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Julio Medaglia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.09.2021
16.04.1938 Brasil / São Paulo / São Paulo
Julio Medaglia Filho (São Paulo SP 1938). Arranjador, maestro, compositor. Fascinado pelo velho violino de uma empregada da família, Júlio Medaglia começa a estudar o instrumento aos 12 anos e logo ingressa numa orquestra de amadores. Em 1952, passa a frequentar a Escola Livre de Música, recém-fundada em São Paulo pelo compositor alemão naturali...

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Biografia

Julio Medaglia Filho (São Paulo SP 1938). Arranjador, maestro, compositor. Fascinado pelo velho violino de uma empregada da família, Júlio Medaglia começa a estudar o instrumento aos 12 anos e logo ingressa numa orquestra de amadores. Em 1952, passa a frequentar a Escola Livre de Música, recém-fundada em São Paulo pelo compositor alemão naturalizado brasileiro Hans-Joachim Koellreutter.

Ainda nos anos 1950, muda-se para Salvador, onde cursa regência coral e orquestral na Universidade Federal da Bahia. Na Alemanha, estuda na Escola Superior de Música da Universidade de Freiburg, entre 1961 e 1965. Nessa época, acompanha os festivais de verão de Darmstadt, Alemanha,e assiste às aulas de importantes compositores de vanguarda, como Pierre Boulez (1925) e Karlheinz Stockhausen (1928 - 2007). Ainda na Europa, estuda regência sinfônica com o regente inglês sir John Barbirolli (1889 - 1970).

De volta ao Brasil, em 1966, é convidado por Solano Ribeiro a participar da organização dos festivais da TV Record e se envolve com movimentos de vanguarda de música contemporânea. Compõe para teatro e faz arranjos para canções populares como Tropicália, 1968, de Caetano Veloso, e Cachorro Babucho, 1977, de Jards Macalé.

Novamente na Europa, entre 1970 e 1974, atua como maestro de importantes orquestras, como a Filarmônica de Berlim, e compõe para programas da TV alemã. Na volta ao Brasil, integra o quadro artístico da Rede Globo, elaborando trilhas sonoras para seriados e casos especiais. Também dirige as orquestras sinfônicas do Teatro Municipal de São Paulo e do Teatro Nacional de Brasília.

Nos anos 1990, idealiza e dirige espetáculos grandiosos, como a encenação de Carmina Burana, de Carl Orff, para 100 mil pessoas na Praia de Copacabana ou a montagem da ópera Aída em estádios de futebol de seis capitais brasileiras. Em 1997, cria e dirige a Amazonas Filarmônica, levando a Manaus músicos de diversas partes do mundo.

Crítico ferrenho dos meios de comunicação de massa brasileiros, Medaglia mantém, desde 1987, programas diários na Rádio Cultura FM, primeiro o Pentagrama e, depois, Tema e Variações. A partir de 2005, organiza e apresenta o programa Prelúdio, da TV Cultura, espécie de show de calouros de música erudita. Desde 2008, é regente convidado da Ópera Nacional da Bulgária e, em 2010, dirige a Vera Cruz Filarmônica, de São Bernardo do Campo, São Paulo, onde coordena ainda o Centro de Estudos Musicais.

 

Comentário Crítico

Assim como seus colegas Damiano Cozzella e Rogério Duprat, Júlio Medaglia envolve-se diretamente nos dois principais movimentos musicais brasileiros dos anos 1960: música nova e tropicalismo. O primeiro, criado em 1962 por um grupo de músicos paulistas, propõe a atualização estética, técnica e tecnológica da música de vanguarda brasileira, em reação ao nacionalismo reinante na década de 1950. Fazendo uso do serialismo integral,1 da música eletroacústica e da aleatoriedade, tais compositores assumem um "compromisso total com o mundo contemporâneo", retomando alguns dos propósitos lançados na década de 1940 pelo grupo Música Viva.2 Nesse contexto, ele realiza sonorizações para poemas concretos de Décio Pignatari e dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Ao mesmo tempo, a incorporação do humor e da paródia, preconizada pelo grupo, prepara-o para trabalhar com a música de massa.

Tendo como principais expoentes os baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé, além do grupo paulista Os Mutantes, o tropicalismo propõe a fusão da música popular tradicional brasileira ao pop internacional, à música de vanguarda e à música brega, de modo a explicitar os contrastes e paradoxos da cultura nacional. Medaglia exerce um importante papel na concretização dessa proposta ao fazer o arranjo da canção que dá nome ao movimento. Em Tropicália, 1967, ele une timbres de orquestra sinfônica, percussão tradicional brasileira, sons eletrônicos e apitos, a fim de compor um ambiente "tropical" e criar o clima grandiloquente da primeira parte, contrastando-o com o caráter festivo da segunda ("Viva a bossa-sa-sa/ Viva a palhoça-ça-ça-ça-ça"). Medaglia revela ainda grande sensibilidade e abertura ao acaso ao incorporar à gravação a fala do baterista Dirceu - que durante a passagem de som improvisa, em tom de chacota, um discurso ufanista sobre a carta de Pero Vaz de Caminha. Depois da experiência com Caetano Veloso, realiza ainda alguns trabalhos com Os Mutantes, entre eles a direção do show Nhô Look, 1970, associado aos desfiles de moda da empresa têxtil Rhodia, produzido pelo publicitário Lívio Rangan, para o qual passa dois meses pesquisando a música sertaneja de várias cidades do interior de São Paulo.

Medaglia escreve mais de 100 trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, explorando os mais diversos estilos de composição, realçando, por exemplo, a abertura da novela Bravo, de caráter romântico e sinfonizado, e a trilha do seriado Grande Sertão: Veredas, em que utiliza, basicamente, ruídos eletrônicos. Entre seus trabalhos para cinema, figura a trilha do filme O Segredo da Múmia, 1983, premiada no Festival de Cinema de Gramado.

Na música de concerto, Medaglia destaca-se principalmente como maestro, mas também tem algumas composições executadas por importantes conjuntos. A suíte Belle Époque em Sud-America, por exemplo, é incorporada ao repertório do quinteto de sopros da Filarmônica de Berlim. Nela, Medaglia explora ritmos populares sul-americanos, como o tango e o chorinho, sem, contudo, resvalar no estilo nacionalista.

Notas
1 Técnica composicional derivada do dodecafonismo, que expande o uso de série para os diversos parâmetros sonoros, como duração, intensidade e timbre.

2 Organizado em 1939 em torno de Hans-Joachim Koellreutter, o grupo objetiva incrementar a vida musical carioca por meio de conferências, publicações e concertos, em que são apresentadas obras de compositores clássicos e contemporâneos. Com o tempo, porém, torna-se um bastião antinacionalista, em defesa das técnicas de composição de vanguarda, especialmente o dodecafonismo.

Obras 1

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Espetáculos 8

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 14

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  • A ENGRENAGEM. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1960]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Bela Vista.
  • CACCIOATORE, Olga. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. p. 260-261.
  • CALADO, Carlos. A divina comédia dos Mutantes. São Paulo: Ed. 34, 1995.
  • FAVARETTO, Celso. Tropicália, alegoria, alegria. 3.ed. São Paulo: Ateliê, 2000.
  • GALILEU Galilei. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1968]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • Jorge Amado, Angelina Muniz, Dona Flor e Seus Dois Maridos juntos no Brigadeiro. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • MEDAGLIA, Julio. "Entrevista. Julio Medaglia." In: Cult. São Paulo, 31 de março de 2010.
  • MEDAGLIA, Julio. "Julio Medaglia. Sem descanso." (entrevista). In: Bahia Notícias. Salvador, 27 de julho de 2010.
  • MEDAGLIA, Julio. Música impopular. 2. ed. São Paulo: Global, 2009.
  • MEDAGLIA, Julio. Site oficial do artista. Disponível em: <www.uol.com.br/juliomedaglia>. Acesso em 10 ago. 2010.
  • MISTÉRIOS GOZOZOS à Moda de Ópera. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1994]. 1 programa do espetáculo realizado na Casa da Marquesa.
  • Programa do Espetáculo - O Hamlet - 1982. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Órfãos de Jânio - 1981. Não catalogado
  • TV Cultura. Prelúdio (documentário sobre Julio Medaglia). São Paulo: TV.

Como citar

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