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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mariannita Luzzati

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.08.2022
27.12.1963 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título, 1991
Mariannita Luzzati
Óleo sobre tela
200,00 cm x 200,00 cm

Mariannita Luzzati (São Paulo, São Paulo, 1963). Pintora, gravadora, desenhista. Luzzati é uma das mais celebradas representantes da pintura brasileira contemporânea. Seu trabalho se caracteriza por não se enquadrar na categorização recorrente na pintura entre o figurativo e o abstrato, uma vez que articula a representação do objeto (em geral, p...

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Mariannita Luzzati (São Paulo, São Paulo, 1963). Pintora, gravadora, desenhista. Luzzati é uma das mais celebradas representantes da pintura brasileira contemporânea. Seu trabalho se caracteriza por não se enquadrar na categorização recorrente na pintura entre o figurativo e o abstrato, uma vez que articula a representação do objeto (em geral, paisagens naturais) com a expressão de tudo o que se pode abstrair dele, colocando o espectador na atmosfera do momento em que a paisagem é captada. 

A pintora frequenta o Instituto per L'Arte e il Restauro, em Florença, Itália, de 1982 a 1983. Em meados da década de 1980, estuda com Carlos Fajardo (1941), Carmela Gross (1946) e Evandro Carlos Jardim (1935). Começa a expor no fim da década de 1980, em importantes salões em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. A primeira mostra da artista ocorre no Centro Cultural São Paulo, em 1990, pela qual recebe no ano seguinte o prêmio do Salão Nacional de Belas Artes.

No início da década de 1990, realiza gravuras em metal de aspecto intimista, com ênfase em uma visualidade despojada, reduzida a estruturas essenciais de figuração. Por um desses trabalhos, recebe o Prêmio Aquisição da Mostra de gravura no Machida City Museum de Tóquio, Japão, em 1993. Porém, a tônica da obra da artista são as pinturas a óleo, que apresentam como características recorrentes a pesquisa cromática e o borramento dos limites entre os campos de cor. Segundo o crítico Fernando Cocchiarale (1951), as paisagens vistas nessas pinturas emergem dos limites de uma luminosidade que indefine a forma das coisas e produz fantasmas entrevistos à contraluz. Esses trabalhos demonstram o desinteresse da artista pela representação objetiva do mundo e das coisas, e sua pintura parece sublinhar que a diluição dos contornos dos objetos e a indeterminação de sua forma tornam mais visíveis as premissas essenciais do olhar humano.

A singularidade da obra da artista ganha reconhecimento. Em 1994, a pintora é selecionada para representar o Brasil na 22ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo. Um dos trabalhos expostos é a pintura em óleo sobre tela Sem título (1994), em que, com sua técnica de diluição das formas, é possível observar uma porção de terra com um morro (em um tom marrom escuro) em meio ao que parece ser o mar (um tom de azul um pouco mais claro que o marrom). Acima do centro da tela, desenha-se a linha do horizonte, identificada apenas pelo encontro do amarelo do céu com o azul do mar. Acima dessa porção de céu que parece estar iluminada pelo sol, há ainda uma faixa mais escura, que poderia ser interpretada como nuvens que anunciam uma tempestade. Apesar das nuances de cores que fazem a distinção entre os elementos da paisagem, a tela tem um tom escuro, como que embaçado por uma lente ou pela memória.  

As paisagens da pintora demandam do espectador calma e atenção, pois elas precisam ser reveladas, a partir da dissipação da nebulosidade que as envolve, por meio do olhar. No catálogo da 22ª Bienal, o crítico de arte Agnaldo Farias (1955) assim apresenta a obra da artista: “A bruma que impregna [suas telas] é premeditada: enfatiza que, das coisas, vemos apenas sua região mais exterior, nunca sua intimidade.

E como isso não é pouco, é justamente isso o que seus quadros contam: eles celebram a aliança que se estabelece entre o olho, o objeto contemplado e a luz que faculta o encontro de ambos”1. Essa é uma marca que acompanha toda a produção de Luzzati.

Na década seguinte, a artista aprofunda o abstracionismo de suas paisagens. Em 2001, produz a série de gravuras Seascape, em que a gradação tonal das cores exploradas em cada uma das quatro peças (azul, amarelo, vermelho e verde) estrutura a paisagem ao mesmo tempo que a embaça. Essa gradação tonal é “rompida” por faixas borradas de um tom escuro (preto ou marrom) que demarcam, com alguma clareza, a terra firme no contínuo entre céu e mar. 

Em 2006, expõe outra série: Ocupações — resultado de um projeto desenvolvido pelo Museu Vale, mantido pela empresa Vale do Rio Doce. No projeto, a artista faz uma viagem de trem pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, margeando o rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Como processo de trabalho, fotografa as paisagens e posteriormente, em seu ateliê, pinta as telas que compõem a série. 

Ampliando sua produção nas artes visuais, em 2011, desenvolve o projeto Cinemúsica, em parceria com o pianista Marcelo Bratke (1960). Com esse projeto, percorrem penitenciárias do estado de São Paulo, onde apresentam concertos de música clássica sincronizada com as imagens de um filme. Cinemúsica é registrado em documentário, além de ser apresentado, posteriormente, em diversos teatros e museus do mundo. Em 2013, rende, aos artistas, o prêmio Art of Touch do Festival de Inverno de Sarajevo, Bósnia-Herzegovina. 

A trajetória de Mariannita Luzzati revela uma artista constante, que se movimenta e faz novas experiências sem, contudo, abrir mão da técnica e da temática que tornam sua obra singular. Na sua técnica de borrar os objetos representados, a pintora retrata cenários idílicos, que podem remeter a uma paisagem específica, trazer à tona uma lembrança ou até projetar um sonho. A inexatidão das linhas e formas, que situa sua pintura entre o figurativo e o abstrato, permite diferentes olhares sobre sua obra e faz da artista uma das maiores representantes da pintura brasileira contemporânea.
 
Notas

1. FARIAS, Agnaldo. Mariannita Luzzati. In: Catálogo da 22ª Bienal Internacional de São Paulo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994, p. 76-77. Disponível em: http://www.bienal.org.br/publicacoes/2103. Acesso em: 7 nov. 2021.

 

Obras 3

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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

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