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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Veiga Valle

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
09.09.1806 Brasil / Goiás / Pirenópolis
29.01.1874 Brasil / Goiás / Goiás
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

São Miguel Arcanjo do Rosário, 0019
Veiga Valle
Madeira policromada
29,00 cm x 94,00 cm

José Joaquim da Veiga Valle (Meia Ponte, atual Pirenópolis GO 1806 - Goiás GO 1874). Escultor e dourador. Sua formação artística é desconhecida. Alguns historiadores aventam hipóteses sobre quem seria seu mestre; outros sugerem que seja autodidata, o que é contestado pela historiadora Heliana Angotti Salgueiro, autora do mais completo estudo sob...

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Biografia
José Joaquim da Veiga Valle (Meia Ponte, atual Pirenópolis GO 1806 - Goiás GO 1874). Escultor e dourador. Sua formação artística é desconhecida. Alguns historiadores aventam hipóteses sobre quem seria seu mestre; outros sugerem que seja autodidata, o que é contestado pela historiadora Heliana Angotti Salgueiro, autora do mais completo estudo sobre o artista. Veiga Valle começa sua produção de imagens sacras em 1830, aproximadamente. É certo que em 1841 transfere-se para a cidade de Goiás para dourar os altares da matriz da capital a convite do presidente da província, com cuja filha se casa no mesmo ano. Ali, continua produzindo até por volta de 1870. Seu período mais fecundo é a década de 1860. Participa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, torna-se vereador, juiz municipal, major da Guarda Nacional e deputado. Em 1940, o pintor Rescála (1910-1986) redescobre seu trabalho e inicia os estudos sobre o artífice e sua obra, realizando uma exposição de 25 peças na cidade de Goiás. A partir de então, sua imagens são incluídas em exposições sobre o barroco brasileiro. Em 1972, são organizados uma mostra e um simpósio sobre ele em Goiânia. Em 1978, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e o Palácio das Esmeraldas, de Goiânia, fazem uma retrospectiva. A maior coleção de suas obras pertence ao Museu de Arte Sacra da Boa Morte, cidade de Goiás.

Comentário Crítico
A obra de Veiga Valle evidencia várias questões da história da arte. Em primeiro lugar, coloca-se o problema da atribuição. Por situar-se em Goiás, no interior do país, depois do ciclo do ouro, sua produção não é estudada diretamente após sua morte. Portanto, quando é redescoberto, faz-se necessário estabelecer a autoria de imagens sacras que, além de terem suas características gerais codificadas, são impessoais, não são assinadas e geralmente não são objeto de documentação. Para se ter uma idéia da dificuldade, o historiador Elder Camargo de Passos catalogou 200 imagens, enquanto a historiadora Heliana Angotti Salgueiro admite apenas 60.1

Outro ponto interessante é o fato de sua produção datar do século XIX, auge do academicismo no Rio de Janeiro, mas apresentar, essencialmente, características do estilo barroco brasileiro.  Entretanto, há traços nas peças de Veiga Valle que podem ser considerados neoclássicos.

A Nossa Senhora da Conceição, da Matriz do Bom Jesus de Cuiabá, por exemplo, apresenta, como barroquismo, o panejamento marcado e esvoaçante do vestido e da capa, os cachos bem curvados e delineados dos cabelos, a riqueza das estampas e a torção. O mesmo pode ser dito de santos como São José de Botas e São Joaquim, do Museu de Arte Sacra da Boa Morte, cidade de Goiás.

Nas mesmas esculturas, contudo, podemos ressaltar a delicadeza da torção e das feições, a doçura da expressão do rosto e suavidade das linhas, que evitam o efeito trágico do barroco brasileiro, comum nas imagens de Aleijadinho (1730-1814). Ademais, os motivos que decoram as roupas incluem pérolas, flores-de-lis estilizadas, elementos conchóides e flores em buquês, tipicamente rococós ou neoclássicos.

Nas palavras de Angotti Salgueiro: "Historicamente, todavia, o Neoclassicimo não aparece pronto; sobrepuja gradativamente o gosto pela sinuosidade barroco-rococó, que, em ocorrências isoladas, persevera durante o século. A arte religiosa transforma-se mais lentamente que a arte secular: se, no Rio, Mestre Valentim (ca.1745-1813) já é neoclássico na virada do século e a Missão Francesa impõe o estilo pouco depois, consolidando-o na Academia Imperial de Belas Artes, a imagem barroca resiste. O Barroco ainda se manifesta nos santeiros baianos, pernambucanos, paulistas: o estilo de Veiga Valle não é anacrônico."2

Notas

1 SALGUEIRO, Heliana Angotti. A singularidade da obra de Veiga Valle. In: ÁVILA, Affonso (Org). Barroco: teoria e análise. São Paulo: Perspectiva, 1997, p. 308.

2 SALGUEIRO, Heliana Angotti. A singularidade da obra de Veiga Valle. Goiânia: Universidade Católica de Goiás, 1983, p. 25-26.

Obras 14

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Menino Deus

Madeira policromada
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Menino Deus

Madeira policromada
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Nossa Senhora

Madeira

Exposições 11

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Fontes de pesquisa 11

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  • Cidades Históricas Brasileiras. Disponível em: [http://www.cidadeshistoricas.art.br/hac/bio_veig_p.htm]. Acesso em 05/02/2004. Cidades Históricas Brasileiras
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • MENEZES, Amaury. Da caverna ao museu: dicionário de artes plásticas em Goiás. Goiânia: Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, 1998.
  • MENEZES, Amaury. Da caverna ao museu: dicionário de artes plásticas em Goiás. Goiânia: Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, 1998. R708.98173 M543a ex.2
  • OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. Escultura colonial brasileira: um estudo preliminar. ÁVILA, Affonso (Org). Barroco: teoria e análise. São Paulo: Perspectiva, 1997. 556 p., il. p&b., p. 263-303.
  • SALGUEIRO, Heliana Angotti. A Singularidade da obra de Veiga Valle. Goiânia: Universidade Católica de Goiás, 1983. 502 p., il.
  • SALGUEIRO, Heliana Angotti. A singularidade da obra de Veiga Valle. In: ÁVILA, Affonso (Org). Barroco: teoria e análise. São Paulo: Perspectiva, 1997. 556 p., il. p&b., p. 305-314.
  • VALLE, Veiga. A Cidade de Goiás e o escultor goiano Veiga Valle. Apresentação Tito Lívio Ferreira. São Paulo: MASP, 1978. 56 p., il. p&b.
  • VALLE, Veiga. Acervo do Museu de Arte Sacra da Boa Morte com a maior Coleção de Veiga Valle. Goiânia: Fundação Jaime Câmara, 2001. 22 p., il. color.
  • VALLE, Veiga. Características do estilo Veiga Valle. Organização Heliana Angotti Salgueiro. Goiânia: Universidade Católica de Goiás, 1983. [13] p., il. p&b color.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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