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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Maria José Carrasqueira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.11.2021
07.10.1948 Brasil / São Paulo / Itu
Maria José Dias Carrasqueira de Moraes (Itu, São Paulo, 1948). Pianista, cravista, educadora e pesquisadora. Filha do flautista João Dias Carrasqueira (1908-2000). Cresce em São Paulo, onde inicia, aos 5 anos, estudos de piano com Lúcia Latorre. Desde a adolescência, atua como solista na Orquesta Câmara da Sociedade Bach e na Orquestra Jovem de ...

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Maria José Dias Carrasqueira de Moraes (Itu, São Paulo, 1948). Pianista, cravista, educadora e pesquisadora. Filha do flautista João Dias Carrasqueira (1908-2000). Cresce em São Paulo, onde inicia, aos 5 anos, estudos de piano com Lúcia Latorre. Desde a adolescência, atua como solista na Orquesta Câmara da Sociedade Bach e na Orquestra Jovem de São Paulo. Aos 16 anos, torna-se aluna de piano de Lina Pires de Campos (1918-2003) e, pouco depois, frequenta o curso de análise e história da música brasileira, do compositor e regente brasileiro Camargo Guarnieri (1907-1993). Assiste também às master classes de pianistas como os brasileiros Jacques Klein (1930-1982) e Magda Tagliaferro (1893-1986), o suíço Charles Dobler (1923-2014), os austríacos Bruno Seidlhofer (1905-1982) e Jörg Demus (1928-?) e a cravista francesa Huguette Dreyfus (1928-2016).

Em 1974, depois de se formar em letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), recebe bolsa do Conservatório de Genebra e parte para a Suíça, onde se aperfeiçoa em piano com  Harry Datyner (1923-1992) e em música de câmara com Doris Rossiaud (19?-?). No mesmo período, frequenta aulas com a pianista francesa Éliane Richepin (1910-1999) na Université Musicale Internacionale de Paris. Em 1985, participa do International Institute for Chamber Music, em Munique (Alemanha), com bolsa de estudos da Adelphy University (Estados Unidos). Integra vários conjuntos de câmara, entre eles, o Duo Carrasqueira – ao lado do irmão, o flautista Antonio Carlos Carrasqueira –, os Mestres Cantores e a Compagnia Brasileira de Música.

A partir dos anos 2000, apresenta-se internacionalmente como solista e camerista, com destaque para o concerto, em 2008, no Weill Hall do Carnegie Hall de Nova Iorque, com o Duo Carrasqueira. Ao longo da carreira, apresenta-se sob a regência do brasileiro John Neschling (1947), do indiano Zubin Mehta (1936) e do armênio Ruben Asatryan (1959). Desde 1972, leciona piano e música de câmara em instituições paulistas, como a Escola Superior de Música Santa Marcelina, a Universidade São Judas Tadeu, a Faculdade Santa Marcelina e a Universidade de Campinas. Também ministra cursos em universidades norte-americanas, como a Harvard University e a Berklee College of Music. Coordena a revisão crítica dos livros O Melhor de Pixinguinha (1997) e O Livro de Pattápio Silva (2001), editados pela Irmãos Vitale. É idealizadora e diretora artística da Compagnia Brasileira de Música (1990), fundadora do Trio Lumière (2000) e idealizadora e produtora artística da série Régia Música, editada pela gravadora Paulinas Comep. Sua discografia inclui registros solos, em duos e com orquestra. Seu trabalho é reconhecido com o Troféu da Ordem dos Músicos do Brasil em 1983 e 1987, o Troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca) em 1996 e o Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Música Erudita em 1996. É mestre (1995) e doutora (2001) em artes pela Universidade de São Paulo (USP).

O ambiente musical familiar de Maria José Carrasqueira marca a carreira da pianista. João Dias passa à filha o amor incondicional pela música, o respeito à pluralidade de expressões e a importância de difundir a produção musical brasileira. Para o flautista, não é possível interpretar a música de outros países sem o domínio da linguagem nacional. Por isso, é um dos primeiros a valorizar o repertório de compositores como Patápio Silva (1880-1907) e Pixinguinha (1897-1973). Contrário à segregação de gêneros, toca tanto com chorões – como Pixinguinha ou Jacob do Bandolim (1918-1969) –, quanto com grupos de câmara e orquestras eruditas – com músicos como Camargo Guarnieri ou A. Hollnagel). Considera que o choro e as músicas eruditas possuem o mesmo grau de complexidade. 

Maria José Carrasqueira cresce nesse ambiente, interpretando as mazurcas de Patápio Silva e as sonatas de Johann Sebastian Bach (1685-1750) ao lado do pai. 

Essa pluralidade amplia-se na convivência com os músicos que passam por sua vida. Integra a Orquestra de Câmara da Sociedade Bach, na qual descobre o cravo – trazido da Europa pelos diretores da Sociedade Bach, Martin (1901-1991) e Tatiana (1903-1988) Braunwieser –, que se torna seu segundo instrumento. Ao interpretar os concertos de Bach no instrumento original, compreende suas particularidades, respirações e seus fraseados. Esse novo mundo leva-a a procurar a professora de piano Maria Helena Silveira e a buscar aulas com a cravista francesa Huguette Dreyfus e com o pianista austríaco Jörg Demus. Este, possui pianos de época e lhe dá a chance de tocar o repertório no instrumento específico de cada composição.Tais experiências transformam sua atuação como pedagoga e intérprete:

a maneira de se analisar uma obra abrange todos os preceitos que vem antes dessa e que nela culminam. O Romantismo possui uma agógica diferente do Classicismo, por exemplo, mas, ao se analisar Brahms, percebemos que ele em si traz toda a bagagem da Renascença, do Barroco. Tocar esses dois instrumentos muda a minha compreensão da abrangência do espectro dinâmico, da análise dos aspectos estilísticos e, consequentemente, da agógica resultante1.

A seriedade de séculos de tradição musical aliada à diversidade das expressões musicais brasileiras norteia sua atuação como intérprete, pesquisadora e produtora cultural.

Não é de espantar o interesse e o cuidado no resgate das 70 obras que compõem o volume crítico de O Melhor de Pixinguinha. A pesquisa relacionada à reedição crítica das obras para piano e flauta de Patápio Silva recebe o mesmo tratamento. Da mesma forma, compreende-se o desejo pela criação da série Régia Música, que abre espaço para a gravação de intérpretes e compositores brasileiros. 

O mesmo respeito aplica-se à difusão de novas obras: Carrasqueira faz a revisão integral do “Concerto n. 3”, de Edmundo Villani-Côrtes (1930), antes da edição, para realizar sua estreia armênia em 2010. 

Valoriza o contato com outros compositores vivos, difundindo a obra de nomes como Aylton Escobar (1943), Rodolfo Coelho de Souza (1952), Gilberto Mendes (1922-2016) e Paulo Costa Lima (1954). Além disso, realiza estreias de obras como as “Cartas Celestes” n. 7 e n. 10 (que lhe é dedicada), de Almeida Prado (1943-2010), de peças de D. Garcia, de J. Manzolli, entre outros. Sua busca por uma diversidade que complemente sua visão da música expressa-se, também, pela escolha de seus professores. Estuda com Camargo Guarnieri, compositor que defende a escola nacionalista de Mário de Andrade (1893-1945). Ao mesmo tempo, frequenta os encontros do compositor Willy Corrêa de Oliveira (1938), um dos signatários do Manifesto Música Nova (1963)2, que defende a música de vanguarda.

Os professores com quem trava relação mais prolongada são os da corrente nacionalista: Lina Pires de Campos (1918-2003)  e Camargo Guarnieri. Este, tema de seu mestrado e doutorado. A pesquisadora vê nele um  “interlocutor em questões interpretativas e de execução, mormente à música brasileira, tornando-se um de meus pilares na construção de minha postura [como] pianista brasileira”3. Isso talvez explique por que sua discografia não contemple nenhum dos compositores de vanguarda, apesar do seu amor pela diversidade musical.

Shows musicais 2

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Fontes de pesquisa 7

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  • CARRASQUEIRA, Maria José. Maria José Carrasqueira: entrevista. 4-11 abr. 2014. Entrevistadora: Tatiana Catanzaro. Concedida em São Paulo, na casa da intérprete.
  • CARRASQUEIRA, Maria José. Memorial. Campinas: Unicamp, 2011.
  • CARRASQUEIRA, Maria José. O Livro de Pattápio Silva (1880-1907): Obra completa para piano e flauta. São Paulo: Irmãos Vitale, 2001.
  • CARRASQUEIRA, Maria José. O Melhor de Pixinguinha. São Paulo: Irmãos Vitale, 1997.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • OZZETTI, Marta Regina. João Dias Carrasqueira: um mestre da flauta. Belo Horizonte, 2006. Artigo (Requisito parcial para obteção de Mestrado em Música) – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
  • RÁDIO CCSP. “Maria José Carrasqueira”. Alta fidelidade. Programa radiofônico. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2005. Disponível em: http://www.radioccsp.net/index.php?option=com_content&view=article&id=368:maria-jose-carrasqueira&catid=18:alta&Itemid=38. Acesso em: 12 abr. 2014

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