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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Módulo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.07.2022
03.1955
1989
A partir dos anos 1950, a obra de Oscar Niemeyer (1907-2012) recebe duras críticas de arquitetos e teóricos estrangeiros. Nesse mesmo período, suas concepções também são impactadas pela viagem que realiza a Moscou, entre 1954 e 1955. A partir dessas duas experiências, Niemeyer lança, em março de 1955, a Revista Módulo, veículo privilegiado de di...

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A partir dos anos 1950, a obra de Oscar Niemeyer (1907-2012) recebe duras críticas de arquitetos e teóricos estrangeiros. Nesse mesmo período, suas concepções também são impactadas pela viagem que realiza a Moscou, entre 1954 e 1955. A partir dessas duas experiências, Niemeyer lança, em março de 1955, a Revista Módulo, veículo privilegiado de divulgação e defesa de seus projetos. Por meio da publicação, ele explicita sua concepção de arquitetura e reafirma o discurso historiográfico consagrado com a exposição Brazil Builds (1943), realizada no Museu de Arte Moderna de nova York (MoMA), sobre a arquitetura moderna brasileira.

O título da revista faz alusão ao “modulor”, sistema de medida criado com as dimensões do corpo humano pelo arquiteto suíço Le Corbusier (1887-1965). Essa referência afirma que a arquitetura deve estar a serviço do homem, compromisso explícito no primeiro editorial da revista. Na fase inicial, encerrada em abril de 1965, por ação da ditadura militar, são publicadas as seções “Em Defesa da Cidade”, renomeada “Problemas Atuais da Arquitetura”; “No Mundo da Arquitetura e das Artes Plásticas” e “Noticiário”, renomeada “Registros”; além de artigos sobre pintura, escultura, design, paisagismo, artesanato, música e literatura, produzidos por grandes nomes da cultura nacional.

É evidente a predominância da arquitetura na publicação e, dentro desse tema, os projetos e artigos de Niemeyer. Dentre eles, destacam-se “Problemas Atuais da Arquitetura Brasileira” (1955), “Considerações sobre a Arquitetura Brasileira” (1957),Depoimento” (1958), “A Cidade Contemporânea” (1958), “Unidade Urbana” (1959), “A Imaginação na Arquitetura” (1958), “Forma e Função na Arquitetura” (1960) e “Contradição na Arquitetura” (1962). Esses textos são peças-chave de seu pensamento e da defesa de uma arquitetura autoral de formas livres, definida pelas possibilidades plásticas do concreto armado e pelo desejo de criar espaços surpreendentes com força icônica.

Do ponto de vista historiográfico, são notáveis os artigos “Arquitetura Brasileira: Características Mais Recentes” (1955) e “Dois Episódios da História da Arquitetura Moderna Brasileira” (1955), de Joaquim Cardozo (1897-1978); “O Arquiteto e a Sociedade Contemporânea” (1955), de Lucio Costa (1902-1998), assíduo colaborador da revista; e a série de artigos sobre o patrimônio de Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969), com predominância de construções coloniais. Há, ainda, uma série de artigos dedicados à arquitetura popular, com enfoque semelhante ao da revista Habitat (1950-1965). No campo das artes plásticas, destacam-se os textos dedicados aos ícones do modernismo, concretismo e neoconcretismo, escritos por Flávio de Aquino (1919-1987), Waldemar Cordeiro (1925-1973) e Ferreira Gullar (1930-2016).

Na primeira fase da revista, entre 1955-1958, a periodicidade da publicação é quadrimestral. Torna-se bimestral entre 1958-1963, mas tem edições reduzidas nos anos de 1964 e 1965. Por volta de 1959, é editada em português, com traduções em francês, inglês, alemão e espanhol, e conta com uma tiragem de quatro mil exemplares no exterior e seis mil no Brasil. Possui correspondentes no Brasil e em vários países da América, Europa e Ásia. O projeto gráfico, elaborado por Henry R. Moeller, é revisto no número 15 pelo artista gráfico Goebel Weyne (1933-2012), a pedido de Niemeyer, para tornar a revista mais atraente, econômica e fácil de manusear. O formato é alterado e estabelece-se uma malha de texto e imagem mais clara e equilibrada, influenciada pelos ensinamentos da Escola de Bauhaus.

A segunda fase da revista inicia-se em setembro de 1975, com novo projeto gráfico e expediente. Apesar da atenção a outras formas de cultura, a predominância da arquitetura e dos projetos de Niemeyer intensifica-se. A estrutura da publicação mantém os artigos temáticos assinados por Niemeyer, Cardozo, Gullar, Vinicius e Ronaldo Brito (1949); artigos de crítica à produção da cidade; notícias sobre a profissão; e publicidade inserida no início e no final da publicação. Em 1979, a partir da edição 54, o projeto gráfico é novamente reformulado, seguindo as mesmas orientações de Weyne. A publicação amplia o corpo de colaboradores, aumenta a tiragem para 30 mil exemplares e estabelece convênio com a revista francesa L’Architecture d’Aujourd’hui.

Os números 40 e 41, os primeiros da segunda fase, recuperam o discurso historiográfico hegemônico, com artigos sobre obras e personagens centrais da arquitetura moderna brasileira: “Sede do MEC: onde a Arte Começou a Mudar”; “O Ministro que Desprezou a Rotina”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987); “Entrevista”, com Joaquim Cardozo; “Depoimento”, de Oscar Niemeyer; “De Pampulha a Brasília: os Caminhos da Providência”, de Juscelino Kubitschek (1902-1976); e “À Sombra de Rodrigo”, de Pedro Dantas. Também são elaborados números especiais, dedicados aos 50 Anos de Arquitetura (1988), de Oscar Niemeyer, e ao Memorial da América Latina (1989), sendo este o centésimo e último número da revista.

O periódico ainda é um documento pouco explorado sobre o discurso de Niemeyer e a história da arquitetura moderna brasileira.

Fontes de pesquisa 4

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  • Coleção de periódicos Módulo (1955-1965; 1975-1989). Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP).
  • MACEDO, Danilo Matoso. Da matéria à invenção: as obras de Oscar Niemeyer em Minas Gerais, 1938-1955. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2008.
  • WISNIK, Guilherme. Oscar Niemeyer. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2011. (Coleção Folha Grandes Arquitetos, 3).
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. 2ª ed. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

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