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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Rubens Teixeira Scavone

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2021
07.07.1925 Brasil / São Paulo / Itapira
17.08.2007 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Série 50s035, 1950
Rubens Teixeira Scavone
Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
40,00 cm x 40,00 cm

Rubens Teixeira Scavone (Itapira, São Paulo, 1925 – São Paulo, São Paulo, 2007). Fotógrafo, escritor e jurista. Destaca-se por sua atuação no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) como um dos integrantes da Escola Paulista – importante movimento de fundação e consolidação da fotografia moderna no Brasil. Também é reconhecido por sua extensa produçã...

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Rubens Teixeira Scavone (Itapira, São Paulo, 1925 – São Paulo, São Paulo, 2007). Fotógrafo, escritor e jurista. Destaca-se por sua atuação no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) como um dos integrantes da Escola Paulista – importante movimento de fundação e consolidação da fotografia moderna no Brasil. Também é reconhecido por sua extensa produção literária, sendo um dos autores pertencentes à primeira onda da ficção científica no país.

Filho de escritores, tem a literatura como parte importante de sua formação. Gradua-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1948, e ingressa no Ministério Público de São Paulo em 1949. Durante seus anos de trabalho no interior do estado, exerce atividades fotográficas, sendo fundador e presidente do Foto Cine Clube de Jaboticabal, em 1953, e do Foto Cine Clube de Rio Preto, em São José do Rio Preto, em 1955.

Torna-se sócio do FCCB, aparecendo como tal pela primeira vez no Boletim Foto-Cine n. 86, de 1954, quando assina texto crítico a respeito do 12º Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo. Na edição subsequente, sua fotografia Abstração #5 (1954) figura na capa da publicação. Tal obra traz um recorte de cartazes de rua deteriorados. Partindo de objetos existentes no cotidiano da cidade e, a princípio, construindo uma fotografia figurativa, o artista chega à valorização da composição num grau extremo e que aponta para uma configuração abstrata, assim como o próprio título evoca. 

Scavone contribui ainda para o periódico da associação com outras críticas e resenhas de livros. No início de 1956, passa a ser diretor de redação, permanecendo no cargo até o final de 1960. Articula no texto Considerações sobre o Fotograma (1956) a defesa da prática fotográfica sem câmera, utilizando apenas papel fotográfico, luz e objetos. Na realização dos fotogramas1, descola-se completamente do tema, importando apenas o arranjo das formas e dos volumes. Segundo Scavone, é assim que o fotógrafo pode demonstrar sua maestria e se diferenciar do “burguês frustrado que deve abandonar o terreno mágico do abstrato para se restringir à visão acanhada do mundo visível”2.

Ainda em 1956, é promovido de sócio júnior para sênior, recebe o título de Artist pela Federation Internationale d’Art Photographic (A-FIAP), em reconhecimento ao valor artístico e técnico de seus trabalhos, e passa a compor a comissão de seleção do Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo, da qual faz parte até 1959.

Participa do júri de seleção e escreve o texto principal do Anuário Brasileiro de Fotografia (1957), importante livro que busca fazer um balanço do estado da fotografia mundial, reafirmá-la como arte por meio da visão de cada fotógrafo e servir como vitrine para o FCCB e a Escola Paulista no Brasil e em outros países. Scavone também aparece como fotógrafo no Anuário com três imagens, entre elas está Composição Vertical com Linhas e Massas (1956), exibida em Barcelona e Buenos Aires. Nessa fotografia, características arquitetônicas urbanas são fotografadas do ponto de vista do chão para o alto, ressaltando os volumes e as linhas escuros sobre o céu branco. Percebe-se que se trata de um prédio na porção inferior da foto, contudo a visão de quem observa é alterada pelo ângulo inusitado, que termina por ressaltar aquilo mesmo que o autor veicula no título: linhas e massas, ou seja, a composição. Mais uma vez interessa ao fotógrafo partir daquilo que encontra no mundo para sobressaltar as características formais de sua visão criadora.

Intensifica suas atividades como escritor de literatura de ficção científica a partir de 1958, com a publicação de O Homem que Viu o Disco-Voador, sob o pseudônimo Senbur T. Enovacs – um anagrama de seu nome. O romance narra o contato estabelecido entre a personagem do comandante Eduardo Germano de Resende e seres alienígenas na Ilha da Trinidade, no Espírito Santo. Scavone reduz gradativamente sua prática fotográfica, participando, ainda assim, da comissão de seleção e premiação do 1º Festival Internacional em Branco e Preto, em conjunto com o 1º Festival Internacional de Cor (Diapositivos) em 1969.

Em 1973, a Câmara Brasileira do Livro agracia Rubens T. Scavone com o Prêmio Jabuti de melhor romance por Clube de Campo (1973), obra próxima ao gênero policial, que em seu enredo desvenda o mistério sobre o assassinato de uma jovem em um clube às margens de uma represa em São Paulo. Em setembro de 1988, é eleito para ocupar a cadeira de número 18 da Academia Paulista de Letras. De 1997 a 1998, torna-ses o 13º acadêmico a presidir a instituição. Além dos romances, publica contos, ensaios, novelas, antologias e participa de coletâneas.

Artista múltiplo, Rubens T. Scavone emprega tanto na fotografia quanto na literatura sua capacidade observadora e verve inventiva, reorganizando o mundo para criar outros. Linhas, volumes e palavras são os elementos iniciais a partir dos quais executa com excelência suas composições formais.

 

Notas:

1. O fotograma aqui citado se refere às fotografias realizadas sem o uso da câmera e a partir da luz, de objetos dos quais se queira imprimir a forma e de materiais fotossensíveis. Difere-se do fotograma em cinema, em que cada quadro compõe o todo encadeado da película ao reproduzir movimento.

2. SCAVONE, Rubens Teixeira. Considerações sobre o fotograma. Boletim Foto-Cine, São Paulo, ano IX, n. 101, p. 23-26, ago.-nov. 1956. Disponível em: http://fotoclub.art.br/wp-content/uploads/2019/12/101_boletim_agosto-novembro_1956_vol_09.pdf. p.26 Acesso em: 9 nov. 2020. 

Obras 4

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Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Abstração#5

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Série 50s035

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Série 50s047

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Varal#4

Tinta mineral sobre premiun luster photo paper

Exposições 14

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Fontes de pesquisa 17

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