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Cinema

João Silvério Trevisan

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.01.2020
23.06.1944 Brasil / São Paulo / Ribeirão Bonito
João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, São Paulo, 1944). Romancista, contista, ensaísta, roteirista, diretor e dramaturgo.  Estuda no Seminário Bom Jesus, em Aparecida, São Paulo, formando-se em filosofia. Durante sua permanência no seminário cria um núcleo de estudos dedicado ao cinema e um cineclube. Muda-se com a família para capital paulis...

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Biografia

João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, São Paulo, 1944). Romancista, contista, ensaísta, roteirista, diretor e dramaturgo.  Estuda no Seminário Bom Jesus, em Aparecida, São Paulo, formando-se em filosofia. Durante sua permanência no seminário cria um núcleo de estudos dedicado ao cinema e um cineclube. Muda-se com a família para capital paulista e trabalha na Cinemateca Brasileira. É assistente de direção de João Batista de Andrade (1939) em Liberdade de Imprensa (1967).

Em 1968, junto de João Batista, Francisco Ramalho Jr. (1940) e Sidnei Paiva Lopes, funda a Tecla Produções Cinematográficas, e realiza a direção de produção de Anuska – Manequim e Mulher (1968), de Ramalho Jr. Edita a trilha sonora de Um Sonho de Vampiro (1969), do diretor Iberê Cavalcanti (1935), e trabalha em funções diversas em outros filmes. Uma viagem pela Europa e África o inspira a escrever o roteiro de seu único longa-metragem, Orgia ou o Homem que Deu Cria (1970), proibido pela censura.1.

Em 1973, viaja para a Califórnia, Estados Unidos, e entra em contato com o movimento gay organizado e com a mídia especializada nessa temática. Escreve os contos do livro Testamento de Jônatas Deixado a Davi, que publica na volta ao Brasil, em 1976. Em 1978, militando no movimento gay, organiza o grupo Somos pelos Direitos dos Homossexuais Brasileiros, e funda o jornal temático Lampião da Esquina, para integrar pontos de vista não somente de homossexuais, mas também de outros grupos excluídos. Em 1982, atendendo à demanda da editora britânica Gay Men's Press - GMP, começa uma intensa pesquisa para escrever uma história da homossexualidade no Brasil, Devassos no Paraíso (1986), lançada simultaneamente na Inglaterra e no Brasil.

No mesmo período, escreve seus dois primeiros romances: Em Nome do Desejo (1983) e Vagas Notícias de Melinha Marchiotti (1984). Entre 1998 e 2005, realiza uma série de oficinas literárias para o Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc/SP).

Análise

O cinema de João Silvério Trevisan está em sintonia com uma forte tendência de sua geração. O final dos anos 1960 é marcado pela contracultura, que no Brasil tem como expoentes o tropicalismo, o cinema marginal e a recuperação da antropofagia do escritor Oswald de Andrade (1890-1954) nas diferentes artes. Trevisan, especialmente no longa-metragem Orgia ou o Homem que Deu Cria, rebela-se contra a estética vigente, o cinema novo – o título original denota isso: Foi Assim que Matei Meu Pai, sendo que o pai é uma metáfora do cinema novo.

No filme um caipira mata seu pai e parte em direção à cidade. Aos poucos, uma série de personagens tipificados amplia o grupo, como um travesti vestido de Carmen Miranda; um cangaceiro grávido; um rei negro e cadeirante, cujo cetro é a taça Jules Rimet; entre outros. Esta jornada carnavalesca tem como objetivo encontrar o Brasil e o inconsciente do povo brasileiro. Trevisan, influenciado pela antropofagia oswaldiana - com direito a índios canibais -, faz um filme alegórico sobre a formação do país a partir de diferentes personagens que transitam entre a subversão do clichê e a marginalidade. A forma é a da transgressão radical: busca fazer um filme sujo e pobre tanto na fotografia como na direção de arte para ir contra o status quo artístico.

O processo do longa condensa a experiência do próprio cineasta em seu confronto com um contexto cultural e político que questiona e subverte. Como define o crítico de cinema Jairo Ferreira (1945-2003): “Tudo nele vem muito do fundo, às vezes com um ardor de lavas”.2.

Notas

1 À época o país estava sob o regime militar, que censurava todos os tipos de obra que considerasse subversiva, ou seja, que não se alinhassem a seu ideário.
2 FERREIRA, Jairo. Cinema de invenção. São Paulo: Limiar, 2000, p. 120.

Debates 2

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Espetáculos 14

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Eventos multiculturais 1

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Exposições 1

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Mídias (1)

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João Silvério Trevisan - Enciclopédia Itaú Cultural
Natural de Ribeirão Bonito, São Paulo, João Silvério Trevisan sempre foi um aluno exemplar de português. Estimulado pela mãe, passa a ter contato com obras da literatura mundial e, além de escrever, declama poemas e promove ciclos de cinema e literatura ainda na adolescência. Mais tarde, redige ensaios, roteiros de cinema, peças de teatro e o que lhe vem à cabeça sob as mais diversas plataformas: “Gosto de escrever pensando em uma promiscuidade de imagens. Estou, em geral, olhando para a crise. Seja ela pessoal, política ou social”, explica. No cinema, escreve e dirige o longa Orgia ou o Homem que Deu Cria, obra que se aproxima do cinema marginal, a chamada boca do lixo, ao confrontar o cinema novo e o estrangulamento da liberdade de expressão pelo militarismo vigente nos idos de 1970. O filme é censurado e Trevisan deixa o país. Quando volta funda, em 1978, o grupo Somos, que atua na defesa dos direitos dos homossexuais.

Realização: Gasolina Filmes
Entrevista: Gabriel Carneiro
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 18

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  • ABREU, Nuno César. Boca do Lixo: cinema e classes populares. Campinas : Editora UNICAMP, 2006.
  • ARAÚJO, Jackson. O escritor que deu cria. Revista da Folha. São Paulo, 8 out. 1995, n. 181, ano 4, p. 26-27.
  • CARNEIRO, Gabriel. Entrevista com João Silvério Trevisan. Revista Zingu!, ed. 37, São Paulo, ago. 2009. Disponível em: http://www.revistazingu.blogspot.com.br/2009/08/djstentrevistacomjoaosilveriotrevisan.html. Acesso em: 10 mai. 2012.
  • DOSSIÊ João Silvério Trevisan. Revista Zingu!, ed. 34, São Paulo, ago. 2009. Disponível em: http://revistazingu.blogspot.com.br/2009/08/edicao-34.html. Acesso em: 10 mai. 2012.
  • FERREIRA, Jairo. Candeias. Cinema de invenção. São Paulo: Limiar, 2000.
  • FERREIRA, Jairo. Candeias. Cinema de invenção. São Paulo: Limiar, 2000. p. 115-120
  • FERREIRA, Jairo. Orgia, filme limite entre o velho e o novo. Folha de S.Paulo. São Paulo, 12 jul. 1978, Ilustrada, p. 35.
  • JOÃO Silvério Trevisan. Enciclopédia de literatura brasileira Itaú Cultural. São Paulo: 10 nov. 2011. Disponível em: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=biografias_texto&cd_verbete=8763&cd_item=35>. Acesso em: 21 mai. 2012.
  • MELO, Luís Alberto Rocha. Orgia ou o Homem que Deu Cria (1970). In: Contracampo, 30 ed., Rio de Janeiro, ago. 2001. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/30/orgia.htm. Acesso em: 10 mai. 2012.
  • MIRANDA, Luiz Felipe. Dicionário de cineastas brasileiros. Apresentação Fernão Ramos. São Paulo: Art Editora, 1990, 408 p. p. 343.
  • PUPPO, Eugênio (Org.). Cinema marginal brasileiro e suas fronteiras. 2. ed. Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2004.
  • Programa do Espetáculo - Churchi Blues - 2001. Não catalogado
  • RAMOS, Fernão (org). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.
  • RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) - A representação em seu limite. São Paulo, Brasiliense / Embrafilme, 1987.
  • RAMOS, Guiomar. Um cinema brasileiro antropofágico? 1970-1974. São Paulo: Annablume, 2008.
  • SILVA NETO, Antonio Leão da. Dicionário de filmes brasileiros: longa metragem. São Bernardo do Campo: Edição do Autor, 2009.
  • STERNHEIM, Alfredo. Boca do Lixo: Dicionário de Diretores. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005.
  • TREVISAN, João Silvério. Uma geração marginal. In: PUPPO, Eugênio (org.). Cinema marginal brasileiro e suas fronteiras. 2. ed. Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2004, p. 139-140.

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