uma narrativa não convencional, um road-movie protagonizado por um personagem à deriva ⎼ desta vez, uma figura masculina. Alberto (apresentado apenas como "ator") não explica o que busca e transita no presente habitado por personagens imprevisíveis e sem preocupações psicológicas. Hotel Atlântico rompe com a narrativa clássica e o estilo intimista e emocional dos filmes anteriores, pois trabalha esteticamente novas formas cinematográficas, numa linguagem mais arrojada. A diretora o considera uma obra aberta, distante de filmes de sucesso que se aproximam da estética televisiva.

Realizados no período de vinte e quatro anos, os três longas-metragens de Suzana Amaral são marcados, segundo a própria cineasta, pelo uso da técnica a serviço da emoção, que resulta da forma como o conteúdo do drama é exposto, moldado segundo uma forma pessoal de fazer cinema. Os filmes da diretora enfatizam a caracterização interna dos personagens, e é evidente a apurada técnica na direção de atores para a criação de uma atmosfera intimista, reveladora dos sentimentos, o que é corroborado pelas premiadas atuações de Marcélia Cartaxo e Sabrina Greve em A Hora da Estrela e Uma Vida em Segredo.

O interesse de Suzana Amaral por personagens supostamente desajustados coloca sob os holofotes o brasileiro comum, geralmente esquecido pela sociedade. O olhar intimista sobre tais personagens, apresentado em suas bem-sucedidas adaptações de obras literárias, faz dela uma das cineastas mais representativas do cinema brasileiro.

Outras informações de Suzana Amaral:

Obras de Suzana Amaral: (1) obras disponíveis:

Midias (1)

Suzana Amaral - Série Cinema - Jogo de Ideias (2012) - Trecho
Entrevista ao jornalista Claudiney Ferreira, no programa Jogo de Ideias, gravado em setembro de 2012, no Itaú Cultural, em São Paulo/SP, como parte da Série Cinema -- que ainda conta com Alain Fresnot, Cacá Diegues, Sandra Werneck e Silvio Tendler

Eventos relacionados (6)

Fontes de pesquisa (43)

  • AMARAL, Suzana.  A Hora da Estrela. Adaptação de Suzana Amaral e Alfredo Oroz do livro homônimo de Clarice Lispector. Roteiro de filme. São Paulo: Raíz Produçöes Cinematográficas, 1984.
  • AMARAL, Suzana. O interesse pelo sussurro. Filme Cultura, n. 48, nov. 1988, p. 64-69.
  • BARBOSA, Neusa. Viagem sem pegadas no chão: matéria sobre o início de carreira de personalidades. Bravo!, v. 11, n. 148, dez. 2009, p. 76.
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  • A hora da estrela. Quadro a Quadro, v. 1, n. 1, ago. 1994, pp. 16-9.
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  • AMARAL, Suzana. Cinema novo, de novo. Bravo!, v. 6, n. 61, out. 2002, p. 18-19.
  • AMARAL, Suzana. Mi experiencia en el cine. In: Universidad Nacional Autónoma de México (org). La mujer en los medios audiovisuales: memoria del VIII Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano. Ciudad del México: Coordinación de Difusión Cultural, Dirección de Actividades Cinematrográficas, 1987. 181p. (Cuadernos de cine, 32), p.23-28
  • AMARAL, Suzana. Um novo cinema novo. Cinemais, n. 33, jan./mar. 2003, p. 170-5.
  • ARAÚJO, Inácio. Tipos curiosos crescem diante do tédio. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 nov. 2009, Ilustrada, p.E6
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  • AVELLAR, José Carlos. O Chão da Palavra: Cinema e Literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. 440 p.
  • AZZI, Riolando. Cinema e Educação: Orientação Pedagógica e Cultural de Vídeos I. São Paulo: Paulinas, 1996. 
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  • BERNARDET, Jean-Claude. Os argentinos dão um banho nos brasileiros. Revista de Cinema, v. 3, n. 34, fev. 2003, p. 37.
  • BRASIL. MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. COORDENADORIA DA MULHER. Depoimentos de mulheres cineastas brasileiras, colhidos por Suzana Sereno. Brasília, 1985-1987. Hemeroteca da Cinemateca Brasileira. Pasta D 199.
  • CAETANO, Maria do Rosário. Suzana Amaral: Clarice Lispector tem sua melhor adaptadora. Revista de Cinema, v. 2, n. 25, p. 10-16, maio 2002
  • CAETANO, Maria do Rosário. Suzana Amaral: inspiração na literatura brasileira. Revista de Cinema, v. 10, n. 97, dez. 2009/jan. 2010, p. 24-27.
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  • Filme sobre a Semana de 22. Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 mar. 1971. (Hemeroteca da Cinemateca Brasileira. Pasta 850, documento 175).
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  • GUERRA, Flávia. A eterna busca do tempo presente. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 out. 2007, Caderno 2, p.D3
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  • MERTEN, Luiz Carlos. Tarantino falha – e filmes brasileiros decepcionam. O Estado de S. Paulo, 29 set. 2009, Caderno 2, p.D4 
  • Nas telas, mais que cenário, São Paulo vira personagem. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 out. 2007, Caderno 2, p.D3. (Anuário de Jornais da Cinemateca Brasileira. Recorte: 2007-07).
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  • POGGIALINI, Mirella. Questi brasiliani vivaci, criativi e intellettuali. Verona, 02 jul. 1986. (Hemeroteca da Cinemateca Brasileira, pasta 850, documento 117).
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  • SUPLICY, Marta. Reflexões Sobre o Cotidiano. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1986.  322 p.
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  • CINEMA brasileiro perde uma diretora incomum com a morte de Suzana Amaral. Estado de Minas, Memória, 26 jun. 2020. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/06/27/interna_cultura,1160372/cinema-brasileiro-perde-uma-diretora-incomum-com-a-morte-de-suzana-am.shtml. Acesso em: 27 jun. 2020.
  • CONTI, M. S. Suzana Amaral ousa com Macabéa sem sonhos. Folha de S. Paulo, Ilustrada, 19 jul. 2002. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1907200213.htm. Acesso em: 27 jun. 2020.
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  • MOURA, Eduardo. Morre a cineasta Suzana Amaral, diretora de 'A Hora da Estrela'. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jun. 2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/06/morre-a-cineasta-suzana-amaral-diretora-de-a-hora-da-estrela.shtml?origin=folha Acesso em: 25 jun. 2020.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SUZANA Amaral. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa107480/suzana-amaral>. Acesso em: 08 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7