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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

José Oiticica Filho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2021
1906 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1964 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Recriação 14-1, 1958
José Oiticica Filho
Fotograma gelatina e prata sobre papel

José Oiticica Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1906 - idem 1964). Fotógrafo, pintor, entomologista e professor. Filho do pensador anarquista e filólogo José Oiticica (1882-1957) e pai dos artistas visuais Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939), é uma das principais figuras da moderna fotografia brasileira. Forma-se na Escola Na...

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José Oiticica Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1906 - idem 1964). Fotógrafo, pintor, entomologista e professor. Filho do pensador anarquista e filólogo José Oiticica (1882-1957) e pai dos artistas visuais Hélio Oiticica (1937-1980) e César Oiticica (1939), é uma das principais figuras da moderna fotografia brasileira. Forma-se na Escola Nacional de Engenharia em 1930, no Rio de Janeiro. Leciona matemática nos colégios Jacobina, Pedro II, na Faculdade Nacional de Medicina e no Colégio Universitário, entre 1928 e 1962. É entomólogo especializado no Museu Nacional da Universidade do Brasil de 1943 a 1964. Um dos mais influentes membros do movimento fotoclubístico no país, integra o Foto Clube Brasileiro e a Associação Brasileira de Arte Fotográfica, no Rio de Janeiro, e o Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo. Participa de exposições em diversos países, recebe premiações e é incluído numa lista dos melhores fotógrafos do mundo, constituída pela Fédération Internationale d'Art Photographique. Em sua trajetória como fotógrafo desenvolve trabalhos utilitários, que são as microfotografias realizadas para documentar seu trabalho de pesquisador; passa pelos fotoclubes, que congregavam fotógrafos em torno de discussão acerca da técnica e da estética da fotografia; realiza fotografias abstratas e adere ao construtivismo, aprofundando a crítica ao figurativo e experimentando novas possibilidades no processo em laboratório, onde recria a imagem fixada pela câmera.

Análise

José Oiticica Filho dedica-se à engenharia eletrônica e à matemática. Posteriormente, trabalha como entomólogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Com o uso da microfotografia no estudo de insetos, interessa-se pelas possibilidades artísticas da fotografia. No início dos anos 1940, participa de várias associações de fotoclubismo, torna-se um fotógrafo de renome, expondo também no exterior.

Passa a fazer montagens fotográficas, com o objetivo de criar novos efeitos em suas fotos. Em O Túnel (1951), parte de duas diferentes fotografias: dos trilhos de bonde de uma rua e a foto recortada de uma floresta. Os fragmentos são montados sobre um fundo totalmente negro. Neste caso, a montagem simula o realismo: O Túnel parece, à primeira vista, uma imagem captada do real. A preocupação com a geometrização pode ser notada em Triângulos Semelhantes e em Um que Passa (ambas de 1953), nas quais explora também a incidência de luz e as sombras de edifícios.

Em Composição Óbvia (ca.1955), um marco em seu trabalho, José Oiticica, retoca inteiramente a foto, realçando as formas geométricas. Como nota a estudiosa sobre fotografia Helouise Costa, o artista, ao iniciar as pesquisas no campo da abstração, passa a negar a possibilidade de criação com o aparelho fotográfico e valoriza o papel do trabalho técnico em laboratório para a obtenção da expressão artística. Experimenta vários processos para atingir a abstração.

Oiticica Filho procura obter imagens não figurativas, com base em processos como o fotograma, que consiste na exposição direta de objetos ao papel fotossensível. Este processo transforma objetos de uso cotidiano em imagens misteriosas. As fotografias de José Oiticica Filho mantêm, assim, um diálogo com obras de fotógrafos norte-americanos, como Man Ray (1890-1976). Estas têm também afinidades na preocupação com as questões relacionadas à luz e superfície com as experiências no campo da fotografia realizadas por László Moholy-Nagy (1894-1946). Para o crítico Paulo Herkenhoff, no trabalho desses artistas "rompe-se a separação entre a pintura e a fotografia para se afirmar um campo comum das artes visuais ou plásticas".1

Em 1955, produz a série Paredes de Ouro Preto - fotografias de detalhes ou ampliações de muros, nas quais se percebem as marcas do tempo sobre as construções. José Oiticica passa então a elaborar superfícies para fotografar a abstração. Desenha em papel, ao qual é sobreposto vidro corrugado, que evita reflexos, dilui as formas e fornece uma outra textura à imagem. Realiza desenhos ou pinturas que são fotografados, o negativo é ampliado para produzir um positivo transparente, os desenhos são sobrepostos e copiados, resultando uma nova transparência e assim sucessivamente. Obtém imagens que são formas em expansão e apresentam grande dinamismo, nomeando-as Recriações. Recriação 38 A/64 (1964), por exemplo, apresenta pinceladas largas, em vários sentidos, fotografadas em alto-contraste. Nesta obra, o autor explora as texturas das pinceladas, a sugestão de dinamismo e a energia do gesto.

Algumas Recriações são concebidas como fotografias construtivas, como, por exemplo, Recriação 1-5 (1959). Na opinião de Paulo Herkenhoff existe um diálogo entre algumas Recriações fotográficas de José Oiticica e obras como Metaesquemas, de Hélio Oiticica (1937 - 1980) - seu filho. Para o crítico, em ambos existe um módulo padrão que é desdobrado de maneiras diversas: nas dimensões ou na direção; têm também em comum o caráter gráfico, com as oposições entre formas de cores claras e fundo escuro ou vice-versa. José Oiticica trata a cópia fotográfica como superfície: prepara a composição a ser fotografada e produz sucessivas transparências em negativo e positivo. O artista explora, desse modo, as inúmeras possibilidades de criação a partir das cópias fotográficas.

Notas

1. HERKENHOFF, Paulo. A trajetória: da fotografia acadêmica ao projeto construtivo. In: JOSÉ OITICICA FILHO: a ruptura da fotografia nos anos 50. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1983, p. 17.

Obras 3

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Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Estudo com Cálices

Gelatina e prata sobre papel
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Ouropretense

Fotografia, gelatina e prata sobre papel
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Recriação 14-1

Fotograma gelatina e prata sobre papel

Exposições 131

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Fontes de pesquisa 4

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  • COSTA, Helouise, RODRIGUES, Renato. A fotografia moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 1995.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • OITICICA FILHO, José. A Ruptura da fotografia nos anos 50. Rio de Janeiro: Funarte, 1983. 97 p., il. p&b.

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