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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Analivia Cordeiro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.08.2022
22.02.1954 Brasil / São Paulo / São Paulo
Analivia Cordeiro (São Paulo, São Paulo, 1954). Bailarina, coreógrafa, videoartista, arquiteta e pesquisadora corporal. O trabalho de Analivia Cordeiro articula dança, mídias eletrônicas (computer dance) e videoarte. Além de explorar com pioneirismo mundial as possibilidades expressivas da relação entre esses elementos, a artista é precursora da...

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Analivia Cordeiro (São Paulo, São Paulo, 1954). Bailarina, coreógrafa, videoartista, arquiteta e pesquisadora corporal. O trabalho de Analivia Cordeiro articula dança, mídias eletrônicas (computer dance) e videoarte. Além de explorar com pioneirismo mundial as possibilidades expressivas da relação entre esses elementos, a artista é precursora da videoarte no Brasil.

Filha do artista Waldemar Cordeiro (1925-1973) e da geógrafa e pianista Helena Kohn Cordeiro (1928-1994), inicia sua formação em artes dentro de casa. Em 1962, começa seus estudos de dança com Maria Duschenes (1922-2014), com quem se forma no método Laban, dez anos depois. Em 1971, tem aulas com Albert Reid sobre a técnica de Merce Cunningham (1919-2009). 

Em 1973, concebe M 3x3, coreografia para vídeo, obra considerada inaugural da videoarte e da videodança no Brasil. Nove dançarinas executam movimentos geométricos, pautados por diretrizes dadas no computer dance, ao som de batidas constantes em um espaço bidimensional em branco e preto. As coordenadas das dançarinas no espaço e as posições de seus membros são lançadas no computador, que define os ritmos da música selecionada pela artista. A escolha aleatória dos movimentos pelo computador é executada pelo grupo. 

M 3X3 sintetiza a proposta de uma primeira fase na trajetória da coreógrafa ao indicar a automatização dos gestos, a relação mecânica entre as pessoas, a prioridade da mídia sobre a expressão pessoal e a artificialidade da representação das cores na televisão em preto e branco. Questões semelhantes surgem em 0=45 (1974), obra em que o corpo é visto por partes, em closes, para mostrar a fragmentação da imagem corporal, composta como um todo somente pelo espectador; e em Cambiantes (1976), coreografia em que o corpo, com movimentos em ângulos retos e de 45 graus, forma triângulos que interferem no espaço retangular estabelecido por uma projeção.

Em 1976, tem aulas com Kelly Hogan sobre a técnica de Martha Graham (1894-1991), e se gradua em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). Entre 1977 e 1998, reside em Nova York, onde frequenta aulas nos estúdios de Alvin Nikolais (1910-1993) e Merce Cunningham, formando-se em dança moderna norte-americana. Em 1980, cria um software de notação de movimento (Nota-Anna), que é tema de sua dissertação de mestrado em multimeios, defendida em 1996, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)1.

As pesquisas se fazem notar em uma segunda fase de sua produção artística, que a própria artista localiza2 entre os anos de 1981 a 1994, período em que elabora a notação de movimentos do corpo humano, pretendendo visualizar o rastro ou a trajetória do movimento para mostrar “a essência de sua expressão”3. Em uma arte em que o registro é sempre um desafio, Nota-Anna é uma resposta. Como assinala Helena Katz (1950), Analívia Cordeiro “vem dedicando sua vida profissional a criar um instrumento eficiente o suficiente para ajudar tanto a registrar a dança como coreografá-la”4.

A artista identifica sua terceira fase, de 2001 a 2004, como a busca da ciber-harmonia, que trata do diálogo entre a consciência corporal e os meios eletrônicos. Dedicando-se à “influência dos meios eletrônicos em todos os aspectos da vida cotidiana”5, une a experiência prática à reflexão teórica: em 2004, conclui o doutorado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, com a tese Buscando a ciber-harmonia: um diálogo entre a consciência corporal e os meios eletrônicos, e no mesmo ano cria o Método para Treino e Consciência Corporal por Mídia Eletrônica.

Em 2007, o Unsquare Dance, uma experiência entre arte digital interativa e dança contemporânea, é realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O trabalho une a dança em tempo real da artista e o software X-Motion, desenvolvido por Luiz Velho (1956), matemático do Impa, e o professor visitante Lucio Julio Marins, do Laboratório Visgraf-Impa.

A obra da artista, segundo o crítico Arlindo Machado (1949-2020), é pautada por duas investigações: “a relação do corpo com seu entorno e o gesto como forma expressiva primordial do homem, [...] o que resume na idéia de embodiment”6 Embodiment é o entendimento do corpo em seu aspecto fisiológico, como “interface entre o sujeito, a cultura e a natureza”. Assim, sua pesquisa está orientada para os possíveis significados do binômio orgânico/artificial, no que concerne à expressão do corpo.

Destacam-se ainda Alegria de ler (2009), trabalho composto por 242 vídeos com uma proposta de alfabetização por meio de celulares e outros dispositivos móveis; e a série Zonas de contato (2011), realizada em parceria com João Penoni (1983), com quem ministra ainda a oficina Registros digitais do corpo em movimento. Esse curso inclui a criação de obras e a análise de resultados com apresentações e conversas sobre a utilização de sistemas de captura de movimento do corpo humano.

Seja no trabalho precursor que conjuga criação artística e tecnologia, seja na união entre teoria e prática, a atuação de Analívia Cordeiro se orienta para a reflexão sobre os limites da expressão corporal individual e as determinações e possibilidades representadas por diferentes mídias.

Notas

1. Publicada em 1998 pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e Editora Annablume, com o título Nota-Anna – uma notação eletrônica dos movimentos do corpo humano baseada no Método Laban.

2. CORDEIRO, Analívia. Expressão & tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em: http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf . Acesso em: 23 maio 2012. 

3. Ibidem. 

4. KATZ, Helena. Autoras exploram as mil faces da arte. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 24 nov. 1988. Caderno 2, p. 47.

5. CORDEIRO, Analívia. Expressão & tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf. Acesso em: 23/5/2012.

6. MACHADO, Arlindo. O corpo como uma concepção de mundo. 2011. Disponível em: http://analivia.com.br/arlindo-machado-body-as-a-concept-of-the-world/. Acesso em: 26 mar. 2016.

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Fontes de pesquisa 10

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  • Analívia Cordeiro. Currículo Lattes. Disponível em: < http://lattes.cnpq.br/6473778075945888 >. Acesso em: 22 mar. 2016.
  • CORDEIRO, Analívia. Expressão & Tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em < http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf >. Acesso em: 23 mai. 2012.
  • CORDEIRO, Analívia. Nota-Anna: uma notação eletrônica dos movimentos humanos baseada no método Laban. São Paulo: Annablume/FAPESP, 1998.
  • CORDEIRO, Analívia. O coreógrafo programador: dados e Idéias. Rio de Janeiro, v.1, nº 4, fev./mar. 1976, p.48-54. Disponível em: < http://www.analivia.com.br/wp-content/uploads/2012/10/1976-o-coreografo-programador.pdf >. Acesso em: 25 mai. 2012.
  • CORDEIRO, Analívia; CAVALCANTI, Cibele; HAMBURGER, Claudia. Método Laban: nível básico. São Paulo: Publicação LabanArt, 1989.
  • DANÇA coreografada por computador em exibição no Goethe. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 1975. p. 14.
  • GONÇALO JÚNIOR. Dança da máquina, do corpo e da mente. Pesquisa online FAPESP. Edição online. Dezembro de 2006. Disponível em: < http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/12/01/danca-da-maquina-do-corpo-e-da-mente/ >. Acesso em: 22 mar. 2016.
  • KATZ, Helena. Autoras exploram as mil faces da arte. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 nov. 1988. Caderno 2, p. 47.
  • MACHADO, Arlindo. O corpo como uma concepção de mundo. 2011. Disponível em: < http://analivia.com.br/arlindo-machado-body-as-a-concept-of-the-world/ >. Acesso em: 26 mar. 2016.
  • MORAES, Angélica de. Paço reúne obras nacionais de arte eletrônica. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 out. 1997. Caderno 2, p. 61.

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