Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Heitor dos Prazeres

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2021
23.09.1898 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1966 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Heitor dos Prazeres, 1966

Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1898 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1966). Compositor e pintor. Importante nome da cultura popular brasileira, como músico, participa da fundação de grandes escolas de samba cariocas, como Portela e Mangueira. Descendente de negros baianos que migram para o Rio de Janeiro, retrata na pintur...

Texto

Abrir módulo

Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1898 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1966). Compositor e pintor. Importante nome da cultura popular brasileira, como músico, participa da fundação de grandes escolas de samba cariocas, como Portela e Mangueira. Descendente de negros baianos que migram para o Rio de Janeiro, retrata na pintura as rodas de samba, as favelas, os rituais de candomblé, os bailes e as festas populares, a partir de cenas do cotidiano da população negra no subúrbio da cidade.

Filho de marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e de costureira, é, ainda, sobrinho do pioneiro dos ranchos cariocas, Hilário Jovino Ferreira (1873-1933), de quem ganha o primeiro cavaquinho. Frequenta as rodas de samba de Tia Ciata e Tia Esther, conhecidas como tias baianas, onde tem contato com músicos e futuros parceiros como Donga (1890-1974), Sinhô (1888-1930) e Paulo da Portela (1901-1949)

Aos 20 anos, é conhecido como Mano Heitor do Cavaco e Mano Heitor do Estácio1. Firma relações com compositores como Cartola (1908-1980) e Paulo da Portela, compõe em parceria com vários sambistas e participa do início dos trabalhos e da fundação de escolas de samba como Mangueira, Portela e Deixar Falar (futura Estácio de Sá).

Na época, o Brasil busca afirmar sua identidade como povo moderno, e formas culturais nascem desse novo imaginário de país livre. O Carnaval e o samba surgem como criações fortes dos grupos sociais que habitam as favelas e os subúrbios. Referindo-se à região da Praça Onze e às festas na casa das tias baianas, Heitor dos Prazeres cria a denominação África em Miniatura, a Pequena África, que passa a gerar formas próprias de convívio. É também nesse momento que se definem as linhas principais daquilo que o mundo conhece como samba brasileiro. Firmam-se as rítmicas básicas, os timbres e instrumentos típicos e os modos de tocá-los. As primeiras escolas se fortalecem, e uma identidade do samba passa a ser partilhada. Surgem oportunidades de ganhar algum dinheiro com essa música, de gravar discos e experimentar o reconhecimento social.

Nesse ambiente se dá a polêmica com Sinhô, a quem Heitor dos Prazeres acusa de ter "roubado" partes de seus sambas “Ora Vejam Só” (1927) e “Gosto que Me Enrosco” [gravada como “Cassino Maxixe”, em 1927, por Francisco Alves (1898-1952)]. O próprio Heitor também é acusado de se apropriar indevidamente de diversos sambas, entre eles alguns de Paulo da Portela e “Vai Mesmo”, do compositor Antonio Rufino (1907-1982), e é impedido pelo dirigente da Portela Mané Bam-Bam-Bam de desfilar pela escola no Carnaval de 1941, gerando uma ruptura. 

Com “A Tristeza Me Persegue”, vence concurso de samba organizado pelo sambista Zé Espinguela (1890-1945) em 1927. Os sambas “Vai Mesmo” e “Deixaste Meu Lar”, ambos de 1929, parceria com o cantor Francisco Alves (1898-1952), são gravados por Mário Reis (1907-1981). Heitor dos Prazeres inicia um catálogo que reúne cerca de 300 composições com ritmos como choros, rancheiras, macumbas, baiões e até ritmos latinos, mas é o samba seu gênero mais producente e para o qual mais contribui. Em seu primeiro grande êxito, “Mulher de Malandro”, lançado em 1931 por Francisco Alves, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, Prazeres lida com o samba de breque, ainda em gestação. 

Ainda na década de 1930, cria um coro feminino como acompanhamento, Heitor dos Prazeres e Sua Gente, com o qual excursiona e se apresenta no Uruguai. Atua nas Rádios Cosmos e Cruzeiro do Sul, em que apresenta o programa A Voz do Morro, com Cartola e Paulo da Portela. Prazeres forma o Grupo Carioca e torna-se ritmista da Rádio Nacional e do Cassino da Urca. 

Passa a se dedicar também à pintura, por volta de 1937. Autodidata, sem formação acadêmica em artes visuais, é considerado um dos representante da arte naïf no Brasil. Memórias de seu passado e cenas do cotidiano da população periférica da cidade do Rio de Janeiro são os temas principais de sua produção. A música também está presente na pintura de Heitor dos Prazeres e é o mote de diversas de suas telas, com cenas de bailes de carnaval e rodas de samba. Em Carnaval (s.d.), destacam-se as cores vibrantes e a riqueza de detalhes na representação de um grande grupo de foliões. Por meio dos movimentos de saias rodadas, braços e pernas das personagens em diferentes ângulos, as figuras bidimensionais ganham ritmo. 

Alcança o terceiro lugar para artistas nacionais na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951,  com o quadro Moenda, e ganha uma sala especial na 2ª Bienal Internacional de São Paulo (1953). Cria ainda cenários e figurinos para o Balé do IV Centenário da Cidade de São Paulo, no ano de 1954. O diretor de cinema Antônio Carlos Fontoura (1939) produz em 1965 um documentário sobre a obra de Heitor dos Prazeres. Em 1999, é realizada mostra retrospectiva no Espaço BNDES e no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), ambos no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário de seu nascimento.

Vivendo em uma época de grandes definições para a sociedade e a cultura brasileira, Heitor dos Prazeres atua nessas transformações, ora participando ativamente na formação do samba, ora registrando em suas telas a população periférica, seu cotidiano e costumes, e consagra-se como artista popular brasileiro tanto na pintura como na música.

Nota:

1. "Mano" é uma denominação comum entre os sambistas, e "Estácio" é uma referência a Estácio de Sá, bairro onde Heitor dos Prazeres conhece compositores como Ismael Silva (1905-1978).

Obras 21

Abrir módulo
Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

A Prainha

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl

Auto-Retrato

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Carnaval

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica Antonio Rudge

Favela

Óleo sobre tela

Exposições 95

Abrir módulo

Eventos relacionados 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 2

Abrir módulo
  • AQUINO, Flávio de. Aspectos da pintura primitiva brasileira. Rio de Janeiro: Spala, 1978.
  • ARDIES, Jacques. A Arte naif no Brasil. São Paulo: Empresa das Artes, 1998.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: