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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Rosângela Rennó

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.03.2021
19.11.1962 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Frame do vídeo Cascata de Rosângela Rennó/divulgação

Cascata, 2006
Rosângela Rennó
Animação de imagem e som em dvd player portátil

Rosângela Rennó Gomes (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1962). Artista intermídia e fotógrafa. A singularidade da artista está na forma como ela ressignifica a função da fotografia, bem como no jogo que estabelece entre memória e esquecimento, por meio da manipulação de fotografias e objetos recolhidos de arquivos diversos em sua relação com o ambi...

Texto

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Rosângela Rennó Gomes (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1962). Artista intermídia e fotógrafa. A singularidade da artista está na forma como ela ressignifica a função da fotografia, bem como no jogo que estabelece entre memória e esquecimento, por meio da manipulação de fotografias e objetos recolhidos de arquivos diversos em sua relação com o ambiente expositivo.

Forma-se em arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1986, e em artes plásticas pela Escola Guignard, em 1987. No final da década de 1980, cria suas primeiras obras, que têm como base fotografias de álbuns de família. Na série Conto de Bruxas (1988), subverte as ilustrações de histórias infantis e lhes dá um caráter surrealista. Já na série Pequena Ecologia da Imagem (1988), a artista se apropria, pela primeira vez, de fotografias de anônimos, o que se constitui como ponto central de sua obra.

Um de seus principais trabalhos focados na questão do anonimato é Imemorial (1994), constituído por fotografias 3 x 4 de operários que trabalham na construção da cidade de Brasília na década de 1950, pesquisadas no Arquivo Público do Distrito Federal. Ao recuperar essas imagens e expô-las em outro contexto sociocultural, Rennó procura despertar não só a empatia pelo sujeito representado, mas também a reflexão sobre um passado muitas vezes esquecido ou silenciado, que constitui sua história.

Segundo Rosemary Gondim, a recontextualização dessas imagens pode “[...] nos levar a conceber visões configuradas a partir de novas narrativas e da produção de subjetividades postas em novas condições de experiência e fruição do público”1. Nesse trabalho de ressignificação, Rosângela Rennó provoca ainda uma reflexão sobre a fotografia enquanto objeto, mais especificamente sobre a função social que se atribui a ela: a de representar a realidade de forma objetiva.

Em sua busca por pensar as discursividades da fotografia, em 1992, a artista inicia o projeto Arquivo Universal, que consiste em um banco de dados virtual, composto de trechos de textos jornalísticos que contêm referências a imagens fotográficas. Com base nesse banco de dados, Rosângela Rennó produz, ao longo de sua carreira, uma série de instalações artísticas, como In Oblivionem (1994/1995), constituída de três séries de fotografias articuladas a fragmentos de textos: Álbum de Família (1994), Mulheres (1994) e No LandScape (1995).

A segunda série, denominada Mulheres, apresenta uma fotografia de uma menina, similar aos registros etnográficos de indígenas, acompanhada de um texto em que a Funai exige de uma empresa o pagamento de indenização a uma garota indígena de 15 anos, estuprada por seus técnicos quando faziam prospecção em terras indígenas. A relação entre imagem e texto remete à violência do colonizador contra o povo indígena no processo de conquista e colonização do Brasil. De acordo com Talita Mendes, “a imagem da fotografia, em estado de desaparição, associada à notícia materializa o apagamento da pluralidade, do outro”2.

Identifica-se, aqui, mais uma vez, a preocupação de Rennó em recuperar, por meio da recontextualização da imagem, aquilo que é intencionalmente esquecido, em verdade, silenciado. Nessa obra, por refletir sobre a questão da representação, pode-se destacar, também, a influência do artista norte-americano Joseph Kosuth (1945), um dos fundadores da arte conceitual dos anos 1960, na obra de Rennó.

Titula-se doutora em artes pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1997. Recebe bolsas da Civitella Ranieri Foundation, de Umbertide, Itália (1995); da Fundação Vitae, de Liechtenstein, Alemanha (1998); e da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, de Nova York (1999). Realiza uma série de exposições individuais, como Insólidos, em Lisboa (2015), e participa de exposições coletivas, como Passado/Futuro/Presente: Arte Contemporânea Brasileira no Acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em São Paulo (2019).

Rosângela Rennó contribui para a arte contemporânea brasileira tanto por suas constantes inovações artísticas quanto por sua busca em fazer memorar a história dos esquecidos, que, assim como a história oficial contada nos livros, constitui a narrativa e a diversidade cultural brasileira.

Notas

1. GONDIM, Rosemary Monteiro. IMEMORIAL: fotografia e reconstrução da memória em Rosângela Rennó. Estudos de Sociologia, v. 1, n. 17, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revsocio/article/view/235223/28248. 

2. MENDES, Talita. In Oblivionem e o estado de desaparição da imagem: paradigmas de visualidade e escritura. In: ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE, 11., 2015. Anais… Campinas: Unicamp, 2015. p. 551. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2015/Talita%20Mendes.pdf.

Obras 24

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Reprodução Fotográfica Eduardo Ortega

Atentado ao Poder (Via-Crúcis)

15 fotografias p&b em papel resinado, acrílico, parafusos, lâmpadas fluorescentes verdes, texto escrito sobre parede
Frame do vídeo Bananeira de Rosângela Rennó/divulgação

Bananeira

Animação de imagem e som em dvd player portátil
Reprodução Fotográfica Autoria desconhecida

Candelária

Textos sobre acrílico transparente, verniz fluorescente, parafusos, lâmpadas negras uv, reatores e fios elétricos

Debates 1

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Exposições 357

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Feiras de arte 3

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Instalações 1

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Mostras audiovisuais 1

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Workshops 1

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Fontes de pesquisa 26

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  • APROPRIAÇÕES 91. Curadoria Tadeu Chiarelli. São Paulo: Paço das Artes, 1991. Catálogo de exposição.
  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.
  • BARROS, José D’Assunção. O encontro entre arte e conceito: as propostas de Joseph Kosuth. Artciência, ano XI, n. 22-23, jun. 2017/dez. 2018. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/artciencia/article/view/12533. Acesso em: 21 mar. 2020.
  • BRASIL. Plural y singular. Curadoria Laura Buccellato, Clelia Taricco. Buenos Aires: MAMba, 2000.
  • CHIARELLI, Tadeu. The object in emerging Brazilian art. Review: Latin American Literature and Arts, New York, n.44, p.45-53, Jan./June 1991.
  • ESPELHOS e sombras. Apres. Eduardo A. Levy Jr. Texto de Aracy Amaral. São Paulo: MAM; Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994/1995.
  • FABRIS, Annateresa. L´indizio negato. In: BIENNALE DI VENEZIA, 45.,1993. Aperto´93. Milano: Flash Art, 1993.
  • GONDIM, Rosemary Monteiro. IMEMORIAL: fotografia e reconstrução da memória em Rosângela Rennó. Estudos de Sociologia, v. 1, n. 17, 2011. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revsocio/article/view/235223/28248. Acesso em: 21 mar. 2020.
  • GUIGNARD: 50 anos de uma escola de arte. Apresentação Piti. Belo Horizonte: Vidya Galeria de Arte, 1994.
  • Guia das Artes n.32 (São Paulo: julho 1993).
  • HERKENHOFF, Paulo (org.); PEDROSA, Adriano (org.). Marcas do corpo, dobras da alma. São Paulo: Takano, 2000.
  • HERKENHOFF, Paulo. Construção do sujeito. Guia das Artes, São Paulo, n.32, p.12-13, jul. 1993.
  • MENDES, Talita. In Oblivionem e o estado de desaparição da imagem: paradigmas de visualidade e escritura. In: ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE, 11., 2015. Anais… Campinas: Unicamp, 2015. p. 547-558. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/eha/atas/2015/Talita%20Mendes.pdf. Acesso em: 21 mar. 2020.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte contemporânea. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso; tradução Arnaldo Marques, Ivone Castilho Benedetti, Izabel Murat Burbridge, Katica Szabó, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • O ESPÍRITO da nossa época: coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz. Curadoria Stella Teixeira de Barros, Ricardo Resende; versão em inglês Thomas William Nerney, Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MAM, 2001.
  • RENNÓ, Rosângela. Anti - cinema: veleidades fotográficas. Apresentação Alícia Duarte Penna. Belo Horizonte: Sala Corpo de Exposições, 1989.
  • RENNÓ, Rosângela. Instalações de Rosângela Rennó: humorais, realismo fantástico. Tradução Stephen Berg. Rio de Janeiro: Galeria do IBEU Copacabana, 1994.
  • RENNÓ, Rosângela. Rosângela Rennó. Apresentação Felipe Chaimovich; texto Paulo Herkenhoff. São Paulo: Edusp, 1998. 197 p. il. (Artistas da Usp, 9).
  • RENNÓ, Rosângela. Rosângela Rennó. Texto de Dan Cameron. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1995.
  • RENNÓ, Rosângela. Rosângela Rennó: [Currículo] da Artista.
  • RENNÓ, Rosângela. Rosângela Rennó: cicatriz. Texto de Alma Ruiz. Los Angeles: The Museum of Contemporary Art, 1996. (Focus series exhibition Cicatriz).
  • RENNÓ, Rosângela. Vulgo [alias]. Austrália: [s.n.], 1999.
  • ROSANGELA RENNÓ. Site Oficial da Artista. Disponível em: http://www.rosangelarenno.com.br/bem_vindo. Acesso em: 21 mar. 2020.
  • SEMANA DE ARTE DE LONDRINA (6. : 2000: Londrina, PR), MOREIRA, Maria Carla Guarinello de Araujo (coord.). Possíveis imagens: [fotografia contemporânea]. Apresentação Maria Carla G. de Araujo Moreira; curadoria Angela Magalhães, Nadja Peregrino; texto Nadja Peregrino, Angela Magalhães. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2000.
  • TRANSPARÊNCIAS. Curadoria Marcus de Lontra Costa, Denise Mattar; apresentação Helena Severo; fotografia Vicente de Mello; versão em inglês Nicola Lopez. Rio de Janeiro: MAM, 1996. 68 lâms.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.

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