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Siba

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.08.2020
16.02.1969 Brasil / Pernambuco / Recife
Sérgio Roberto Veloso de Oliveira (Recife, Pernambuco, 1969). Cantor, compositor e instrumentista. Estuda música na Universidade Federal de Pernambuco, onde conhece o etnomusicólogo estadunidense John Murphy (1965), que o contrata como assistente de pesquisa sobre cavalo marinho, folguedo típico da Zona da Mata de Pernambuco. Siba, como fica con...

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Sérgio Roberto Veloso de Oliveira (Recife, Pernambuco, 1969). Cantor, compositor e instrumentista. Estuda música na Universidade Federal de Pernambuco, onde conhece o etnomusicólogo estadunidense John Murphy (1965), que o contrata como assistente de pesquisa sobre cavalo marinho, folguedo típico da Zona da Mata de Pernambuco. Siba, como fica conhecido, aprende a tocar rabeca e desenvolve monografia sobre o instrumento.

Em 1992, funda a banda Mestre Ambrósio, uma das precursoras do movimento manguebeat. Em 1996, o grupo lança o álbum Mestre Ambrósio, com produção de Lenine (1959) e Marcos Suzano (1963). Entre as composições de Siba, "Baile Catingoso" e "Benjaab" integram a trilha sonora do filme Baile Perfumado (1996), de Paulo Caldas (1965) e Lírio Ferreira (1965). A canção "Se Zé Limeira Sambasse Maracatu" é indicada na categoria Banda/Artista Revelação para o prêmio Video Music Brasil, promovido pela MTV.

Em 1997, o grupo muda-se para São Paulo. A faixa "José" (Siba) é incluída na coletânea Strictly Worldwide (1997), do selo alemão Piranha Records, dedicado à música étnica. No ano seguinte, Mestre Ambrósio lança o disco Fuá na Casa do Cabral (1998) pela Sony Music. Várias canções de Siba são incluídas no álbum, como "Esperança", "Sêmen" e a faixa título, composta em parceria com Hélder Vasconcelos (1970). O disco é lançado em 1999, no Festival Abril Pro Rock, em Recife. O grupo realiza shows pela Europa e grava a faixa "Caçada" [Chico Buarque (1944)] para o Songbook – Chico Buarque, pela Lumiar Discos.

Participa da coletânea Baião de Viramundo – Tributo a Luiz Gonzaga (2000), na faixa "Cacimba Nova" [José Marcolino (1930-1987) e Luiz Gonzaga (1912-1989)], pelo selo YB Music. Em 2001, o grupo lança o último álbum, Terceiro Samba e realiza nova turnê pela Europa.

Siba muda-se para Nazaré da Mata, interior de Pernambuco, e encontra músicos e artistas populares de diversas gerações, como Mané Roque, Cosme Antônio, Roberto Manoel, Dyogenes Santos, Galego, Zeca e Biu Roque, mestre de cavalo marinho. Em 2002, lança o primeiro trabalho solo, Fuloresta do Samba (2002), nome pelo qual o grupo desses artistas fica conhecido. Sopros, percussão, ritmos e melodias simples são a marca deste trabalho. 

No ano seguinte, lança No Baque Solto Somente (2003), em parceria com Barachinha, um dos mestres do maracatu rural, e conta com a participação de Fuloresta do Samba. 

Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar (2007) é o segundo trabalho de Siba e a Fuloresta do Samba. O disco conta com diversas participações especiais: Céu (1980); Lúcio Maia (1971), do Nação Zumbi; Fernando Catatau, do Cidadão Instigado; e Isaar França; ex-integrante do grupo Comadre Florzinha. O trabalho preserva a formação de sopros e percussão e as composições sobre o cotidiano nordestino.

O disco seguinte, Violas de Bronze (2009), em parceria com o violeiro Roberto Corrêa (1957), apoia-se nas diferentes sonoridades da viola caipira em diálogo com a viola nordestina e a rabeca, ambas tocadas por Siba. O trabalho registra uma mistura de tendências: erudito, flamenco, tango, frevo e outros gêneros musicais. 

Em 2012, o disco solo, Avante, coproduzido por Fernando Catatau, marca a volta de Siba à guitarra elétrica e ao rock e é premiado pela Petrobrás e pela Fundação Nacional das Artes (Funarte).

Análise

Siba é fruto da geração musical pernambucana dos anos 1990, que culmina no manguebeat. Criado em Recife, mas de família vinda do agreste, as constantes idas e vindas da capital para o interior de Pernambuco são representadas em seu percurso musical. Siba, o grupo Mestre Ambrósio e o manguebeat são a expressão afirmativa da riqueza da cultura popular do estado e do Nordeste dos anos 1980. Segundo o próprio artista, depois desse período necessário para afirmação da cena artística local, ele parte em busca de novas descobertas pessoais, com a identidade local consolidada em suas referências.

Com uma formação irregular, repleta de referências da cultura popular do interior pernambucano, a universidade torna-se o caminho natural para o artista formalizar sua pesquisa musical. Por essa razão, Siba pode ser considerado um elo entre a cultura popular e o estudo formal de música representado pela universidade.

Apesar de sua discografia não ser extensa, a pesquisa pessoal é fortemente percebida em todos os trabalhos. De guitarrista passa a se dedicar à rabeca e ao canto popular, apostando na estrutura musical típica do folclore nordestino, o rondó. O refrão curto e impactante, intercalado por estrofes de melodias simples é fruto da convivência com o repente e outros gêneros nordestinos. Em "Meu time" essa característica fica evidente: "Meu time foi rebaixado pra terceira divisão / Ninguém pode ganhar campeonato / Se o juiz não tem mãe nem coração.” A canção "Sêmen" (Siba, Bráulio Tavares e Mestre Ambrósio), com refrão deslocado para o final de cada estrofe, mostra a veia repentista do artista, com métrica bem-definida, suscitando uma reflexão sobre suas origens.

Seus instrumentos musicais aparecem em momentos distintos da carreira. A rabeca, renovada técnica e esteticamente, transita com naturalidade por vários gêneros, assim como as violas caipira e de cocho, de Roberto Corrêa,  e a viola  e a guitarra nordestinas do próprio Siba.

O aprofundamento na cultura popular, em Nazaré da Mata, faz que Siba seja considerado mestre de maracatu (no Maracatu Estrela Brilhante, da cidade de Nazaré da Mata, no interior do estado), e ele se firma como um dos principais nomes da cultura popular de Pernambuco. Seu percurso é peculiar se comparado a de outros protagonistas do manguebeat. Com o grupo Mestre Ambrósio, Siba e os integrantes da banda possuem menos referências estrangeiras e estão voltados para as raízes nordestinas. Mesmo no gênero rock, com a inclusão instrumental da guitarra, Siba mantém presente as características regionais em seu trabalho. 

O disco No Baque Solto Somente (2003), parceria com o mestre Barachinha, é o maior exemplo do mergulho na cultura popular. O trabalho dedica-se exclusivamente a um gênero específico de maracatu, conhecido como rural (baque solto) em contraposição ao maracatu urbano (baque virado). Para Siba, a junção entre rock e maracatu é um processo natural. O compositor afirma que esse trabalho passa pela quebra de padrões e pelo desapego de sua própria autoimagem. Essa ruptura dá-se, necessariamente, pela volta à guitarra e ao som sujo, "no limite do áudio, do autofalante querendo explodir", como diz o próprio artista. Nesse trabalho, Siba também se rende a um formato mais tradicional da canção brasileira, deixando não tão evidente a estrutura musical do repente e do folclore nordestino em geral.

Exposições 1

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Shows musicais 2

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Fontes de pesquisa 5

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  • MURPHY, John P. Self-discovery in Brazilian popular music: Mestre Ambrósio. In: PERRONE, Charles A.; DUNN, Christopher (Ed.). Brazilian popular music and globalization. Gainesville: University Press of Florida, 2001.
  • SANDRONI, Carlos. O mangue e o mundo: notas sobre a globalização musical em Pernambuco. Revista Claves, Universidade Federal da Paraíba, 2009.
  • SIBA. Site oficial do artista. Disponível em: http://www.mundosiba.com.br. Acesso em: nov. 2012.
  • SIBA: Nos Balés da Tormenta. Direção: Pablo Francischelli; Caio Jobim. Documentário. 82 min., colorido. DobleChapa Filmes, 2012.
  • TELES, José. Do frevo ao manguebeat. São Paulo: Editora 34, 2000. (Coleção Todos os Cantos).

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