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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Hector Vigliecca

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.10.2019
1940 Uruguai / a definir / Montevidéu
Em 1985, vence com Bruno Roberto Padovano (1951) o concurso do Sesc Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Abandona o Cnec e inaugura o escritório Padovano e Vigliecca Arquitetos. Encerra a sociedade em 1994 e funda com Luciene Quel (1969) o escritório Vigliecca & Associados, em 1995. Em 2005, Ronald Werner Fiedler (1979), torna-se sócio do escritório.

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Héctor Vigliecca Gani (Montevidéu, Uruguai, 1940). Arquiteto, urbanista e professor. Forma-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade da República (Udelar), em Montevidéu, em 1968. Em 1969, ingressa na pós-graduação em urbanismo da Università degli Studi di Roma, retornando à capital uruguaia em 1972. Em 1974, inicia atividade docente na Udelar. Perseguido pelo governo militar, transfere-se em 1975 para o Brasil. Trabalha no escritório do arquiteto Joaquim Guedes (1932-2008) e, a partir de 1976, no Consórcio Nacional de Engenheiros Construtores (Cnec). 

Em 1985, vence com Bruno Roberto Padovano (1951) o concurso do Sesc Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Abandona o Cnec e inaugura o escritório Padovano e Vigliecca Arquitetos. Encerra a sociedade em 1994 e funda com Luciene Quel (1969) o escritório Vigliecca & Associados, em 1995. Em 2005, Ronald Werner Fiedler (1979), torna-se sócio do escritório.

Durante a carreira, Vigliecca é premiado em concursos nacionais e internacionais de arquitetura. É agraciado pela Sociedade de Arquitetos do Uruguai (SAU), em 1977; pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), em 1992; pela 2ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em 1993; e pela Fundação Mies van der Rohe, em 1998. Neste mesmo ano, é premiado pela nova sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Recebe três prêmios em 2003: pelo projeto de modernização do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães - que inclui Ginásio Geraldo José de Almeida (conhecido como Ginásio do Ibirapuera), Estádio Ícaro de Castro Mello, Conjunto Aquático Caio Pompeu de Toledo, Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiro e Palácio do Judô; pelo Grande Museu do Egito e pela Biblioteca do México José Vasconcelos. Em 2006, é premiado pelo projeto de reurbanização do Complexo Paraisópolis. 

Entre 1992 e 1993, retoma as atividades acadêmicas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paulista e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, onde dá aulas de projeto desde 1992. É membro da diretoria do Departamento Paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) desde 2008.

Análise

A maior parte dos projetos realizados por Hector Vigliecca é fruto da participação em concursos nacionais e internacionais. O arquiteto destaca-se pela dissonância de seu trabalho em relação à arquitetura realizada no Brasil. Formado em Montevidéu e pós-graduado em Roma, ao desembarcar no Brasil em 1975, traz na bagagem debates sobre o esgotamento do movimento moderno e a necessidade de rever a disciplina arquitetônica. Essas questões estão ausentes do debate brasileiro da época, por causa do sucesso da construção de Brasília (1956-1960) e da política desenvolvimentista adotada pelos governos militares depois do golpe de 1964.

A primeira obra importante do arquiteto, o Complexo Habitacional Bulevar Artigas (1972), é realizada em Montevidéu. Inspirado na produção do grupo inglês Archigram, o conjunto é pensado como estrutura que permite a agregação de novos módulos. A ampliação e a reordenação dos mais de 130 tipos de apartamento, definidos em parceria com a comunidade, viabilizam-se pela própria concepção do projeto. A atenção ao lugar e aos usuários mantém-se como princípio ordenador de seu trabalho.

No Conjunto Habitacional Vila Maria (1991-2003), Vigliecca contrapõe-se aos modelos preconizados pelos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (Ciams) e pela tradição anglo-saxônica dos bairros-jardins. Considera esse tipo de edifícios monótonos, construídos em espaços mal definidos, áridos e desarticulados da malha urbana, típicos da produção financiada pelo Banco Nacional de Habitação (BNH) durante a ditadura militar. Animados pelas obras do italiano Vittorio Gregotti (1927) e dos britânicos Alison Smithson (1928-1993) e Peter Smithson (1923- 2003), os arquitetos recuperam a tradição das ruas-corredor: blocos multifuncionais de quatro a cinco andares, construídos nos limites do lote ao redor de praças internas, articuladas ao resto da cidade por meio de passagens localizadas nas esquinas. Se nessa obra o desenho remonta à cidade tradicional, em outros dois projetos a atenção ao lugar conhece novas expressões. 

No Sesc Nova Iguaçu (1985-1992) e na Urbanização do Complexo Paraisópolis (2005), ambos premiados pelo IAB (1985 e 2006, respectivamente), a intenção é dialogar com a periferia do ponto de vista da paisagem natural e da edificada. No primeiro caso, os arquitetos desenham um conjunto de edifícios inspirado nos galpões industriais das redondezas, construído com materiais locais e implantado segundo a geometria do terreno e o desejo de criar praças de articulação com características e ambiências diversas. 

Em Paraisópolis, esse diálogo enseja a produção de quatro tipologias habitacionais: edifícios para a área central; edifícios para as encostas; edifícios para os fundos de vale; e conjunto de edifícios para alojar futuros moradores. Essas tipologias suportam a intervenção e a reordenação do bairro, possibilitando menor número de remoções e abertura de um parque linear. 

O respeito pelo entorno orienta também o projeto do Grande Museu do Egito (2003): uma extensa cobertura plana dá continuidade à topografia existente e insere-se na paisagem, sem conflitar com as pirâmides do Cairo.

Com a vitória no Concurso Nacional para Modernização do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães (2003), um campo novo de atuação se abre para o escritório Vigliecca & Associados. A partir de 2008, ele desenvolve estádios de futebol para a Copa de 2014, construídos nas cidades de Campo Grande, Fortaleza, Curitiba e Aracaju. Pela grandiosidade desses projetos, a questão técnica ganha destaque, mas a intenção de “desenhar cidades” revela-se nas praças elevadas desses estádios, misto de belvedere e espaço de lazer.

Dono de vasta produção, Vigliecca sobressai pela capacidade de lançar novas questões à arquitetura e de extrair do lugar os fundamentos de projetos de forte impacto visual e simbólico.

Debates 1

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 19

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  • BASTOS, Maria Alice Junqueira. Pós-Brasília: rumos da arquitetura brasileira: discurso, prática e pensamento. São Paulo: Perspectiva: Fapesp, 2003.
  • GRUNOW, Evelise; SERAPIÃO, Fernando. Héctor Vigliecca. Arcoweb, São Paulo, mai. 2009. Seção Entrevistas. Disponível em: < http://www.arcoweb.com.br/entrevista/hector-vigliecca-25-05-2009.html >. Acesso em: 10 nov. 2010.
  • KOHEN, Martha; OTERO, Ruben; VIGLIECCA GANI, Héctor. Geometria do lugar. Projeto, São Paulo, n. 189, set. 1995. p. 64-65
  • LAVOR, Ananda; KLOCKER, Carolina; MELO, Diana. Entrevista com Héctor Vigliecca. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso de História da Técnica, Arquitetura e Urbanismo IV da Escola da Cidade) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Aracaju, 2007.
  • MONTANER, Josep Maria. Después del movimiento moderno: arquitectura de la segunda mitad del siglo XX. Barcelona: Gustavo Gili, 1993.
  • NESBITT, Kate (Org.). Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). São Paulo: Cosac & Naify, 2006.
  • SCAGLIUSI, Francisco Luís; BONDUKI, Nabil. Uma nova política habitacional. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 33, dez./jan. 1990-1991. p. 59-60
  • URUGUAYO remodelará el centro de Florianópolis. Espectador.com, Montevidéu, maio 2010. Programas. Disponível em: < http://www.espectador.com/1v4_contenido.php?id=183409&sts=1 >. Acesso em: 10 nov. 2010.
  • VIGLIECCA ASSOCIADOS. Disponível em: < http://www.vigliecca.com.br/ >. Acesso em: 10 nov. 2010.
  • VIGLIECCA GANI, Héctor; PADOVANO, Bruno Roberto. Complexo universitário da Fieo. Projeto, São Paulo, n. 181, dez. 1994. p. 54-56
  • VIGLIECCA GANI, Héctor; PADOVANO, Bruno Roberto. Concurso: criatividade de sobra. Projeto, São Paulo, n. 174, maio 1994. p. 70-73
  • VIGLIECCA GANI, Héctor; PADOVANO, Bruno Roberto. Conjunto Rincão. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 33, dez./jan. 1990-1991. p. 64-65
  • VIGLIECCA GANI, Héctor; PADOVANO, Bruno Roberto. Conjunto Vila Mara. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 33, dez./jan. 1990-1991. p. 61-63
  • VIGLIECCA GANI, Héctor; PADOVANO, Bruno Roberto. Lição de coisas: lugar e técnica. Entrevista a Ruth Verde Zein. Projeto, São Paulo, n. 153, jun. 1992. p. 30-47
  • VIGLIECCA, Héctor. Sobre o Concurso Internacional da Mega Biblioteca do México. Arquitextos, São Paulo, nov. 2003. Disponível em < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/635 >. Acesso em: 15 nov. 2010.
  • VIGLIECCA, Héctor; GRANDE, João Batista de; VILAMIL, Arturo; QUEL, Luciene; HUN, Lilian; GALVÃO, Fabio Farias; SCHOLZ, Mirele. Primeiro lugar: um edifício em ampla área verde. Projeto Design, São Paulo, n. 222, jul. 1998. p. 70
  • VIGLIECCA, Héctor; QUEL, Luciene. Grande edificação integra conjunto esportivo e abriga novas instalações. Projeto Design, São Paulo, n. 281, n. 64, jul. 2003.
  • VIGLIECCA, Héctor; QUEL, Luciene. Prova de competência. Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, n. 115, out. 2003. p. 42-47
  • WISNIK, Guilherme. Modernidade congênita. In: FORTY, Adiran; ANDREOLI, Elisabetta (Orgs.). Arquitetura moderna brasileira. Londres: Phaidon, 2004.

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