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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Angelo Venosa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.12.2018
14.08.1954 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico autoria desconhecida

Sem Título, 1989
Angelo Venosa
Galho de árvore, madeira e fiberglass
495,00 cm x 124,00 cm
Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo (SP)

Ângelo Augusto Venosa (São Paulo, São Paulo, 1954). Escultor. Freqüenta a Escola Brasil, em São Paulo, em 1973. No ano seguinte, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), e concluí o curso em 1977. No início da década de 1980, realiza cursos no ateliê livre da Escola de Artes Visuais do Parq...

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Biografia

Ângelo Augusto Venosa (São Paulo, São Paulo, 1954). Escultor. Freqüenta a Escola Brasil, em São Paulo, em 1973. No ano seguinte, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), e concluí o curso em 1977. No início da década de 1980, realiza cursos no ateliê livre da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage). Em 1984, passa a realizar obras tridimensionais. As esculturas do início dos anos 1980 associam indistintamente materiais naturais e produtos industrializados. A partir do início dos anos 1990, o artista utiliza materiais como mármore, cera, chumbo e dentes de animais, realizando obras que lembram estruturas anatômicas, como vértebras e ossos. Suas esculturas e objetos carregam indícios que remetem a eras ancestrais, surpreendendo pela estranheza e pelo caráter inquietante.

Análise

Angelo Venosa é um dos poucos artistas dedicados à escultura egressos da chamada Geração 80. Inicia a carreira artística participando de significativas exposições como Pintura! Pintura! no Rio de Janeiro. Em 1984, faz suas primeiras incursões ao universo do tridimensional. Sobre o trabalho com a escultura e o abandono da pintura, o artista declara: "Foi com a pintura que comecei minha disciplina de trabalho. (...) A passagem para escultura foi um rompimento com o que eu considerava a linguagem por excelência (a pintura) e a descoberta de que era possível criar um trabalho pessoal, com meus próprios meios".1

As obras realizadas no período apresentam um amálgama de materiais díspares, sem distinção entre elementos da natureza e produtos da indústria: estruturas de madeira ou galhos de árvore são em geral revestidos ou unidos a tecidos, borracha, fibra de vidro, bandagem gessada, piche etc., criando formas a situadas entre o orgânico e o artificial, a figura e o disforme. As estruturas tridimensionais de Venosa exploram uma horizontalidade pouco usual na escultura brasileira.

No início dos anos 1990, o artista incorpora materiais como cera, chumbo, mármore e dentes de animais à sua obra, ao mesmo tempo que passa a trabalhar com figuras reconhecíveis como vértebras e ossos. Suas peças tornam-se menores e surpreendem mais pela estranheza e caráter inquietante do resultado (como o conjunto circular formado por ossos esculpidos em mármore ou a grande peça em forma de fêmur composta de 142 anéis de aço empilhados) do que por sua ocupação espacial. Nessa mimese do mundo animal, a "forma de osso se torna arbitrária, e revela a fragilidade da distinção entre orgânico e inorgânico",2 mantendo o contraste entre organicidade e formalização presente nos trabalhos da década anterior.

A manipulação de materiais em camadas para construção de suas formas passa a ser a tônica de seus trabalhos mais recentes, como as esculturas em lâminas de vidro. Nelas a clareza da estrutura é confrontada à forma final. Com uma intervenção urbana no evento Arte/Cidade/Zona Leste, em 2002, Angelo Venosa reitera seu interesse pela polarização organização/desorganização, ao pendurar nas estruturas metálicas do teto de um antigo galpão ferroviário cordas que mimetizam o esqueleto arquitetônico do galpão. Tal ação, em vez de enfatizar a estrutura original, a liquefaz e estabelece em seu lugar uma geometria maleável, que em seu dinamismo poderia apontar para a falta de estruturação fixa da cidade de São Paulo.

 

Notas
1 Depoimento do artista a Marcio Doctors. In: No Ateliê da Lapa. Rio de Janeiro: 1986.
2 MAMMÌ, Lorenzo. Angelo Venosa. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1994.

Obras 33

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Registro fotográfico Antonio Saggese

O Aleph

Pedra grés rosa assentada com junta seca
Registro fotográfico Sérgio Zalis

Sem Título

Parafina, pigmentos e dentes de boi
Registro fotográfico Vicente de Mello

Sem Título

Lâminas de vidro
Registro fotográfico Vicente de Mello

Sem Título

12 anéis de mdf queimado
Registro fotográfico Aderi Costa

Sem Título

Ossos de boi

Exposições 181

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Feiras de arte 2

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Intervenções 1

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Palestras 1

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Workshops 1

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Mídias (1)

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Ângelo Venosa - Enciclopédia Itaú Cultural
Ângelo Venosa é um dos poucos artistas da chamada Geração 80 que se dedica à escultura, e não à pintura. Para ele, o ideal de realização artística seria a possibilidade de desenhar no ar, de forma tridimensional. É em busca dessa meta inatingível que sua obra se desenvolve. Venosa afirma que a criação nem sempre acontece de forma clara e linear. “É como se você se orientasse pelo olfato que, no meu caso, é um sentido meio ‘cego’, meio bobo. Você consegue se identificar, mas não tem uma clareza cristalina da visão”, conta. As referências que o artista acumulou ao longo de sua trajetória, seus interesses pessoais e sua própria história de vida são o fio condutor de sua obra, funcionam como alimento de sua criação. “Essas coisas fazem uma espécie de arcabouço e delimitam o modo de agir, o teu repertório de interesses, tuas ferramentas, não só as literais, como as mentais”, afirma o artista.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 20

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  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
  • ANGELO Venosa / Paulo Pasta. Belo Horizonte: Celma Albuquerque Galeria de Arte, 2000. [16 p.], il. color.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 19., 1987, SÃO PAULO, SP. Catálogo geral. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987.
  • BRITO, Ronaldo. Singulares e Equívocas. In: Ângelo Venosa. São Paulo: Subdistrito Comercial de Arte, 1986.
  • CHIARELLI, Tadeu. Mostra revela maturidade de Angelo Venosa. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 06 out. 1994. Caderno 2, p. D12.
  • CHIARELLI, Tadeu. Ângelo Venosa. In: ______. Arte internacional brasileira. São Paulo: Lemos, 1999. 311 p., il. color.
  • DOCTORS, Márcio. No ateliê da Lapa. Rio de Janeiro: 1986.
  • EIXO curatorial 98: catálogo impresso. Concepção Ricardo Ribenboim, Ricardo Anderáos; edição Jesus de Paula Assis; design Rodney Schunck. 1998. São Paulo: Itaú Cultural, 1998. 59 p., il. 1 CD-ROM.
  • FARIAS, Agnaldo. Pontos cardeais de Veneza. Guia das Artes, São Paulo, ano 7, n. 32, p. 11-13, jun./jul. 1993.
  • HIRSZMAN, Maria. A sedução e o risco na arte de Ângelo Venosa. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 03 mai. 2002.
  • MAMMÍ, Lorenzo. Ângelo Venosa. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1994. folha dobrada.
  • OLIVA, Achille Bonito. Frida Baranek, Ivens Machado, Milton Machado, Daniel Senise, Ângelo Venosa. Roma: SALA 1, out/nov 1990.
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • VENOSA, Angelo. Angelo Venosa. Rio de Janeiro: Funarte, 1989. , il. color.
  • VENOSA, Angelo. Angelo Venosa. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Centro Empresarial Rio, 1986. , il. p&b.
  • VENOSA, Angelo. Angelo Venosa. Tradução Geoffrey LLoyd Gilbert. São Paulo: Subdistrito Comercial de Arte, 1987. folha dobrada, il.
  • VENOSA, Angelo. XLV Biennale di Venezia - Angelo Venosa: Angelo Venosa. Tradução Stephen Berg. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1993. 24 p., il.
  • VENÂNCIO, Paulo. Ângelo Venosa. Galeria Revista de Arte. São Paulo, n. 26, p.74, jul./ago. 1991.

Como citar

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