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Artes visuais

Leda Catunda

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
23.06.1961 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Praia, 1990
Leda Catunda
Pintura sobre madeira e areia
109,50 cm x 90,00 cm

Leda Catunda (São Paulo, São Paulo, 1961). Artista Visual, pesquisadora e professora. Uma das expoentes da Geração 80, explora em seu trabalho questões referentes à representação das imagens e ao universo pop.

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Leda Catunda (São Paulo, São Paulo, 1961). Artista Visual, pesquisadora e professora. Uma das expoentes da Geração 80, explora em seu trabalho questões referentes à representação das imagens e ao universo pop.

Formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo, Leda é aluna de Regina Silveira (1939), Nelson Leirner (1932) e Julio Plaza (1938-2003). Durante a formação, se aborrece por ter de desenhar tanto a pedido dos professores e parte, então, em busca de desenhos já disponíveis no mercado.

Entre seus primeiros trabalhos estão as Vedações (1983). Nessa série, a artista se apropria de tecidos estampados, em geral figurativos, e apaga algumas informações com tinta, recriando a estampa. Utiliza-se conceitualmente da pintura: pincel e tinta servem para destacar, apagar, recriar ou criticar um mundo já coberto de imagens. Como tela, utiliza objetos aparentemente banais encontrados em regiões de comércio popular, como flanelas, cortinas de banheiro, cobertores, toalhas e tecidos, em geral usados em ambientes domésticos. 

No ano seguinte, ainda recorrendo a materiais disponíveis no mercado, Leda realiza pinturas mais figurativas, como Aquário (1984). Nela, apropria-se das imagens de peixes de uma cortina de plástico para pintar uma caixa de vidro em volta do cardume. A artista chama esses trabalhos de pinturas-objetos. 

De acordo com Leda, o interesse pelo universo popular e kitsch vem da ausência desse repertório na casa dos pais. Filha de arquitetos, a residência em que mora na infância é decorada com poucos objetos e, em geral, com design planejado. É a casa da avó portuguesa que desperta o interesse da artista por elementos populares e artesanais de decoração, como toalhas de crochê. O repertório visual começa a se formar nos passeios com a avó pelo comércio popular no largo de Pinheiros, em São Paulo.

Ainda no começo da carreira, a pintura de Leda (como a de outros artistas dos anos 1980) chama a atenção dos principais críticos, galeristas e curadores da época. Em 1983, com apenas 22 anos, participa da mostra coletiva Pintura Como Meio, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), ao lado dos artistas Ciro Cozzolino (1959), Sergio Romagnolo (1957), Ana Maria Tavares (1958) e Sérgio Niculitcheff (1960), com curadoria de Aracy Amaral (1930). Para a curadora, o talento e o frescor da produção desses jovens está na forma contemporânea de usarem a pintura, buscando suportes menos usuais do que a tela emoldurada e destacando na parede materiais menos nobres, como o "pano".

No ano seguinte, Leda participa da icônica exposição Como Vai Você, Geração 80?, que faz um balanço da produção de 123 artistas da época no Parque Lage, no Rio de Janeiro. Recém-saída da faculdade, ainda nos anos 1980, expõe trabalhos na I Bienal de Havana (em Cuba) e nas XVII e XVIII bienais de São Paulo. 

No final dos anos 1980, começa a se distanciar do trabalho figurativo, procedimento que ganha força na década seguinte. Nas obras abstratas, a textura e a estampa do material continuam presentes, mas explora formas geométricas, como na produção apresentada na exposição individual na Galeria São Paulo, em 1992. 

Durante essa década, Leda cria o que chama de pintura-instalação, isto é, obras com maior volume e dimensão. As formas geométricas adquirem aparência abstrata, como em Siameses (1998). Essa fase é simultânea à pesquisa de mestrado desenvolvida na Escola de Comunicação e Artes (ECA), que recebe indicação ao doutorado direto, defendido em 2003. Na tese, Leda pesquisa a "poética da maciez", em que estuda sua produção e de outros artistas que exploraram o uso de formas amolecidas. Em 2014, essas estruturas macias passam a dar espaço a materiais mais duros, quando a artista realiza , considerada sua primeira escultura, feita em madeira, em que explora a imagem de fórmicas que imitam madeira.

A partir dos anos 2000, aplica imagens fotográficas às pinturas. Primeiro, utiliza fotos de seu acervo pessoal, com amigos e familiares, como em Todo Pessoal (2006). Depois, apropria-se de imagens enviadas por amigos ou encontradas na internet. Com o fenômeno das redes sociais, as fotos postadas pelos usuários entram para seu repertório, como em Mar Linda (2016), em que usa fotos do perfil de uma jovem. Essa obra faz parte da exposição I love You, Baby, em 2016, no Instituto Tomie Ohtake. Nela, apresenta pinturas que trabalham com o que chama de "consumo afetivo", explorando o uso de logomarcas e imagens de desejo, como de paisagens de férias na praia.

A obra de Leda Catunda se pauta pelo uso de imagens, tecidos e estampas disponíveis a todos. Como ela própria costuma dizer: "gosto de gostar do que os outros estão gostando"1. Atenta ao comportamento das pessoas a sua volta, ao que estão vestindo e fazendo, a artista capta essas referências, transformando-as em matéria-prima para seu trabalho, sem perder o tom de crítica e acidez, que se acentua em seu universo almofadado e colorido.

Nota

1. Entrevista de Leda Catunda ao programa programa “Quadro por Quadro”, da revista Vogue, durante a exposição O Gosto dos Outros, realizada no Galpão da Galeria Fortes D'Aloia e Gabriel em abril de 2015 (7 min). Disponível em: https://youtu.be/YqZ8xyFYMHY. Acesso em: 15 out. 2019.

Obras 22

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Praia

Pintura sobre madeira e areia
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Almofadinhas

Acrílica sobre tecido
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Barriga

Colagem sobre papel
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Bicho

Acrílica sobre tela e espuma
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Camisetas

Acrílica sobre camisetas

Exposições 281

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Eventos relacionados 4

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Mídias (1)

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Leda Catunda - Enciclopédia Itaú Cultural
Leda Catunda inicia sua trajetória fazendo óleos sobre tela, sobre os quais aplica objetos pouco usuais, como tecidos ou pedaços de madeira. “Mas nunca tirei a pintura”, destaca. “Algumas pessoas dizem que meu trabalho já tem um assunto e não precisaria da tinta. Mas eu acho que a pintura dá um caráter artesanal e tem a cor, que só consigo resolver com ela”, explica. Esse recurso é uma característica que acompanha a artista desde os anos 1980, num processo de colagem a que ela se refere como “apropriação”. “Uso imagens que não são minhas”, diz Catunda, que sobrepõe signos de diferentes universos, criando um novo sentido. “As obras surgem da minha experiência no mundo”, descreve a criadora, que tem o hábito de colecionar ideias em cadernos, nos quais ela amadurece formas recorrentes de seu universo criativo, como as figuras arredondadas, depois reproduzidas em aquarelas e, finalmente, transpostas em telas.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 46

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  • 15 ARTISTAS brasileiros. Curadoria Tadeu Chiarelli; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MAM, 1996. SPmam 1996/q
  • A ARTE brasileira no mundo: uma trajetória: 24 artistas brasileiros. São Paulo: Dan Galeria, 1993. 24p. il. color. SPdg 1993
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  • AMARAL, Aracy. Leda Catunda. In: AMARAL, Aracy. Texto do Trópico de Capricórnio: artigos e ensaios (1980-2005). v. 3. São Paulo: Editora 34, 2006. p 191-193.
  • AMARAL, Aracy. Pintura como meio. São Paulo: MAC/USP, 1983. (Catálogo da exposição).
  • ARTE híbrida. Rio de Janeiro: Funarte, 1989. 44 p., il. color, p&b. RJfunarte 1989/a
  • ARTE híbrida. Texto Aracy Amaral, Sérgio Romagnolo. Rio de Janeiro: Funarte, 1989. 44 p., il. color, p&b.
  • ATUNDA, Leda. Pinturas moles. Vila Velha: Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, 2000. folha dobrada, il. color. C369p 2000
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d 2.ed.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994. 700 BI588sp Sec.XX
  • BRASILIDADE e independência. Brasília: Foyer do Teatro Nacional, 1985. DFftn 1985
  • BRASILIDADE e independência. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 1985. folha dobrada.
  • BRASILIDADE: coletânea de artistas brasileiros. Goiânia: Galeria de Arte Marina Patrich, 1997. GOmp 1997/b
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  • CATUNDA, Leda. Leda Catunda. Fotografia Romulo Fialdini, Orlando Azevedo, Vilma Slomp. Curitiba: Casa da Imagem, 1998. [16] p., il. color. C369 1998
  • CATUNDA, Leda. Leda Catunda. Rio de Janeiro: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1988. 15 p., il. color. C369 1988
  • CATUNDA, Leda. Leda Catunda. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1990. 16 p., il. color. C369 1990
  • CATUNDA, Leda. Pinturas moles. Curadoria Katia Canton. Vila Velha: Museu Ferroviário Vale do Rio Doce, 2000. 1 folha dobrada, il. color.
  • CATUNDA, Leda. Poética da maciez: pinturas e objetos. 2003. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 2003.
  • CATUNDA, Leda. Poética da maciez: pinturas e objetos. 2003. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 2003. Não catalogado
  • CATUNDA, Leda. Poética da maciez: poética e objetos. 2003.107 f. Tese (Doutorado em Artes Visuais) – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
  • CENTRO Cultural São Paulo: programa de exposições 91. São Paulo: Pavilhão da Bienal, 1992. , il. p&b. CAT-G SPccsp 1992
  • CHIARELLI, Tadeu. Leda Catunda. Colaboração Lisette Lagnado, Paulo Herkenhoff; versão em inglês John Norman. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. 189 p., il. color.
  • CHIARELLI, Tadeu. Problematizando a natureza da pintura. In: CHIARELLI, Tadeu. Leda Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
  • COCA-COLA 50 anos com arte. Tradução Lia Wyler. Rio de Janeiro: MAM, 1992. 54p. il. p.b. color. RJmam 1992
  • DEBATES da Arte Contemporânea: Leda Catunda, Paulo Miyada e Ilê Sartuzi. EdA - Espaço das Artes, São Paulo, Cidade Universitária, 28 jun. 2017. Disponível em: https://youtu.be/IWw_ETsO7rM. Acesso em: 17 out. 2019
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  • ENTREVISTA com Leda Catunda. Auroras, São Paulo, jul. 2018 (16 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=62E_vu2eOKI&t=1006s. Acesso em: 17 out. 2019
  • FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG, 29., 1997, Ouro Preto, MG. 29º Festival de Inverno da UFMG: experiências e perspectivas: 12 visões contemporâneas. Curadoria Cláudia Renault. Ouro Preto: UFMG, 1997. MGfi-ufmg 29/1997
  • HERANÇAS contemporâneas. São Paulo: MAC/U SP, 1997. [14] p., il. color. SPmac 1997/h
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  • LEDA CATUNDA. Site Oficial da Artista. Disponível em: http://www.ledacatunda.com.br/. Acesso em: 19 out. 2019
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  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM. CDR 759.981 L533q
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  • Leda Catunda. São Paulo: Cosac & Naify, 1998. 189 p., il. color. ISBN 85-86374-19-9. 759.81 C369c
  • MATTOS, Armando (Coord.). Anos 80: o palco da diversidade. Rio de Janeiro: MAM, 1995. 66 p., 37 il., color. CAT-G RJmam 1995/ao
  • MUSEU DE ARTE MODERNA (SÃO PAULO, SP); SOARES, Marcelo Lacerda (Coord.). Arte brasileira contemporânea. São Paulo: Bayer, 1996. 76p. il., color. Spmam 1996/a
  • OS ANOS 80. Goiânia: Marina Potrich Galeria de Arte, 1998. , il. color.
  • OS anos 80. Apresentação Aguinaldo Coelho. Goiânia: Marina Potrich Galeria de Arte, 1998. , il. color. GOmp 1998
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998. IC 708 P438
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • PRÊMIO Brasília de Artes Plásticas 1990. Brasília: Museu de Arte de Brasília, 1990. 20 lâminas. DFfcdf 1990
  • SILVEIRA, Dôra (Coord.). Espelho da Bienal. Curadoria Ruben Breitman; versão em inglês Jullan Smyth; texto Mário Pedrosa e Paulo Reis; apresentação Italo Campofiorito. Niterói: MAC-Niterói, 1998. [16] p., 11 cartões-postais. RJmac 1998

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