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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Arpad Szenes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
06.05.1897 Hungria / a definir / Budapeste
16.01.1985 França / Ile de France / Paris
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Retrato de Yonne Stamato, 1940
Arpad Szenes
Óleo sobre tela, c.i.d.
50,00 cm x 61,00 cm

Arpad Szenes (Budapeste, Hungria 1897 - Paris, França 1985). Pintor, gravador, ilustrador, desenhista e professor. Pertencente a uma família de intelectuais e artistas, o desenho faz parte de sua vida desde criança. Em Budapeste, estuda com József Rippl-Rónai (1861 - 1927) na Academia Livre. Muda-se, em 1925, para Paris, onde realiza caricaturas...

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Biografia
Arpad Szenes (Budapeste, Hungria 1897 - Paris, França 1985). Pintor, gravador, ilustrador, desenhista e professor. Pertencente a uma família de intelectuais e artistas, o desenho faz parte de sua vida desde criança. Em Budapeste, estuda com József Rippl-Rónai (1861 - 1927) na Academia Livre. Muda-se, em 1925, para Paris, onde realiza caricaturas e retratos em bares e cafés, estuda com André Lhote (1885 - 1962), Fernand Léger (1881 - 1995) e Roger Bissiere (1886 - 1964), freqüenta a Académie de la Grande Chaumière e estuda com Stanley William Hayter (1901 - 1988), com quem aprende gravura. Em 1930, casa-se com a pintora portuguesa Vieira da Silva (1908 - 1992), seu modelo mais freqüente. Em 1940, após morar por um período em Lisboa, o casal, fugindo do nazismo, transfere-se para o Rio de Janeiro. Reside primeiro num casarão na Rua Marques de Abrantes, onde também morava o poeta Murilo Mendes (1901 - 1975), e, depois, nos chalés pertencentes ao antigo Hotel Internacional, em Santa Teresa, pensão e reduto de artistas emigrados no período. No prédio principal do hotel, Arpad monta um ateliê em que recebe seus alunos. Entre eles, Frank Schaeffer (1917), Almir Mavignier (1925) e Polly McDonnell (1911). Passa a dar aulas também na Colméia de Pintores do Brasil, criada por Levino Fanzeres (1884 - 1956). Entre 1940 e 1947 mantém contato com Murilo Mendes, Cecília Meirelles (1901 - 1964), Carlos Scliar (1920 - 2001) e Ruben Navarra (1917 - 1955). Em 1943, realiza 15 retratos de cientistas, distribuídos pelas salas de aulas da Escola Nacional de Agronomia, e colabora no painel realizado por Vieira da Silva, a convite de Heitor Grilo, para a mesma universidade. Arpad Szenes realiza a ilustração da tradução brasileira de Weise von Liebe und Tod des Cornets Christoph Rilke [A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke], de Rainer Maria Rilke (1875 - 1926), feita por Cecília Meirelles. Em 1947, com as mudanças vindas com o fim da guerra, retornam à França e dão continuidade à suas vidas artísticas. Em Paris, Lygia Clark (1920 - 1988) e Teresa Nicolao (1928) têm aulas com Arpad Szenes.

Comentário Crítico
Arpad Szenes, a partir de 1919, tem contato com correntes artísticas de vanguarda, como o dadaísmo, cubismo, futurismo e construtivismo. Em 1925, reside em Paris e conhece na Académie de la Grande Chaumière a pintora portuguesa Vieira da Silva (1908 - 1992), com quem se casa em 1930. Convive com intelectuais e artistas como Oskar Kokoschka (1886 - 1980), Alberto Giacometti (1901 - 1966), Alexander Calder (1898 - 1976) e Jacques Lipchitz (1891 - 1973). Em 1931, trabalha no Atelier 17 de Stanley William Hayter (1901 - 1988), com quem estuda gravura, e encontra surrealistas como Joan Miró (1893 - 1983) e Max Ernst (1891 - 1976). Em 1936, pinta grandes telas abstratas, como L'Obstacle, Le Carrousel, Le Fléau e L'Enfant au Cerf-Volant.

Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o casal muda-se para Portugal e em seguida para o Brasil. Szenes e sua esposa residem no Hotel Internacional, no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, que reúne um círculo de artistas e intelectuais emigrados. Retoma a figuração e dedica-se sobretudo à retratística: pinta o grupo de amigos que freqüentam o Hotel Internacional e, com a ajuda de Cecília Meireles (1901 - 1964), recebe encomenda para pintar personalidades para a Escola Nacional de Agronomia (chamada Quilômetro 44), da Universidade Rural Fluminense. Realiza ilustrações para obras de Murilo Mendes (1901 - 1975), Mário de Andrade (1893 - 1945) e para a tradução brasileira de Weise von Liebe und Tod des Cornets Christoph Rilke [A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke], de Rainer Maria Rilke (1875 - 1926), cujos estudos dão origem à série Banquets.

No quadro O Casal, 1933, dialoga com o cubismo, especialmente com Les Demoiselles d'Avignon, 1907, de Pablo Picasso (1881 - 1973). Nessa obra, Szenes trata os rostos dos protagonistas como máscaras, e frontalidade e lateralidade se confundem. Em outro trabalho com mesmo título, de 1942, o casal abraçado está cercado de objetos domésticos: o jarro com plantas, a mesa com cartas de baralho e o cavalete com a tela, criando uma cena íntima e amorosa.

Regressa a Paris em 1947. No ano seguinte, Szenes organiza um ateliê onde ensina jovens pintores. Pinta as séries abstratas dos Banquets, Parques e Conversations, nas quais as linhas de força, tensão e movimento são suas principais preocupações pictóricas. Trabalha também, a partir de 1950, com guache e têmpera. Em 1956, com a esposa, obtém nacionalidade francesa. Recebe, por sua obra, várias condecorações do Estado francês. Realiza ilustrações para diversos livros. Arpad Szenes é um dos principais representantes da Escola de Paris nos anos 1940. No Brasil, sua presença e a de Vieira da Silva marcam profundamente a obra de vários artistas com quem convivem, como Burle Marx (1909 - 1994), Carlos Scliar (1920 - 2001) e Athos Bulcão (1918).

Obras 4

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Maria Helena

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Maria Helena I

Óleo sobre tela

Exposições 91

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 10

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  • ARAÚJO, Marcelo Mattos (coord.), BAEZ, Elizabeth Carbone (coord.), REGO, Ivonne Felman Cunha (coord.). Arpad Szenes e Vieira da Silva: retratos. Rio de Janeiro: Museus Castro Maya, 1997. 28 p., il. p&b color.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • SZENES, Arpad. Retratos de Vieira. Tradução Arnaldo Saraiva; apresentação José Sommer Ribeiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1985. [28] p., il. p&b, color.
  • SZENES, Arpad. Retratos de Vieira. Versão em português Joaquim Vital; colaboração Guy Weelen. Lisboa: Imprensa Nacional : Casa da Moeda, 1983. 109 p., il. color.
  • TEMPOS de guerra: Hotel Internacional / Pensão Mauá. Curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. (Ciclo de exposições sobre arte no Rio de Janeiro).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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