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Teatro

Angela Leite Lopes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
03.02.1958 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Angela Mousinho Leite Lopes (Rio de Janeiro RJ 1958). Professora, tradutora, dramaturgista e diretora. Reconhecida por seu trabalho de intercâmbio entre o teatro francês e o teatro brasileiro, faz traduções de francês e português e participa de realizações cênicas ou editoriais como diretora, curadora ou organizadora de coleções voltadas para es...

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Biografia
Angela Mousinho Leite Lopes (Rio de Janeiro RJ 1958). Professora, tradutora, dramaturgista e diretora. Reconhecida por seu trabalho de intercâmbio entre o teatro francês e o teatro brasileiro, faz traduções de francês e português e participa de realizações cênicas ou editoriais como diretora, curadora ou organizadora de coleções voltadas para essas duas culturas.

Em 1981, conclui o bacharelado em artes cênicas, na habilitação teoria do teatro, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Obtém o 2º lugar no 5º Concurso Nacional de Monografias, promovido pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas (Inacen), em 1980, com o ensaio Nelson Rodrigues e o Fato do Palco, publicado em 1983. Realiza, no mesmo ano, seu primeiro trabalho como dramaturgista em A Vida como Ela É, adaptação de contos de Nelson Rodrigues, com direção de Artur Faria, no projeto Cenas Cariocas, do RioArte.

No início dos anos 1980, torna-se membro do conselho editorial da revista Ensaio/Teatro, editada por Yan Michalski entre 1978 e 1982. Leciona na Unirio de 1983 a 1989. Presta assessoria teórica como dramaturgista a três peças dirigidas por Bia Lessa: Ensaio nº 1- A Tragédia Brasileira, 1984; Ensaio nº 2 - O Pintor, 1985; e Ensaio nº 3 - Idéias e Repetições - Um Musical de Gestos, 1986.

Cursa o doutorado em filosofia na Université de Paris I, Panthéon-Sorbonne, França, e defende, em 1985, a tese O Trágico no Teatro de Nelson Rodrigues, publicada em 1993,1 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o título Nelson Rodrigues: Trágico, então Moderno. O livro é considerado por Gerd Bornheim "[...] um fascinante ensaio sobre a obra do nome maior do teatro brasileiro. [...] E este esforço todo, tão lindamente realizado, oferece ainda ao leitor uma inteligente discussão, que perpassa todo o livro, sobre o sentido e o alcance do fenômeno trágico. Assim, paralela à análise da obra de Nelson corre uma perspicaz meditação sobre o próprio conceito de tragédia - o que torna a leitura deste ensaio duplamente convidativa".2

Traduz A Princesa Branca - Cena à Beira-Mar, de Rainer Maria Rilke, peça que marca sua estreia na direção, em 1988. Interpreta a personagem Sônia, em Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues, com direção de Antonio Guedes, em 1989, ano em que o setor de teatro do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, coordenado por Angela, é indicado ao Prêmio MinC - Troféu Mambembe na categoria grupo, movimento ou personalidade. Dirige e traduz o texto do espetáculo Ariadne, baseado no poema dramático de Marina Tsvetaieva, em 1991.

Na década de 1990, traduções da obra dramática de Nelson Rodrigues para o francês são publicadas por editoras francesas, possibilitando encenações na França e na Bélgica. Senhora dos Afogados e Valsa nº 6 são publicadas pela Christian Bourgois, em 1990. Senhora dos Afogados [Dame des Noyés] é dirigida por Eleonora Rossi, em 1992, com a Compagnie de Théâtre Européen L'Argo, no Théâtre des Arènes de Montmartre, no Festival de la Butte, em Paris. Valsa nº 6 [Valse nº 6] é encenada por Henri Ronse, em 1993, no Théâtre de L'Etuve, em Liège, Bélgica, e representada em Paris, com direção de Alain Ollivier, no Théâtre 13, em 1995. Esse mesmo diretor monta Toda Nudez Será Castigada [Toute Nudité Será Châtiée], no Studio Théâtre de Vitry, Paris, em 1999, ano em que esta peça é publicada, junto com O Beijo no Asfalto [Le Baiser sur l'Asphalte], pela editora Actes Sud-Papiers.

Por seu trabalho como tradutora é contemplada, em 1994, pelo Ministère de la Culture et de la Francophonie [Ministério da Cultura e Francofonia] da França, com uma bolsa de residência de dois meses no Collège International des Traducteurs Littéraires [Colégio Internacional de Tradutores Literários]. Em 1995, dirige Moema - 1º Movimento, peça de sua autoria, e é convidada a dirigir o espetáculo Frankenstein, de Mary Shelley, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Coautora, responsável pelos verbetes sobre o teatro no Brasil, da enciclopédia mundial de artes do espetáculo La Scène Moderne, de Giovanni Lista, publicada pela Editions Carré-Actes Sud, Paris, é agraciada com a comenda de Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres, do Ministério da Cultura da França, em 1997. No ano seguinte, torna-se professora adjunta do Departamento de Artes Utilitárias (BAU), da Escola de Belas Artes da UFRJ. Desde 1998, integra o conselho editorial da revista de ensaios Folhetim, editada pelo Teatro do Pequeno Gesto.

A peça Dois Perdidos numa Noite Suja, de Plínio Marcos, com tradução de Angela para o francês, é editada pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) e lançada em Paris no 18º Salão do Livro, em 1998, ano em que o Brasil é o país convidado do evento. Dirige desde 1998 a coleção Dramaturgias, da editora 7Letras, que privilegia a tradução de peças de língua francesa. Nessa coleção constam suas traduções de O Cid, de Pierre Corneille; Carta aos Atores, Para Louis de Funès, Diante da Palavra, A Inquietude, O Animal do Tempo, Vocês que Habitam o Tempo e O Ateliê Voador, de Valère Novarina; A Princesa Branca - Cena à Beira-Mar, de Rainer Maria Rilke; Loretta Strong, de Espolio Copi; e Santo Elvis e Monsieur Armand, Vulgo Garrincha, de Serge Valletti.

Em outubro de 2003, coordena na cidade do Rio de Janeiro a Mostra Brasil-Europa de Dramaturgia Contemporânea - uma iniciativa do Atelier Européen de la Traduction, com sede na Scène Nationale d'Orléans, França - com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Consulado Geral da França, Funarte e UFRJ. Traduz para o francês duas peças do dramaturgo carioca Roberto Alvim: Qualquer Espécie de Salvação, apresentada como leitura dramatizada em 2005, no Théâtre de la Cité Internationale, em Paris; e Às Vezes É Preciso Usar um Punhal para Atravessar o Caminho, encenada em 2007, no Théâtre du Crochetan, em Monthey, Suíça. Participa da edição trilíngue de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, montado nas comemorações do ano Brasil na França, em 2005, e editado pela Nova Fronteira, em 2007.

Idealiza o projeto Novarina em Cena, e faz a curadoria do evento, realizado no Rio de Janeiro, de junho a agosto de 2009, ano da França no Brasil, no Espaço Sesc, UFRJ e Teatro Glauce Rocha. O projeto, coordenado pela atriz e diretora teatral Ana Kfouri, conta com a montagem de cinco espetáculos, lançamento em livro de duas peças, fórum de conferências e uma mesa-redonda. O evento é valorizado pela presença de Valère Novarina, considerado um dos autores teatrais contemporâneos mais conceituados na França, e de Claude Buchvald, uma das principais encenadoras de sua obra. O crítico Macksen Luiz enfatiza o nível da tradução dos textos O Animal do Tempo e A Inquietude, encenados na ocasião: "A destacar ainda a excelente tradução de Angela Leite Lopes, que transpôs para o nosso idioma em versão escorreita, sonante, criativa que se reinventa vernacularmente, numa evidência de compreensão extensiva do original".3

Notas
1. A 2º edição, pela Nova Fronteira, é publicada em 2007.

2. BORNHEIM, Gerd. In: LOPES, Angela Leite. Nelson Rodrigues: trágico, então moderno. Rio de Janeiro: UFRJ: Tempo Brasileiro, 1993. 4ª capa.

3. LUIZ, Macksen. Reina o malabarismo verbal. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 jul. 2009. Cad. B, p.B4.

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Fontes de pesquisa 3

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  • Curriculum vitae, programas e clipping de peças teatrais integrantes do acervo pessoal de Angela Leite Lopes.
  • LOPES, Angela Leite. Nelson Rodrigues: trágico, então moderno. Rio de Janeiro: UFRJ: Tempo Brasileiro, 1993, 4ª capa.
  • LUIZ, Macksen. Reina o malabarismo verbal. Jornal do Brasil, Cad. B, Rio de Janeiro, 23 jul. 2009, p.B4.

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