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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Bruno Lechowski

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
04.04.1887 Polônia / a definir / Varsóvia
15.10.1941 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem, 1932
Bruno Lechowski
Óleo sobre tela, c.i.e.
32,00 cm x 29,00 cm

Brunon Bronislaw Lechowski (Varsóvia, Polônia 1887 - Rio de Janeiro RJ 1941). Pintor, desenhista, professor, arquiteto e músico. Estuda na Academia de Belas Artes de Kiev, Ucrânia, e completa seus estudos em São Petersburgo, Rússia, em 1913. No ano seguinte, torna-se professor da Academia Nacional de Belas Artes, em Varsóvia. Entre 1922 e 1924, ...

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Biografia
Brunon Bronislaw Lechowski (Varsóvia, Polônia 1887 - Rio de Janeiro RJ 1941). Pintor, desenhista, professor, arquiteto e músico. Estuda na Academia de Belas Artes de Kiev, Ucrânia, e completa seus estudos em São Petersburgo, Rússia, em 1913. No ano seguinte, torna-se professor da Academia Nacional de Belas Artes, em Varsóvia. Entre 1922 e 1924, desenvolve o projeto da Casa Internacional do Artista, instituição que deve ter sede no maior número possível de países, permitindo aos artistas de todas as áreas produzir e viver de sua arte. Nesses locais, qualquer artista pode residir, trabalhar e receber uma parte da receita proveniente da venda dos ingressos para exposições coletivas e permanentes. Dessa forma, o artista não precisa adaptar-se ao mercado para vender suas obras. Em 1924, Lechowski aceita uma aposta para provar a viabilidade do projeto: em troca de uma soma em dinheiro que destina para a construção da primeira sede em Varsóvia, ele deve viajar por todos os continentes, falando somente polonês e vivendo apenas da venda de ingressos para suas exposições portáteis. Constrói uma tenda de lona com estruturas e armações desmontáveis e grandes caixas para o transporte do material, que utiliza para fazer a primeira mostra quando chega ao Rio de Janeiro, em 1925. Viaja em direção ao sul do Brasil, demorando-se em Curitiba, onde participa da vida cultural e realiza mais uma exposição portátil. Continua a viagem, passa um tempo em São Paulo e, em 1931, volta ao Rio de Janeiro. Nessa época, desenvolve um equipamento de exposição para lugares fechados. Participa da criação do Núcleo Bernardelli e é mentor de vários jovens pintores, como José Pancetti. Em 1940, transfere-se para um sítio em Campo Grande, Rio de Janeiro, e ali morre no ano seguinte. São realizadas três retrospectivas póstumas sobre o artista: Retrospectiva, no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Rio de Janeiro, em 1942; a mostra itinerante Bruno Lechowski - A Arte como Missão, no Museu de Arte do Paraná - MAP, Curitiba, no MNBA e no Museu Lasar Segall, São Paulo, em 1991; e Bruno Lechowski, no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, que herda o acervo do artista, em 2006.

Comentário crítico
As paisagens de Lechowski surpreendem primeiro pela sutileza. Nelas, parece não haver traço ou cor que possa ser adicionado ou retirado sem perda para o conjunto. O desenho e a composição são elegantes e simples. O fato de muitas pinturas serem aquarelas é determinante para as cores, suaves e envolventes.

Lechowski pinta principalmente marinhas, em que a terra e as pedras fazem recortes quase geométricos no mar e no céu. Esse tipo de composição é herdado, segundo o crítico Walter Zanini, por seu aluno José Pancetti, cuja composição é organizada por planos geométricos rigorosos, ao mesmo tempo solidários e distintos.1 No Rio de Janeiro, Lechowski começa representando apenas a natureza, mas aos poucos figura os prédios que despontam. A predominância da paisagem e da aquarela pode ser vista como um efeito de sua vivência no Brasil: quando chega da Europa, também pinta alegorias e retratos e usa técnicas variadas. Diz o pintor Oswaldo Teixeira: "Ele que aqui havia chegado simbolista, pintando numa metafísica bizarra de idéias muito avançadas, terminou o mais suave dos bucólicos, o mais calmo e idílico paisagista, pastoreando cores e formas líricas."2

O amor pela natureza e o domínio técnico são características dessa figura excêntrica e idealista, são os principais ensinamentos que lega aos jovens pintores do Núcleo Bernardelli. Yoshiya Takaoka e Tamaki contam da sua admiração pelo primitivismo de Paul Gauguin. José Pancetti deve a ele seu aprofundamento técnico e o conselho de não deixar seu emprego na Marinha, para não ter de comercializar sua obra. Lechowski enfatiza o lado artesanal da pintura e excursiona com os pintores pelos arredores do Rio de Janeiro para pintar. Ele próprio mora em Copacabana, então longe do centro da cidade.

Sua participação nesse grupo sem hierarquias, livre e cooperativo, talvez seja o que mais o aproxima efetivamente do seu grande projeto, a Casa Internacional do Artista. Para ele, a arte é um bem da humanidade, uma linguagem universal. Artistas são portadores privilegiados de valores éticos e espirituais e devem poder viver livremente da arte, sem pressões do mercado. Para tanto, não podem vender suas obras, mas podem sim cobrar entradas para exposições que realizam na residência coletiva.

Quando Lechowski expõe num terreno baldio de Curitiba, em 1926, não vende, mas sorteia seus quadros e eventualmente presenteia pessoas que apreciam muito seu trabalho. Entretanto, finda a exposição, Lechowski tem de vender as dezenas de obras restantes para Antonio Rydygier, de forma a complementar sua renda. Em 1931, em São Paulo, mostra suas pinturas em uma casa na alameda Lorena, número 25, utilizando o novo sistema de exposição em interiores. As telas ficam presas em fitas de metal perfuradas que têm como fundo um pano branco colocado ao redor da parede. Durante a exposição, que considera ser um concerto visual, executa composições musicais próprias em harmônico. Para completar vasos, plantas e tapetes. Metade da renda da exposição é doada à Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.

Consegue inaugurar, em 1932, no Edifício Odeon do Rio de Janeiro, a sede provisória da Casa Internacional do Artista. Tem o apoio de Oswaldo Teixeira, do ministro da Polônia e do jornalista Celso Kelly, entre outros. Continua aperfeiçoando seus equipamentos de exposição. Inventa um mecanismo em que os quadros ficam presos por um dos lados em um eixo giratório comum. Entretanto, a Casa Internacional do Artista não vai adiante. Nesse período, Lechowski acaba vendendo obras. Ao transferir-se para o sítio em Campo Grande, Rio de Janeiro, Lechowski intenciona levar a sede do projeto para lá. Mas morre sem conseguir realizar o objetivo.

Além dos ensinamentos técnicos que deixa para os alunos do Núcleo Bernardelli, Lechowski é para eles um verdadeiro mentor, ensina-os a ser companheiros e a respeitar o ofício de pintor. Para os meios artísticos carioca, curitibano e, em menor medida, paulista, representa um exemplo de encarnação dos ideais da vanguarda, de acordo com os quais vive e pensa as exposições que faz.

 

Notas
1
ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983, v.2., p. 579.
2 Citação de Oswaldo Teixeira em MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

Obras 7

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Ilha das Cobras

Aquarela sobre papel
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem

Aquarela sobre papel
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem do Rio

Óleo sobre tela colada em madeira

Exposições 28

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 15

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  • ANDREA, Z. Um concerto visual. A Universalidade de Bruno Lechowski. Folha da Noite, São Paulo, 28 de outubro.
  • ASSIS, Célia de (coord.). O Brasil na visão do artista: a natureza e as artes plásticas. Edição Lizete Mercadante Machado; versão em inglês Izabel Murat Burbridge, Marcos Piason Natali. São Paulo: Prêmio, 2001. 127 p.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. ------
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. ------
  • LECHOWSKI, Bruno. Exposição Bruno Lechowski, a arte como missão. Curitiba: Museu de Arte do Paraná, 1991. 28 p., il. p&b color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. ------
  • LOUZADA, v.1;. ------
  • MORAIS, Frederico. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982. 136 p., il. p&b color.
  • PINTURA, Exposição do Pintor Polonês Bruno Lechowski. Diário de São Paulo, São Paulo, 28out 1931.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • TOMIE Ohtake na trama espiritual da arte brasileira: exposição comemorativa dos 90 anos da artista. Curadoria Paulo Herkenhoff; apresentação Roberto Requião, Maristela Requião; tradução Izabel Murat Burbridge, Cynthia Derriel, Cândida Luisa Alves Almeida, Teresa Van Acker; fotografia Carlos Ferrari, Carlos Kipnis, César Barreto, Denise Andrade, Eduardo Castanho, Fábio Ghivelder, Fernando Chaves, Gerson Zanini, Juan Guerra, Luiz S. Hossaka, Miranda Urban, Romulo Fialdini, Vicente de Mello, Zé de Boni; projeto gráfico Ricardo Ohtake, Lígia Pedra, Monica Pasinato, Mariana Dreyfuss, Nazareth Baños. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2004. 272 p., il. p&b color.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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