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Dança

Revista Dançar

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.12.2020
1982
Fundada por Carmen Lobos e Pedro Geraldo Bianco Júnior, em São Paulo, no dia 7 de junho de 1982, a Revista Dançar é o primeiro veículo de comunicação especializado em dança no Brasil. 

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Fundada por Carmen Lobos e Pedro Geraldo Bianco Júnior, em São Paulo, no dia 7 de junho de 1982, a Revista Dançar é o primeiro veículo de comunicação especializado em dança no Brasil. 

Com periodicidade bimestral, a Dançar noticia eventos brasileiros e do eixo Europa-Estados Unidos. É composta por entrevistas, fotos, ilustrações, artigos, críticas, cartas de leitores, listagem de academias e escolas de dança de diversas regiões do país, divulgação de apresentações e cursos de danças e ginástica. As capas são coloridas, e o miolo alterna entre colorido e preto e branco. 

Fazem parte do conselho editorial os pesquisadores: Christine Greiner (1961), Marcos Bragato (1956), Emilian Matarazzo e Terlânia Bruno. Ao longo dos anos, Chris Loureiro, Ana Christina Nery Leite, Helena Grant Marzano e Kátia Alves Lima passam pela equipe de redação e reportagem.

Há, na revista, a preocupação em desenvolver pensamento crítico sobre dança. É dado mais espaço para artigos e críticas do que para reportagens. Tal escolha segue a tendência do jornalismo cultural europeu e estadunidense, em tomar a crítica o eixo editorial1

Algumas discussões são recorrentes, como: ensino informal, ensino universitário, alternativas de financiamento estatal, políticas públicas, dança como profissão e “exportação” de artistas para outros países. Além disso, a abordagem da revista estabelece diálogos entre a dança e a cultura pop. Há entrevistas, por exemplo, com o intérprete Ney Matogrosso (1941), com o ator Edson Celulari (1958), com grupos de break, e com a atriz Eva Wilma (1933), que faz parte do Balé do 4º Centenário (1953-1955), São Paulo .

De acordo com o jornalista Daniel Piza (1970-2011), no início da década de 1980, o "Caderno 2", de O Estado de S. Paulo (OESP), e o "Ilustrada", da Folha de S.Paulo (FSP), são criados. Nessa época, a análise crítica de artes ganha espaço nas redações de jornais corporativos. Críticos de dança que se destacam nesse período são Helena Katz (1950) em OESP e FSP; Acácio Vallim (1948), OESP; Ana Francisca Ponzio, FSP; Marcos Bragato, Folha da Tarde e Jornal da Tarde; João Cândido Galvão (1937-1995), revista Veja; Antonio José Faro (1933-1991) e Roberto Pereira (1968-2011), Jornal do Brasil. Todos são colaboradores da Revista Dançar.

Entre os demais colaboradores da revista estão, os jornalistas Fátima Bernardes (1962) e Zeca Camargo (1963), o bailarino Ismael Guiser (1927-2008), e a crítica Katia Canton (1962).

Em uma época em que não há acesso a vídeos, imagens e textos pela internet, a Dançar é uma das fontes mais procuradas por quem não comparece aos festivais. Uma das vantagens dela em relação aos jornais diários é a de estender assuntos a um número maior de páginas e tecer discussões entre pares, em vez de se comunicar com um público amplo, com interesses diversos. São muitos os relatos publicados na seção “Cartas”, em que leitores cumprimentam a revista pela oportunidade de acesso a discussões importantes para a classe, principalmente por leitores de regiões distantes do eixo Rio de Janeiro-São Paulo-Minas Gerais.

A Dançar serve para que artistas locais sejam conhecidos e reconhecidos no Brasil e em outros países. Amplia o acesso à informação e a interlocução entre artistas, professores, estudantes de dança do país e da América do Sul.

Durante os anos em que a Dançar atua, o ensino de dança está vinculado a academias e escolas de companhias oficiais. Há apenas duas graduações em dança no país: na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A partir de 1984, a Dançar destaca, além da dança, ginástica aeróbica e musculação. Isso é visível na edição número 9, de 1984, em que a capa traz a manchete “Ginástica Aeróbica: Aquisição de Saúde” com uma modelo  que veste malhas, munhequeira e polainas coloridas. A quebra editorial indica a dificuldade de sobrevivência de um veículo especializado em dança e a ascensão da aeróbica no país.

Nos anos 1990, a editora faz uma publicação mais enxuta, a “Dançarpress”, no entanto, como diversos projetos de dança no país, a Revista Dançar não consegue se manter por muito tempo. Encerra as atividades em 1992. 

Nota:

1. PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. São Paulo: Contexto, 2003.

Fontes de pesquisa 5

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  • DIRETAS já, quando o povo voltou às ruas. Em: VIRTUÁLIA: o manifesto digital. Blog do escritor goiano Jeocaz Lee-Meddi. Disponível em: http://virtualiaomanifesto.blogspot.com.br/2009/06/diretas-ja-quando-o-povo-voltou-as-ruas.html. Acesso em: 9 out. 2013.
  • DIRETAS já. Verbete escrito com base em acervo do jornal O Estado de S. Paulo. Disponível em: http://acervo.estadao.com.br/noticias/topicos,diretas-ja,874,0.htm. Acesso em: 12 out. 2013
  • LIGA Internacional e Brasileira de Ginástica Aeróbica e Fitness/ Hip Hop. Apresenta notícias que envolvem a ginástica aeróbica e hip hop no Brasil. Disponível em: http://www.libraf.com/aerobica.php. Acesso em: 12 set. 2013.
  • PIZA, Daniel. Jornalismo cultural. São Paulo: Contexto, 2003.
  • XAVIER, Renata Ferreira. O (não) lugar da dança na imprensa e nos acervos públicos da cidade de São Paulo: um estudo sobre as ambivalências da memória e da documentação. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

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