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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ivens Machado

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
1942 Brasil / Santa Catarina / Florianópolis
12.05.2015 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Sem Título, 1990
Ivens Machado
Concreto armado, pigmento e madeira
Coleção Thomas Cohn

Ivens Olinto Machado (Florianópolis, SC, 1942 - Rio de Janeiro, RJ, 2015). Escultor, gravador e pintor. Estuda gravura na Escolinha de Arte do Brasil (EAB), no Rio de Janeiro. É aluno de Anna Bella Geiger (1933). No início da década de 1970, realiza obras em papel, utilizando materiais como folhas pautadas ou quadriculadas, nas quais realiza int...

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Biografia
Ivens Olinto Machado (Florianópolis, SC, 1942 - Rio de Janeiro, RJ, 2015). Escultor, gravador e pintor. Estuda gravura na Escolinha de Arte do Brasil (EAB), no Rio de Janeiro. É aluno de Anna Bella Geiger (1933). No início da década de 1970, realiza obras em papel, utilizando materiais como folhas pautadas ou quadriculadas, nas quais realiza interferências. Em 1974, faz sua primeira exposição individual na Central de Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. É premiado em 1973 no 5º Salão de Verão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), com a instalação Cerimônia em Três Tempos. Destaca-se em seu trabalho o uso frequente de materiais de arquitetura como ferro, concreto e argila. Em suas obras apresenta formas brutas e superfícies irregulares, que evocam o acabamento rústico das casas pobres. Outras peças aludem ao universo sexual, por suas formas que permitem associações com o corpo humano. Esses trabalhos, realizados em cimento, contém fragmentos de telhas coloniais em sua superfície. A obra de Ivens Machado abre-se a reflexões acerca da memória social e histórica, por meio de suas formas e materiais.

Comentário Crítico
Ivens Machado, no início da década de 1970, realiza obras em papel utilizando materiais como folhas e cadernos pautados ou quadriculados, nos quais realiza interferências, como na série Fluidos Corretores (1974). Em um primeiro olhar, os desenhos reproduzem fielmente as pautas de um caderno. Porém o observador mais atento percebe que as linhas mudam repentinamente de direção, se partem ou se mantêm presas. Como nota o crítico Fernando Cocchiarale, à lógica do poder desse espaço marcado para o aprendizado o artista impõe uma outra lógica. Essas páginas de caderno jamais serão escritas. As linhas interrompidas, deslocadas de seu contexto habitual, pertencem ao campo da arte.

A década seguinte é marcada por um maior envolvimento do artista com a escultura. A obra Mapa Mudo (1979) é um mapa do Brasil feito com cacos de vidro verde cravados sobre cimento. Realizada durante a ditadura militar, a imagem evoca ao mesmo tempo as exuberantes florestas brasileiras e os muros das residências bem protegidas, sendo também um símbolo das fronteiras sociais e políticas no país. Na opinião do crítico Agnaldo Farias, a obra de Ivens Machado posiciona-se contra um projeto que se despreocupa da definição de propósitos e da função da arte - é uma arte que quer significar. Com a série de objetos de cimento e cacos de vidro, Machado opõe-se a um projeto de arte tátil, criando objetos que impedem qualquer contato por parte do observador.

Em sua produção Ivens Machado parte, portanto, de elementos sem relação harmônica entre si, utilizando muitas vezes materiais da construção civil. Trabalha com formas brutas e superfícies irregulares, geralmente de cimento, em que são encravados outros materiais como azulejo, vergalhão de aço, madeira ou telha de cerâmica. Utiliza como valores cromáticos as tonalidades originais dos materiais, como o vidro verde ou as telhas de cerâmica; algumas vezes usa pigmentos como o pó xadrez. Destaca-se em sua produção a conotação sexual de algumas de suas obras associada à brutalidade dos materiais - o resultado varia do humor à agressão.

Já em esculturas como Trambolhos e Muruduns (1985), o artista recupera estruturas e cores que lembram também o artesanato popular e a precariedade das habitações pobres. Suas esculturas causam estranheza, por sugerir objetos identificáveis, formas da natureza ou fragmentos do corpo humano e fazer referência a objetos de culturas primitivas. Em obras expostas em 1988, os objetos lembram cadeiras ou outros móveis, porém são esquisitos e incômodos ao olhar.

O artista de alguma maneira reorganiza os códigos da escultura convencional - trabalha ainda com questões como volume e massa -, e se torna um dos principais representantes de sua geração.

Obras 18

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Bumerangue

Concreto e vidro
Reprodução fotográfica Roberta Coelho

Índia

Cimento e ferro
Reprodução fotográfica Vicente de Mello

Mapa Mudo

Concreto armado e vidro
Registro fotográfico Sérgio Guerini/Itaú Cultural

O Consolador

Concreto armado e vidro

Exposições 164

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Eventos relacionados 1

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Fontes de pesquisa 16

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  • Artista Ivens Machado morre aos 72 anos após cair de escada no Rio. G1 Rio. Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/05/artista-ivens-machado-morre-aos-72-anos-apos-cair-de-escada-no-rio.html. Acesso em: 13 maio 2015.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • DOCTORS, Márcio. Ivens Machado: exorbitando a pureza. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 11. p. 90-93, 1988.
  • DOCTORS, Márcio. Ivens Machado: o engenheiro de fábulas. Rio de Janeiro: Paço Imperial; São Paulo: Pesp; Curitiba: MAC/PR, 2002.
  • ESCULTURA brasileira: da Pinacoteca ao Jardim da Luz. Curadoria e texto Agnaldo Farias. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2000. 95 p., il. color.
  • FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002. (Folha explica, 40).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • MACHADO, Ivens. Ivens Machado. Textos de Fernando Cocchiarale e Eduardo Jardim. Rio de Janeiro: Galeria Saramenha, 1979.
  • MACHADO, Ivens. Ivens Machado. Tradução Fernanda Schnnoor. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1994. , il., foto p&b., s.p.
  • MACHADO, Ivens. Ivens Machado: o engenheiro de fábulas. Texto Ligia Canongia, Paulo Sérgio Duarte, Eduardo Jardim, Fernando Cocchiarale, Paulo Herkenhoff, Milton Machado, Márcio Doctors. Rio de Janeiro: Edição do autor, 2001. 199 p., il. color.
  • MACHADO, Milton. Ivens Machado. In: BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 22., 1994, São Paulo, SP. Catálogo geral de participantes. Organização Nelson Aguilar. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994. 438 p., il. color. pp. 63-65.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte contemporânea. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso; tradução Arnaldo Marques, Ivone Castilho Benedetti, Izabel Murat Burbridge, Katica Szabó, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • MUSEU DE ARTE MODERNA (SÃO PAULO, SP). Arte brasileira no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo: doações recentes 1996-1998. Curadoria Tadeu Chiarelli. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1998.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ROELS JR., Reynaldo. Auto-suficiência da escultura. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 abr. 1987.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.

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